Competitividade, produtividade e salários em Portugal e na UE

Podes crer.

Nós, no fundo, lá no fundo, estamos para vocês, Estado-dependentes, como a "esquerda democrática" estava prá "direita não democrática" antes do 25 de A [:D]

ihihihi
 
Podes crer.

Nós, no fundo, lá no fundo, estamos para vocês, Estado-dependentes, como a "esquerda democrática" estava prá "direita não democrática" antes do 25 de A [:D]

ihihihi
Bem, André, essa comparação só mesmo a reinar, porque é do mais absurdo que se pode dizer, a menos que se não conheça as fintas ao sistema desses tempos, a que eu assisti e que conheço relativamente bem (que nada têm a ver com o que estás a dizer...)!
 
OPINIÃOPublicado 25 Julho 2005
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Avelino de Jesus

Salários e competitividade – em defesa do aumento dos salários portugueses


A rigidez à baixa dos salários tem sido glosada – e lamentada – sendo mesmo apontada como responsável pela recente perca de competitividade da economia portuguesa. Não há relatório que não lance sabidos apelos à moderação salarial.

Esta visaria o amortecimento dos custos de produção e a recuperação da competitividade, na ausência da possibilidade de desvalorização cambial.
Por sua vez, as organizações sindicais e alguns economistas – cada vez menos numerosos – lamentam a repressão salarial, sugerindo que esta seria a causa do fraco crescimento da economia, devido ao seu efeito de depressão da procura.
A política de baixos salários, embora por razões diferentes das acima referidas, deve ser firmemente rejeitada.
Os baixos salários constituem – ao lado das baixas taxas de juro – uma causa fundamental da falta de competitividade da nossa economia, devido ao efeito de distorção na afectação competitiva de recursos e ao travão que coloca às reestruturações sectoriais e às mudanças tecnológicas que o país exige.
As abordagens da questão salarial ficam quase sempre no âmbito do curto prazo. É nesse contexto que o indicador dos custos unitários do trabalho é sistematicamente avançado como indicador da competitividade e daí vem a preocupação obsessiva com a travagem dos salários. A sobrevalorização deste indicador deve evitar-se, mesmo numa análise de curto prazo. Não podemos omitir os outros factores produtivos para além do trabalho. A competitividade resulta não do baixo custo de um determinado factor, no caso o trabalho, mas da composição adequado de factores e da correspondente produtividade assim conseguida. Ainda que no curto prazo – portanto com uma dada composição de factores – é muito redutor olhar apenas para os custos do trabalho.
Mas o mais importante é compreender o papel da política salarial numa visão que vá além da miopia do curto prazo em que o debate parece ter sido encerrado.
A questão salarial deverá ser considerada no longo prazo enquanto variável influente no desenho da estrutura sectorial e do padrão tecnológico da economia. Uma taxa de salários baixa leva a uma composição inadequada dos factores de produção, pela sobreutilização que provoca do trabalho pouco qualificado, em detrimento de trabalho mais qualificado e, sobretudo, do factor capital.
Considerando a taxa de salários nesta perspectiva, os salários portugueses são extremamente baixos, são causa importante da rigidez da economia e constituem forte obstáculo à sua reestruturação e competitividade.
Os salários são em Portugal anormalmente baixos. Não é aceitável – e não me coloco aqui no plano da justiça social que requeria abordagem própria – a defesa do congelamento dos salários, nem mesmo de um crescimento moderado. É antes altamente desejável um crescimento forte e rápido, apenas modulado pelo política e socialmente suportável.
