Portugália - a culpa é sempre dos trabalhadores

Se assim é, os meus parabéns à TAP, embora o despedimento de pessoas já treinadas e qualificadas, para meter pessoas não treinadas-qualificadas, apenas pela questão dos ordenados, não me parece muito correcta.

Mas isto sou eu, que tenho mau feitio.[;)]
 
Parece-me que estão a tirar conclusões precipitadas.

...

Resta-me dizer ainda que mesmo não tendo integrado alguns trabalhadores a Tap pagou do bolso a uma empresa de Recursos Humanos para tentar a reintegração destes trabalhadores no mercado de trabalho.
Mas as pessoas (muitas mesmo) não entendem que o mercado está a mudar.
 
Mas as pessoas (muitas mesmo) não entendem que o mercado está a mudar.
Para pior mas muda.

Engraçado (ou talvez não) é o mercado mudar mas as empresas ficarem na mesma, cada vez mais antiquadas e menos preparadas para enfrentar os desafios da globalidade, mas o importante é que por enquanto realizam mais lucro.
 
Quando atrás referi que o mercado de trabalho está a mudar não disse que seria para melhor.

A verdade é que hoje em dia as empresas preocupam-se com meia dúzia de pessoas em lugares chave. Leia-se chefias. E convencem-se que o resto das pessoas são substituíveis.

Infelizmente todos nós sabemos qual a causa deste tremendo erro. Salários baixos, empresas pouco competitivas, trabalho precário........

Mas em relação à Portugalia o cenário é um pouco diferente.

O mercado também baixou os valores para os trabalhadores qualificados. A Portugalia padecia de "empresa de ricos". Não que os trabalhadores tenham alguma culpa. Mas tiveram opções.

A Tap ainda não há muito tempo fez o mesmo a trabalhadores Tap e ninguém ouviu falar nisso. Viram os salários cortados para 1/3. Quem quis ficou.

Eu sinceramente, entre estar desempregado ou a ganhar mal. Prefiro ganhar mal.
 
(...)

A lei é clara, e desde que sejam legalmente ressarcidos dos seus danos.
A tal lei que precisa de ser mudada porque é muito conservadora para a actividade empresarial....


não vejo qual a surpresa, os empregos para toda a vida acabaram, e estas são as leis do mercado GLOBAL, em todo o lado...
Não é assim, isso aplica-se aos países do terceiro mundo desde sempre e agora querem aplicar essa lei tb aqui.


A fusão das duas empresas implica que funções anteriormente realizadas por equipas diferentes, agora que fazem parte da mesma equipa, tornam-se redundantes,

Há que optimizar esta redundância...ou deslocalizando os funcionários para outras áreas de trabalho da empresa, ou se as qualificações não o permitirem, dispensar os mesmos...

Ficaram os pilotos, tripulações de cabine, e alguns funcionários que directamente lidavam com a operação dos aviões...

As funções do pessoal de terra, balcões, apoio ao cliente, reservas e delegações exteriores, são agora realizadas pelo já existente pessoal da TAP...
Claro, se for esse o caso só faz sentido que se dispense as pessoas.

Pena é que o nosso mercado de trabalho esteja condicionado com um grande numero de horas diárias e isso contribua para o alto valor do desemprego.



Não é por determinada empresa ser estatal, que tem obrigação de acolher tudo e todos por questões politicas...
foi o que se passou todos estes anos com a função publica e agora vê-se o resultado dessas politicas de favoreciemento dos F.P...
Por acaso não, os funcionários públicos foram até pouco favorecidos, principalmente nos últimos 10/15 anos, a falta de vencimentos decentes, meios de trabalho modernos e adequados e a falta de pessoas deram origem ao descalabro dos serviços prestados pelo estado, mas para o cidadão comum a parte visível deste tipo de politicas reflecte-se no atendimento ao publico e na menor rapidez dos serviços.

A maioria não vê menos pessoas nem a falta de meios, mas acredita na publicidade governamental e empresarial sem fundamento, apenas por falta de informação, quem trabalha em empresas mal geridas sabe a irracionalidade de se exigir mais com cada vez menos meios.





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Para pior mas muda.
Depende da perspectiva.

Pessoas sem ambições, que se limitaram a encostar-se à mama do Estado, empresas nacionalizadas e participadas pelo Estado, empresas com contratos muito especiais com o Estado, empresas a operar em regime de exclusividade definida por esse mesmo Estado, claro que terão muito com que se preocupar.

