Venda de terrenos do antigo Estádio das Antas ao Grupo Amorim suscita dúvidas no Tribunal Cível do Porto
O presidente do FC Porto, Pinto da Costa, garantiu hoje em tribunal que nunca participou em reuniões de negociação da venda dos terrenos do demolido Estádio das Antas ao Grupo Amorim. "Nunca participei em reunião nenhuma sobre isto", afirmou Pinto da Costa, quando confrontado com o contrato de venda de terrenos do FC Porto ao Grupo Amorim, na sequência do Plano de Pormenor das Antas (PPA), que atribuiu capacidade construtiva aos terrenos do Estádio das Antas e zona envolvente. O presidente do FC Porto foi ouvido hoje pelo Tribunal Cível do Porto na segunda sessão do julgamento de um processo movido ao clube pela família Jaime Santos, que pretende reaver pelo preço que vendeu as parcelas da Quinta do Salgueiral, com uma área total de cerca de 5.500 metros quadrados, cedidas em 1956 e 1968 ao FC Porto para instalações desportivas anexas ao Estádio das Antas. Pinto da Costa confirmou em tribunal que, após o PPA, o FC Porto vendeu os terrenos à imobiliária do Grupo Amorim por "16 milhões a 20 milhões de contos" (80 milhões a 100 milhões de euros), sublinhando que "se calhar daqui a 20 anos valerão mais do dobro". Pinto da Costa recordou que é presidente do FC Porto apenas há 25 anos, desde 23 de Abril de 1982, pelo que não teve qualquer participação na compra dos terrenos que a família Jaime Santos pretende agora reaver. O dirigente garantiu também desconhecer que os terrenos onde foi construído o Estádio das Antas, entre 1949 e 1952, tinham sido expropriados pelo clube, igualmente à família Jaime Santos. "Ignoro. Nunca ouvi falar nisso", frisou. Pinto da Costa disse, contudo, que participou em todas as assembleias-gerais do FC Porto desde os seus 18 anos, pelo que teve conhecimento de "pressões" para que o estádio que viria a substituir o Campo da Constituição fosse construído na zona das Antas e não na Fonte da Moura. Na sessão, foram ouvidas testemunhas arroladas pela acusação, mas nenhuma disse ter visto qualquer documento oficial da família Santos pedindo à Câmara do Porto para edificar nos terrenos em causa. Ao inquirir uma das testemunhas, o juiz Jorge Seabra salientou que o tribunal não tem um único documento da família pedindo autorização ao município para edificar naqueles terrenos, o que serviria de prova às "pressões" alegadas pela acusação para que os proprietários os vendessem ao FC Porto. Os presidentes do Grupo Amorim, Américo Amorim, e da Câmara do Porto, Rui Rio, apresentaram justificações, aceites pelo tribunal, para não comparecerem hoje, mas o advogado da família Santos referiu que não prescinde dos seus testemunhos, pelo que serão novamente chamados, em data a definir. O julgamento prossegue hoje à tarde com a audição de mais duas testemunhas arroladas pela acusação, os ex-presidentes da Câmara do Porto Fernando Gomes e Nuno Cardoso.