O indicador apropriado, de acordo com os padrões analíticos consagrados, para avaliar o custo do trabalho é o salário médio horário do pessoal operário na indústria transformadora. Apresento no gráfico abaixo os valores deste indicador para o ano de 2002. O salário médio português em Portugal é intoleravelmente baixo: 5 dólares face a 19 dólares em média na União Europeia a 15. Em relação a Portugal, o salário médio na União Europeia vem, assim, multiplicado por 4 enquanto no PIB per capita correspondente é apenas multiplicado por 1,3.
Perante o nível da taxa de salário em vigor, o país não realizou as reestruturações sectoriais e as mudanças tecnológicas que a maior parte dos países da OCDE realizaram nos últimos 20 anos. Estas adaptações fizeram-se nesses países em resposta ao estado do mercado dos produtos e à estrutura dos custos dos factores. Os salários elevados significaram um poderoso indicador no sentido de orientar os investimentos para opções de elevada componente de capital e de trabalho altamente qualificado. Os reduzidos salários em Portugal levaram as empresas – agindo racionalmente perante os dados sobre os custos dos factores – a resistir àquelas necessárias modificações, continuando a manter ultrapassadas estruturas produtivas.
Em Portugal o emprego nas indústrias mais sujeitas à concorrência internacional de países com salários baixos cresceu, entre 1980 e 2000, 4% contra um decrescimento na generalidade dos países que procederam neste período às devidas reestruturações industriais, por exemplo: 52% no Reino Unido, 50% na Finlândia, 45% na Dinamarca, 35% na Noruega.
A conclusão a tirar aponta a necessidade de dois tipos de intervenções públicas. Primeiro, a necessidade de legislar um substancial aumento do salário mínimo e uma intervenção activa na formação dos salários de pessoal qualificado. Segundo o imperativo de flexibilização da legislação laboral.
As políticas públicas em vigor não se orientam no sentido indicado. Pelo contrário, os salários vão degradar-se, quando o que se impõe é o seu rápido crescimento.
A intervenção do Estado tem sido feita de forma errónea e em sentido contrário ao necessário. Primeiro, o salário mínimo tem sido fixado a níveis excessivamente baixos; compare-se, a título de exemplo, o actual salário mínimo português de 70 contos com os 100 contos da Grécia. Segundo, o modo como se está a gerir o problema dos excesso de peso da massa salarial na Administração Pública só pode exercer um efeito depressivo sobre os salários em toda a economia incluindo, no sector privado. Terceiro, a política de imigração que tem sido prosseguida reforça esta tendência, ao facilitar a entrada de pessoal que vai pressionar as esferas do mercado de trabalho com salários mais baixos e ao dificultar – em acordo com as corporações profissionais – a vinda de pessoal para o mercado de trabalho mais qualificado. Quarto, a estruturas sindicais, demasiado orientadas por objectivos estritamente políticos, continuam a ter um papel na degradação dos salários ao não conseguirem implementar estratégias eficazes de pressão para a alta dos salários; pelo contrário, seguem sobretudo orientações defensivas que têm trazido mais rigidez ao mercado de trabalho, sem qualquer contributo para o desequilíbrio das estruturas empresariais portador das reestruturações indispensáveis.
No entanto, parece que já todos entenderam que a situação da economia portuguesa não dispensa enormes sacrifícios. O problema está em saber quais sacrifícios valerão ao pena e quais ao que serão inúteis e mesmo contraproducentes.
O ambiente em que vivemos parece apontar para uma redução salarial e a manutenção a todo o custo dos níveis de desemprego anormalmente baixos. Os sacrifícios portadores de transformações de que o país precisa não são esses.
A progressiva degradação económica do país não será travada e invertida sem que, por efeito do necessário aumento dos salários e da imperiosa flexibilização das relações laborais, tenhamos que suportar um longo período de taxas de desemprego a dois dígitos.