Porque vão chegar aos 40/50/60 anos e quando forem apanhados na curva, não vão estar preparados para a mudança. E aí vai ser o desespero.

E se em vez de continuar com esta atitude de mártir suícida, fizessem algo para que a mudança lhes trouxesse benefícios, a eles e a outros, as coisas mudavam. Podem ter a certeza.

As coisas tão más, mas vão piorar.

Não mudem, não.
 
Depende da perspectiva.

Pessoas sem ambições, que se limitaram a encostar-se à mama do Estado, empresas nacionalizadas e participadas pelo Estado, empresas com contratos muito especiais com o Estado, empresas a operar em regime de exclusividade definida por esse mesmo Estado, claro que terão muito com que se preocupar.

Porque vão chegar aos 40/50/60 anos e quando forem apanhados na curva, não vão estar preparados para a mudança. E aí vai ser o desespero.

E se em vez de continuar com esta atitude de mártir suícida, fizessem algo para que a mudança lhes trouxesse benefícios, a eles e a outros, as coisas mudavam. Podem ter a certeza.

As coisas tão más, mas vão piorar.

Não mudem, não.
Mas em Portugal 99.9% das empresas vivem à conta do estado e das leis que são criadas para seu proveito, é por isso que refiro que tem de se dar mais oportunidades à criação de novas empresas, o criar de mais concorrência acabará com todas essas velhas e inadequadas maquinas de sugar dinheiro ao país.

Concordo contigo, é urgente a mudança na gestão do estado, na gestão das empresas e até na mentalidade das pessoas que se acomodam sem nunca protestarem de nada.

Essencialmente na altura de votar, votam como se os partidos políticos fossem equipas de futebol em vez de darem oportunidade a quem nunca governou e de penalizarem quem continua a governar-se e aos amigos.
 
Depende da perspectiva.

Pessoas sem ambições, que se limitaram a encostar-se à mama do Estado, empresas nacionalizadas e participadas pelo Estado, empresas com contratos muito especiais com o Estado, empresas a operar em regime de exclusividade definida por esse mesmo Estado, claro que terão muito com que se preocupar.

Porque vão chegar aos 40/50/60 anos e quando forem apanhados na curva, não vão estar preparados para a mudança. E aí vai ser o desespero.

E se em vez de continuar com esta atitude de mártir suícida, fizessem algo para que a mudança lhes trouxesse benefícios, a eles e a outros, as coisas mudavam. Podem ter a certeza.

As coisas tão más, mas vão piorar.

Não mudem, não.

Fácil de dizer,

Estas pessoas que vão ser apanhadas na curva da estrada a maior parte das vezes não teve oportunidade de provar que sabia fazer mais e melhor.

Estas mesmas pessoas vivem no limiar da pobreza não podendo investir em formação.

Estas mesmas pessoas enriquecem a cambada de mamões que anda por aí a fazer negócio à custa dos nossos impostos.

E serão estas mesmas pessoas que lhes irão chamar de preguiçosos daqui por uns anos.

O nosso umbigo é importante mas não revela a verdade!
 
Fácil de dizer,

...

O nosso umbigo é importante mas não revela a verdade!
Estás de falar de umbigos?

Eu estava a falar de pessoas.

De pessoas que se acomodaram à vida.

No Japão (como já o referi) aconteceu algo idêntico, de mudança de mentalidades.

Mas vamos a ver quem vai vencer. Aqueles que se opõem à mudança, ou a mudança.
 
Parece-me que estão a tirar conclusões precipitadas....
Estando os trabalhadores da Portugalia com salários muito acima da média. As ofertas foram inconvenientes para os trabalhadores.
Aqui não é uma questão de segurança. É uma questão de mercado. O mercado de trabalho promoveu salários baixos e agora é o que temos. As pessoas têm 2 hipóteses. Sujeitam-se ou mudam...[/quote]



a "enorme" herança socio-cultural (e "politica" ) de uma grande parte dos trabalhadores das empresas de capitais publicos, não os deixa entender isto que acabaste de dizer
 
Caro Manoel,a Portugalia tinha de ser comprada.


-só assim a TAP mantém o quase total monopolio nas rotas internas e na rota lisboa-madrid, e isso é critico para que a empresa dê lucro.

no entanto, e conhecendo os tramites do funcionamento do grupo Espirito Santo, a teoria da conspiração não é desprezivel.

cumprimentos

Faz sentido.
Mas as pessoas estão a ser cilindradas pelo capital. Faz-me prurido esta sociedade.

