Tu dás uma no cravo e outra na ferradura, desculpa lá...
E com mais franqueza te digo que é raro ver-te aqui a apelar ao mérito. E quando alguém o faz, lá vens tu a recordar que há outros...
Claro que há outros. Muitos outros.
Acorda para a vida, pois o mundo está cheio de gente vencedora. [

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Pá, ó Carlos, eui acho que, umas vezes, talvez eu não me explique bem, mas, outras vezes, és tu que não percebes o que eu digo!
Sempre aqui defendi o mérito, como princípio base para a ascensão na vida, na carreira, nas ambições pessoais! Já aqui disse que na minha família apenas o "ramo" do qual descendo directamente trabalha para os outros, porque, de resto, todos são empresários e subiram a pulso, como tu, sem herdarem coisíssima nenhuma. Fizeram-se a eles próprios! Sempre dei valor a isso, mas isso nunca me "cegou" ao ponto de não valorizar, também, quem trabalha por conta de outrém, muitas vezes percorrendo caminhos de dificuldade acrescida, tantas vezes não disponível à esmagadora maioria e, desse modo, igualmente dignos de mérito, distinção e valor diferenciado!
Nunca me viste aqui defender a mediocridade. Nunca!
O que eu defendo, ao contrário daquilo que, quiçá, interpretaste, é que todos, mas mesmo todos, temos um lugar na vida activa e quase ninguém tem, ou deve ter, lugar no desemprego, na miséria, na mediocridade!
Se o "a" não serve para caixeiro viajante (por exemplo) servirá, após formação, para vendedor, para motorísta, para pedreiro, para empregado de balcão, para revisor, para agricultor, para peixeiro, para...
O que não pode acontecer, e estamos nesse caminho, é flexibilizar o desvalor humano em vez de o aproveitar, de o fazer servir-nos, enquanto colectivo, maximizando o que cada um tem para dar (e todos têm algo para dar) em favor da sociedade em que cada qual está inserido. Essa é a obrigação da sociedade, enquanto estrutura, de olhar, com a máxima atenção, para todos e pôr todos, cada qual naquilo que possa dar de produtividade, a fazer coisas que, no seu conjunto, sirvam o colectivo, realizem produtividade!
Não precisamos de desemprego, para depois pagarmos subsídios a "manhosos" que, tantas vezes, preferem ficar em casa a aceitar o trabalho "x" ou "y", certos de que todos lhes pagam para... não fazer nada, pelo número de filhos que têm, etc...
Mas, e atenção, isto não invalida, em nada, o que sempre tenho dito, sobretudo relativamente aos mais aptos! Mas os mais aptos, como tantas vezes aqui vejo esparramado por alguns (...), não são apenas os empresários que subiram a pulso (com todo o respeito que eles me merecem), nem os que almejam, mais ou menos legitimamente, a uma profissão de prestígio e/ou utilidade que a sua "desenvoltura" familiar lhes permitiu, colocando-os num ponto de partida mais alto do que muitos que tiveram, por razões várias, de partir bem mais de baixo...
Muitos dos que trabalham para os outros, funcionários públicos incluídos, fizeram percursos invejáveis e invejados (sei-o muito bem...) e , claro, não vêem com muito bons olhos outros com experiências de vida diversas, mas ignorando o seu percurso, "mandarem bitaites" sobre coisas que não sabem nem querem, ao que parece, saber, resultando uma posição opinativa relativamente confortável e actualizadamente cada vez mais aceitável pela "corrente da moda"!
Ora eu já vi muito, "corri Seca e Meca e Vales de Santarém" e venci onde milhares não lograram, e continuam a não lograr, chegar e muito me orgulho do meu percurso, de quem sou e do que consegui.
Não gosto, como tu não gostarás, e muitos do mesmo modo, é de uma certa postura de desprezo, de agonia e de rejeição de todos os do tal grupo (...), sem distinção, com juízos de valor miscelanizados e ignorantes da realidade, que, frequentemente colocam no mesmo cesto a fruta podre e a sã. Há que fazer a distinção entre o que não é igual.
Desse modo só levarei a sério, e aceitarei como críticas, as opiniões fundamentadas e valorativas que demonstrem conhecimento de causa, respeito por actividades diversas e não soem, mesmo que assim não seja, a uma certa "dorzinha" que não fica bem!
É hábito, mal quanto a mim, "apedrejar" os empresários como se eles fossem, no geral, os tais, os culpados de todos os males, quando, "se abrirmos a pestana", facilmente veremos que assim, felizmente, não é! Percebes?