Fonte
Apesar de haver alguns pontos com que discordo (por hoje sabermos mais do que à data em que foi escrito) concordo no essencial com o que é dito no artigo.

Não sendo de todo um relatório transcrito do MIT, tem a vantagem de conhecer a realidade nacional e de apontar os pontos chave para o desenvolvimento económico nacional.

Pena que dois anos depois continuemos na mesma...
 
Um país para ser competitivo tem de haver poder económico! Como é que um país pode ter poder financeiro se a maioria da população não o tem...:sh)
O principal problema nem é esse, mas este:

Baixa escolaridade dos patrões é obstáculo à produtividade e compatitividade
A baixa escolaridade e qualificação dos patrões portugueses "é um dos obstáculos mais importantes ao aumento da produtividade e competitividade das empresas", afirma o economista Eugénio Rosa, ligado à CGTP.

Um estudo daquele economista afirma que, "por ignorância ou medo de perder o controlo" da empresa, há empresários que impedem a introdução de "qualquer tipo de inovação".
Eugénio Rosa salienta que os donos das empresas que surgiram na última década do século XX tinham em média apenas 7,7 anos de escolaridade, segundo dados do Ministério do Trabalho.
O documento de Eugénio Rosa contesta a ligação que é feita entre produtividade e competitividade, dois conceitos que "significam coisas completamente diferentes do ponto de vista técnico" e entre estas e os salários, dizendo-se que para a produtividade e competitividade crescer é necessária "contenção salarial".
Aquele economista salienta que é possível uma empresa aumentar a competitividade sem que a sua produtividade tenha crescido, bastando apostar em marketing, numa marca de prestígio ou com melhores canais de distribuição, bem como aumentar a produtividade sem melhorar a competitividade.
Para Eugénio Rosa, "os baixos salários pagos em Portugal incentivam a baixa qualificação e baixa escolaridade e também o abandono escolar, na medida em que o emprego criado pelas empresas é, na sua maioria, de baixa escolaridade, de baixa qualificação, e mal pago".
Eugénio Rosa cita um relatório do MIT (Massachussets Institute of Technology), uma instituição universitária dos Estados Unidos que assinou um contrato com o governo português em 2006, em que os investigadores concluem que "contrariamente à convicção genérica de muitos gestores", as "soluções que dependem da diminuição dos custos, reduzindo os salários e benefícios sociais, constituem sempre becos sem saída".
O documento do MIT, que surge na sequência de entrevistas a gestores de 500 empresas internacionais, acrescenta que "as estratégias baseadas na exploração de mão-de-obra barata acabam em selvas competitivas, onde as vitórias são cada vez menores e cada dia surge um novo concorrente". E "mesmo nas indústrias de mão de obra intensiva, como o vestuário, muitos outros custos e riscos, se sobrepõem à vantagem de salários baixos", afirma o MIT, citado pelo economista.
O documento do MIT, segundo Eugénio Rosa, conclui que "as actividades que acabam por ter êxito são aquelas que assentam na aprendizagem e na inovação continua".
Aquele economista sublinha que a "análise empírica prova também, contrariamente ao discurso oficial, que os países mais competitivos da União Europeia são precisamente os que têm salários mais elevados".
Citando o ranking de competitividade do Fórum Económico Mundial, em que Portugal desceu para 34/o lugar na edição 2006/2007, Eugénio Rosa sublinha que os quatro primeiros do ranking são a Suíça, Finlândia, Suécia e Dinamarca, países que têm os salários mais elevados, surgindo a Alemanha em oitavo lugar.
Eugénio Rosa salienta que os países com melhor distribuição de rendimento na União Europeia (UE) são também os mais competitivos.
Usando dados do Departamento de Estatísticas das Comunidades Europeias (Eurostat), Eugénio Rosa salienta que em 2005 os 20 por cento mais ricos da população portuguesa tinham um rendimento 8,2 vezes superior ao dos 20 por cento mais pobres (6,4 vezes em 1999) e que Portugal é o país da União Europeia a 15 onde a desigualdade mais está a crescer.
Aquele economista afirma que a relação entre o rendimento dos 20 por cento mais ricos e dos 20 por cento mais pobres é muito mais baixa nos países da UE mais competitivos (3,6 vezes na Finlândia, 3,3 vezes na Suécia, 3,5 vezes na Dinamarca e 4,1 vezes na Alemanha), sugerindo que uma melhor repartição do rendimento em Portugal estimularia o mercado e o crescimento económico.
Agência LUSA
2007-05-13 19:20:01



Fonte
​
 
(...)
OS artigos de opinião valem o que valem!

Os factos estão ai, é so ver.

basta olhar para as tabelas e ler os dados.
Então pq é que não os vês?

agora tu preferes uma pararealidade que não tem ponta por onde se lhe pegue.

(...)
Estas um pouco confuso, os dados, as tabelas e o passar do tempo confirmam que, aquilo que o liberalismos selvagem defende para Portugal, não tem sentido e é prejudicial ao país, mas ainda assim há que insista em nos atirar para lá, para os primórdios do feudalismo.


Porque a concorrencia introduzida nas ultimas decadas não é so entre empresas
Estas a falar das gasolineiras não estas?

Sim aí a concorrência é feroz...


é tambem entre trabalhadores
Sim todos nós gostamos de oferecer a nossa força de trabalho por menos vencimento só para o vizinho do lado passar fome...