Cumpts
 
Faz sentido.
Mas as pessoas estão a ser cilindradas pelo capital. Faz-me prurido esta sociedade.

Cumpts
É o que temos.

Já houve várias experiências e até hoje, ao que sei, não arranjaram coisa melhor.

E mais perverso ainda é o facto de cada vez mais haver mais micro capitalistas (detentores de capital) que exigem mais lucro.

Tás a imaginar um gajo que vive do seu ordenado precário e compra umas acções da PT e chateia a Administração por causa dos dividendos.

Ou do Sr. Silva que tem uma reforma suportada por um dos múltiplos fundos de pensões, que têm que expremer ao máximo para conseguirem a liquidez suficiente para enfrentar esta tragédia do aumento da esperança de vida.

Mas como quero comprar uma tshirt barata, a fábrica textil fecha e a produção vai para a China, Brasil, ...

Chego à conclusão que os grandes culpados disto tudo ainda acabamos por sermos nós. [:cool:]
 
Continuo a achar que existe uma falta de interesse enorme no nosso know-how.

Sinceramente ainda não entendi porque têm de vir multinacionais rentabilizar o que nós temos de melhor.

A Tap que se prepare porque está na calha de alguma companhia maior de certeza.

Assim que houver lugar à privatização. Adeus Tap.
 
Isto está bonito!

Saramago profetizou que a democracia seria derrotada pelo capital. Isto é, quem manda não são os políticos mas sim os donos do dinheiro.

A Portugália é o exemplo acabado do que se afirma.

A culpa é sempre dos trabalhadores: calões, preguiçosos, improdutivos...

Entretanto o capital engorda. Engorda com esquemas e impunidade.

E engorda, irinia das ironias, à sombra de um governo de esquerda, socialista, supostamente sensível às questões socias e capaz de encontrar alternativa à economia de mercado...

A história é conhecida. Mais uns quantos para o desemprego. Flexi mas sem segurança...

Precisa-se de uma nova e profunda revolução, já que as alternativas não existem!

Áinda recentemente um relatório da ONU alertava para a preocupante invasão «plutocrática» da política...

E o grande esteio desse movimento, desse vírus anti-democrático, tem sido a clique-social-bem dos «neo-liberais», que de liberalidade (promoção do uso livre da razão...) pouco ou nada compreendem e desejam...

Razão tinha Nietzsche quando avisava: «Então vocês pensam que já viram guerras a sério?! Esperem pelas guerras motivadas pela incompreensível e desnecessária injustiça de poucos sobre muitos!»
 
É o que temos.

Já houve várias experiências e até hoje, ao que sei, não arranjaram coisa melhor.
(...)

A mentalidade é a de progredir face ao que temos como reconhecida injustiça social.

Quanto a experiências capital-pessoas há-as bem diferentes:

A dinamarca tem um PIB 3x superior ao português mas o salário mínimo dinamarquês é 5x superior ao português... No entanto os gestores portugueses são melhor pagos que os dinamarqueses!...

Estranho milagre!...

Mentalidade, dizias?!...
 
Deve ser.

Aliás, o Gestor Português é conhecido pelos seus elevados níveis de remuneração face aos seus congéneres. Até se escreveram livros sobre isso.

E assim se perpetuam os mitos...
 
Deve ser.

Aliás, o Gestor Português é conhecido pelos seus elevados níveis de remuneração face aos seus congéneres. Até se escreveram livros sobre isso.

E assim se perpetuam os mitos...

Não há lugar a dúvidas: basta ver quanto se aumentaram nos últimos 5-6 anos os ditos gestores na generalidade das empresas do PSI-20... E este assalto à carteira dos accionistas durante um período de significativa depreciação dos títulos dessas mesmas empresas!...

Os jornais económicos ainda há poucas semanas noticiavam essa «curiosa» ocorrência nacional...

E depois diz-se que o problema de mentalidade é dos trabalhadores que apesar das dificuldades das empresas se queixam dos salários miseráveis... Então se o exemplo que vem de cima é o que é, mesmo se os salários de tais responsáveis dificilmente podem ser considerados de miseráveis, o que esperar da parte restante?!...

Desgraçado país cujas «élites» empresariais demonstrem mentalidades similares!...
 
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