( a fabrica da VW de palmela esta em concorrenci com as restantes a ver quem faz melhor e mais barato), e os trabalhadores portugueses recusam-se a aceitar esse facto, so que a realidade vei cair-lhes em cima.

talvez daqui a 20 anos te lembres destas nossas discussoes e percebas que de facto nos limitamos a ver o evidente.

um abraço

Segundo o Eurostat, em 2006, os custos do trabalho aumentaram na UE25 2,6%, enquanto em Portugal subiram apenas 0,1%, ou seja, 26 vezes menos, o que agrava ainda mais aquela relação. Portanto, tendo em conta os níveis salariais é-se obrigado a concluir que a produtividade em Portugal é proporcionalmente superior à media comunitária.

Fonte
Não são os os trabalhadores portugueses que se recusam a aceitar a mudança, os patos bravos é que ainda não perceberam que aos níveis actuais se se continua a insistir na falsa questão da baixa produtividade, dentro de pouco tempo o descalabro será total e não é preciso 20 anos para isso acontecer....

Há quem fique satisfeito pq os que estão a sustentar isto afundam primeiro do que os patos bravos, mas isso é muito mesquinho.
 
Pe Leve venceste, pelo cansaço.

OS artigos de opinião valem o que valem!

Os factos estão ai, é so ver.

basta olhar para as tabelas e ler os dados.

agora tu preferes uma pararealidade que não tem ponta por onde se lhe pegue.

mas deixo-te um conselho de amigo, são principalmente os trabalhadores por contra de outrem que vão ficar a perder por insistirem numa realidade alternativa a propria realidade.


Porque a concorrencia introduzida nas ultimas decadas não é so entre empresas é tambem entre trabalhadores ( a fabrica da VW de palmela esta em concorrenci com as restantes a ver quem faz melhor e mais barato), e os trabalhadores portugueses recusam-se a aceitar esse facto, so que a realidade vei cair-lhes em cima.

talvez daqui a 20 anos te lembres destas nossas discussoes e percebas que de facto nos limitamos a ver o evidente.

um abraço
Meu caro amigo, eu nada quero vencer relativamente a quem pense de forma contrária à minha, mas, apenas, mostrar que estou fortemente convencido (cada vez mais) que vivemos numa Sociedade que usa a mentira de números que não existem para continuar numa senda medieval de amesquinhar quem trabalha, teimando que é na consolidação das respectivas remunerações cada vez mais baixas que reside a chave do sucesso no futuro. No sucesso apenas de quem assim pense, certamente, ou nem isso, se pensarmos de forma mais abrangente e chegarmos à conclusão de que não são os pequenos e médios empresários que, no final, vão lucrar com o caminho que estamos a seguir. A coisa desenrola-se mais acima...

Não estou a dizer-te que a tua convicção não seja forte, pelo contrário. Acredito e respeito que penses de facto que o caminho é esse que preconizas e que tanto defendes. Mas, com todo o respeito e amizade, te digo, que estás enganado, sobretudo porque partes de uma premissa que não é nem pouco mais ou menos geral e que assenta, simplesmente, no facto dos empresários não serem na generalidade como tu, que respeitas os teus colaboradores e os remuneras, conforme já referiste, com a dignidade e qualidade do trabalho que eles desenvolvem para ti.

Porém, neste país isso não anda nem próximo da regra geral e, no caso, a regra geral assume proporções quase medievais de medo de perda de poder sobre os assalariados e das margens de lucro, que sempre se querem lá em cima! O regresso ao passado nota-se em tudo o que vê e ouve, basta estar com atenção, e o medo parece estar a reinstalar-se...

Basta ver as tabelas do estudo que aqui coloquei e as conclusões a que o mesmo chega, para além do artigo que o Nthor também colocou, entre tantas outras publicações que aqui o pessoal nem analisa, limitando-se a atacar a idoneidade dos respectivos autores, dando muito má imagem da respectiva capacidade crítica de quem o faz.

Certamente tens-te apercebido dos despudorados ataques à função pública, cegos e numa cruzada que mais se assemelha a uma medieval caça às bruxas, típica de tempos ancestrais do tempo da idade das trevas! Nesses tempos apelidava-se de bruxaria tudo o que se não compreendia e temia. A chuva e os eclipses eram uma maldição dos deuses... Hoje em dia apelida-se de comunismo soviético, nazismo, ou de outra adjectivação "palavrosa" mas vazia, tudo o que sejam ideias diferentes, como também aqui, fluentemente, se tem visto!

Em matéria de Economia, Estatísticas e Sondagens há receitas para todos os gostos, umas mais sustentáveis, outras menos. Depois há as da moda, que convém ao status quo! No entanto começam, felizmente, a aparecer e a consolidar-se novas análises e estudos "contra-corrente", que falam em manipulação dos números, na fiscalidade, em políticas de investimento e de valorização salarial, que desmascaram as contas apresentadas, que aconselham a baixar impostos, falam em economia paralela, etc, etc, etc...

Basta ver, pensar sobre elas e ver se fazem sentido e reflectir sobre a integração das mesmas nos tempos que correm!...

Um abraço. [;)]
 
Mas alguém aqui acredita que é só a inércia de alguma função pública o mal de Portugal?

Muito pior que isso, na minha humilde opinião é a concorrencia paralela desleal.

Quantas pessoas voces conhecem que fazem biscates, tais como revisões, reparações automóveis, serralharia, instalação de ar condicionado, pintura, construção civil sem passar factura e sem estar colectado?

E donde vem essa necessidade?

Além disso, e posso falar pelas empresas que trabalhei e outras que conheço.

O cliente (normalmente investimento estrangeiro) recomenda a contratação de 50 pessoas por exemplo (o valor do projecto serve para contractar 50 pessoas e modernizar as infra estruturas).

O que faz a empresa nacional? Emprega 30 pessoas a trabalhar 50 horas/semana e mantém os meios rudimentares.

E não falo de 1, 2 ou 3 casos esporádicos. Claro que isto funciona quando a qualidade é garantida. E nisto os portugueses sao bons. A trabalhar 8 ou 12 horas por dia a qualidade é exemplar.

O problema é que os portugueses estao a ficar informados (net, habilitacoes literarias etc) e começam a exigir condiçoes ou passam a emigrar.

E quanto mais decadas passa isto vai piorar. Portugal vai ficar com quem nao pode emigrar.
 
Mas alguém aqui acredita que é só a inércia de alguma função pública o mal de Portugal?

Muito pior que isso, na minha humilde opinião é a concorrencia paralela desleal.
Claro que a FP não é o mal de Portugal. São apenas alguns. E vês exemplos aqui aos molhos.

Quanto ao resto, não há como ser realista. A concorrência ou economia paralela, não é um mal nem um bem. Lembra-te que Itália quando reconheceu a sua economia paralela nas suas estatísticas oficiais, ultrapassou o UK !!

Vê lá que em Espanha, a economia paralela e as sistemáticas fugas ao fisco, deixam aquele País de rastos....

O que se passa em Portugal é que os maiores inimigos do progresso e desenvolvimento são os próprios Portugueses. Não acreditas? Tenta ter um pouco de pachorra e olha para os escritos de alguns membros deste fórum. É assustador não é?

São este tipo de pessoas o mal profundo da nossa sociedade. Este País pariu depois do 25 do A uma cambada de obtusos que estão paulatinamente a mandar este País abaixo.

Mas são importantes? Não. Como extracto social situam-se bem abaixo daquilo que o País precisa, mas pelo modo como não fazem nem deixam os outros fazerem, são uns dos responsáveis pela paralizia e aparvalhamento deste País.

Um pouco como os pilotos da Soflusa. Não sei se me percebes.
 
Creio que não percebeste.

E fiquemos por aqui.

Deve ter sido do português então empregue ou talvez não[;)] no meu ver pareceu-me uma clara afirmação e como poderia ser uma informação útil limitei-me a questionar a mesma , fiquemos então por aqui como pede o membro Carlos L.
 
Claro que a FP não é o mal de Portugal. São apenas alguns. E vês exemplos aqui aos molhos.....

O que se passa em Portugal é que os maiores inimigos do progresso e desenvolvimento são os próprios Portugueses. Não acreditas? Tenta ter um pouco de pachorra e olha para os escritos de alguns membros deste fórum. É assustador não é?

São este tipo de pessoas o mal profundo da nossa sociedade. Este País pariu depois do 25 do A uma cambada de obtusos que estão paulatinamente a mandar este País abaixo.

Mas são importantes? Não. Como extracto social situam-se bem abaixo daquilo que o País precisa, mas pelo modo como não fazem nem deixam os outros fazerem, são uns dos responsáveis pela paralizia e aparvalhamento deste País.

Um pouco como os pilotos da Soflusa. Não sei se me percebes.

apr:) apr:) apr:) apr:) apr:) estás inspirado e de pé em baixo (!!!)[:D] [:D] [:D] [:D]
well post !!!
 
Mas alguém aqui acredita que é só a inércia de alguma função pública o mal de Portugal?

Muito pior que isso, na minha humilde opinião é a concorrencia paralela desleal.

Quantas pessoas voces conhecem que fazem biscates, tais como revisões, reparações automóveis, serralharia, instalação de ar condicionado, pintura, construção civil sem passar factura e sem estar colectado?

E donde vem essa necessidade?

Além disso, e posso falar pelas empresas que trabalhei e outras que conheço.

O cliente (normalmente investimento estrangeiro) recomenda a contratação de 50 pessoas por exemplo (o valor do projecto serve para contractar 50 pessoas e modernizar as infra estruturas).

O que faz a empresa nacional? Emprega 30 pessoas a trabalhar 50 horas/semana e mantém os meios rudimentares.

E não falo de 1, 2 ou 3 casos esporádicos. Claro que isto funciona quando a qualidade é garantida. E nisto os portugueses sao bons. A trabalhar 8 ou 12 horas por dia a qualidade é exemplar.

O problema é que os portugueses estao a ficar informados (net, habilitacoes literarias etc) e começam a exigir condiçoes ou passam a emigrar.

E quanto mais decadas passa isto vai piorar. Portugal vai ficar com quem nao pode emigrar.
Por isso mesmo há uma urgência muito grande em privatizar tudo e apelos desesperados para a contenção salarial, garantindo assim que a maioria tem cada vez menos acesso a melhores condições de vida.

Garantir as novas gerações menos acesso à educação e formação, pq as famílias vivem cada vez pior, é o objectivo a médio/logo prazo, um povo menos exigente e de baixa formação é de mais fácil trato, preocupa-se mais com futebois do que com os seus direitos e manipula-se melhor.

Há muitos que mesmo sendo novos já acreditam que haver ricos e pobres é a ordem natural, sintoma de que, ou tem muito a ganhar com isso ou já estão de tal maneira condicionados que aceitam esse futuro para os filhos deles, o que é bastante triste...





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Última edição:
Por isso mesmo há uma urgência muito grande em privatizar tudo e apelos desesperados para a contenção salarial, garantindo assim que a maioria tem cada vez menos acesso a melhores condições de vida.

Garantir as novas gerações menos acesso à educação e formação, pq as famílias vivem cada vez pior, é o objectivo a médio/logo prazo, um povo menos exigente e de baixa formação é de mais fácil trato, preocupa-se mais com futebois do que com os seus direitos e manipula-se melhor.

Há muitos que mesmo sendo novos já acreditam que haver ricos e pobres é a ordem natural, sintoma de que, ou tem muito a ganhar com isso ou já estão de tal maneira condicionados que aceitam esse futuro para os filhos deles, o que é bastante triste...

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De facto.

"A verdade éum bem escasso

A verdade é que muitas vezes não queremos nada com ela. Com "ela", a verdade. Perguntem a um pai que recebe as notas do filho no final do ano. Quer a verdade, que diz que o seu filho não vale mais do que um oito, e como tal deve repetir o ano, ou prefere o arredondamento burocrático, que puxe a nota lá para a zona positiva, que permita a todos ir de férias sem castigo? A resposta "Já está tudo no carro? Vamos embora!".

Perguntem a um ministro que vê a lei vetada pelo presidente da República, a tal lei que nos devia pôr todos arrumadinhos na busca da verdade. "É verdade que Cavaco Silva apontou como errados alguns dos pontos que você mais defendeu na discussão desta lei?". Não. Perante a enormidade do puxão de orelhas, ele acha que as alterações pedidas "não põem em causa a estrutura essencial do diploma". Afinal, o presidente só pede para mexerem em coisas menores como o sigilo profissional...

Mas será que queremos mesmo a verdade? Não era muito melhor acreditar que as criancinhas à volta de Sócrates estavam cheias de sorrisos, não porque iam receber 30 euros por serem figurantes, mas porque assistiam a mais um importante acto de governação? E, diga lá, vai mesmo esperar pelo fim do processo Apito Dourado para tentar perceber a verdade, ou não vai sentir-se muito mais confortável sentado no cinema, mão na pipoca, a consumir a verdade ficcional que até garante que "qualquer semelhança com personagens reais é pura coincidência"?

Quando os traficantes até já conseguem espalhar que os polícias é que são ladrões e pôr as televisões a comentar durante todo o dia o "mau momento da Judiciária", não há dúvida de que a verdade é mesmo um bem escasso. Às vezes pode ser amarga, outras vezes sensaborona, mas, digo- -vos, quem a prefere a outros pratos requintados por aí servidos tem uma digestão muito mais saudável."

Em http://jn.sapo.pt/2007/08/05/preto_no_branco/
 
De facto.

"A verdade éum bem escasso

A verdade é que muitas vezes não queremos nada com ela. Com "ela", a verdade. Perguntem a um pai que recebe as notas do filho no final do ano. Quer a verdade, que diz que o seu filho não vale mais do que um oito, e como tal deve repetir o ano, ou prefere o arredondamento burocrático, que puxe a nota lá para a zona positiva, que permita a todos ir de férias sem castigo? A resposta "Já está tudo no carro? Vamos embora!".

Perguntem a um ministro que vê a lei vetada pelo presidente da República, a tal lei que nos devia pôr todos arrumadinhos na busca da verdade. "É verdade que Cavaco Silva apontou como errados alguns dos pontos que você mais defendeu na discussão desta lei?". Não. Perante a enormidade do puxão de orelhas, ele acha que as alterações pedidas "não põem em causa a estrutura essencial do diploma". Afinal, o presidente só pede para mexerem em coisas menores como o sigilo profissional...

Mas será que queremos mesmo a verdade? Não era muito melhor acreditar que as criancinhas à volta de Sócrates estavam cheias de sorrisos, não porque iam receber 30 euros por serem figurantes, mas porque assistiam a mais um importante acto de governação? E, diga lá, vai mesmo esperar pelo fim do processo Apito Dourado para tentar perceber a verdade, ou não vai sentir-se muito mais confortável sentado no cinema, mão na pipoca, a consumir a verdade ficcional que até garante que "qualquer semelhança com personagens reais é pura coincidência"?

Quando os traficantes até já conseguem espalhar que os polícias é que são ladrões e pôr as televisões a comentar durante todo o dia o "mau momento da Judiciária", não há dúvida de que a verdade é mesmo um bem escasso. Às vezes pode ser amarga, outras vezes sensaborona, mas, digo- -vos, quem a prefere a outros pratos requintados por aí servidos tem uma digestão muito mais saudável."

Em http://jn.sapo.pt/2007/08/05/preto_no_branco/

Excelente e arejado, uma nota de leveza apr:).

Entendo tb a tua preocupação e concordo com ela, mas afinal de contas dar acesso à cultura e à educação a todos, (explicações nas matérias mais difíceis, se for caso disso para alguns) é diferente do facilitar burocrático como diz o texto ou o facilitar monetário, que o texto não refere mas que é prática comum nos colégios privados (quem paga, espera resultados).

Quem fala nos colégios privados fala noutras instituições de ensino e não só, que sabem bem que se o aluno "B" ou o aluno "V" não obtiverem bons resultados acabam por perder aquela propina e ganhar a fama de não obterem resultados, ainda que os alunos "B" e "V" sejam menos bons do que o seu estatuto social indica (academicamente falando claro) e sejam os únicos do colégio que mereciam de facto repetir o ano.

Mais tarde, na vida activa, os que foram facilitados burocraticamente nunca vão muito longe, os que foram facilitados monetariamente arrastam empresas para a falência e um país para o buraco.

[;)]
 
De facto.

"A verdade éum bem escasso

A verdade é que muitas vezes não queremos nada com ela. Com "ela", a verdade. Perguntem a um pai que recebe as notas do filho no final do ano. Quer a verdade, que diz que o seu filho não vale mais do que um oito, e como tal deve repetir o ano, ou prefere o arredondamento burocrático, que puxe a nota lá para a zona positiva, que permita a todos ir de férias sem castigo? A resposta "Já está tudo no carro? Vamos embora!".

Perguntem a um ministro que vê a lei vetada pelo presidente da República, a tal lei que nos devia pôr todos arrumadinhos na busca da verdade. "É verdade que Cavaco Silva apontou como errados alguns dos pontos que você mais defendeu na discussão desta lei?". Não. Perante a enormidade do puxão de orelhas, ele acha que as alterações pedidas "não põem em causa a estrutura essencial do diploma". Afinal, o presidente só pede para mexerem em coisas menores como o sigilo profissional...

Mas será que queremos mesmo a verdade? Não era muito melhor acreditar que as criancinhas à volta de Sócrates estavam cheias de sorrisos, não porque iam receber 30 euros por serem figurantes, mas porque assistiam a mais um importante acto de governação? E, diga lá, vai mesmo esperar pelo fim do processo Apito Dourado para tentar perceber a verdade, ou não vai sentir-se muito mais confortável sentado no cinema, mão na pipoca, a consumir a verdade ficcional que até garante que "qualquer semelhança com personagens reais é pura coincidência"?

Quando os traficantes até já conseguem espalhar que os polícias é que são ladrões e pôr as televisões a comentar durante todo o dia o "mau momento da Judiciária", não há dúvida de que a verdade é mesmo um bem escasso. Às vezes pode ser amarga, outras vezes sensaborona, mas, digo- -vos, quem a prefere a outros pratos requintados por aí servidos tem uma digestão muito mais saudável."

Em http://jn.sapo.pt/2007/08/05/preto_no_branco/
Todos pensam, muitos opinam, mas só alguns acertam. Parabéns.

De facto o 25 de Abril de 1974 pariu o bom e o mau.

O bom, aqueles que embora não tivessem vivido com consciência antes dele estiveram atentos estes anos todos, leram, informaram-se, olharam em redor, um bocadinho mais do que à volta do umbigo, e perceberam. Perceberam como era, como mudou, como evoluiu e como está a regredir!...

O mau, alguns daqueles que bateram palmas a Tomaz e a Marcelo, que denunciaram o vizinho à PIDE, que rebaixaram o seu semelhante para se sentirem melhores, ainda por aí andam e transmitiram o seu legado vil. Outros que embora não tivessem vivido antes de 1974 não sabem mas também nem perguntaram como foi, porque, simplesmente, nada mais há a saber com interesse...

Este povo viveu muito tempo amordaçado e agora não sabe viver em Liberdade. Passou 48 anos a "dormir encolhido" e agora "esticou-se" mais do que a manta que tem! Basta ver como nos endividamos para parecermos ter mais. Nasta ver a quantidade de gente que, à volta de todos nós, no dia a dia, com "mais qualquer coisinha de seu" a pensar que têm o rei na barriga e a portar-se com todo o fel que ninguém conseguiu ou tentou educar este tempo todo. Basta ver os inúmeros exemplos de alguns que ganharam algum dinheiro a "vender cascas de alho" e agora exibem o seu "premium" orgulhosamente estacionado à pato bravo, a violar as regras da vivência em Democracia e a acharem que são mais importantes e inteligentes do que os outros!...

Talvez seja o fado deste povo ter de achar que o mal é o bem e que o bem é qualquer coisa que a gente goste. Engraçado, mais um exemplo, quando no futebol um jogador sente o toque do adversário e se joga para o chão ninguém lhe chama desonesto, chamam-lhe experiente!...

Felizmente vai continuar a existir quem olhe e veja, com clareza, o que o status quo quer esconder, os resultados dos estudos sérios que demonstram a verdade não encomendada dos números.

Felizmente vai continuar a existir quem queira e continue a sonhar com um mundo melhor, mais justo e com a riqueza e a participação mais repartida entre todos, não só pelos patos bravos (devidamente colocados no lugar...), numa sociedade onde cada qual tem de seu e ganha de acordo com o seu respeitado esforço, sem temer que os multimilionários decidam, de um dia para o outro, que não é importante os filhos de quem trabalha deixarem de ter pão...
 
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