Com o carro engatado se precisares de travar tens o motor a ajudar, com ele desengatado só podes usar os travões que por acaso até têm tendência a sobreaquecer numa situação dessas para além de exigirem "mais pedal". E se precisar de motor para acelerar numa situação de emergência vai demorar mais 2 ou 3 segundos a fazê-lo e percorrer mais umas dezenas de metros. E se por acaso for com a música aos berros o carro pode ir abaixo que nem dá conta, depois quer travar e não consegue. Pode levar também a falhas na lubrificação da transmissão com os riscos que isso acarreta. Já para não falar da possibilidade da direcção bloquear. Ainda por cima, e partindo do principio que tem um carro com menos de 10 anos vai a gastar mais combustível do que se fosse com ele desembraiado.
Concordo parcialmente com a tua explicação e concordaria por completo com a afirmação que pedi para explicares se tivesses simplesmente dito: "Fazer uma descida a 100 kmh em ponto morto
pode ser perigosíssimo
e pode revelar um notável desconhecimento de como funciona um carro".
Se quiseres vir cá ao norte (que é onde a minha zona e por isso é o que eu conheço) posso-te comprovar cientificamente que,
em alguns sítios:
- mesmo num carro com menos de 10 anos (4 anos no caso do meu) a relação consumo/velocidade sai claramente beneficiada com o carro desengatado;
- o perigo de ficares sem travões é mínimo, porque a probabilidade de os usares é praticamente nula;
- embora não negue cabalmente essa possibilidade, não concebo nenhum cenário em que fosse realmente indispensável acelerar com motor;
- o carro não vai abaixo por dá cá aquela palha;
- leve a música no volume que levar (normalmente nem levo música nenhuma), sente-se perfeitamente se o carro está a trabalhar ou não e, quanto mais não seja, acho que qualquer condutor tem sempre o painel de instrumentos debaixo de olho, onde está um conta-rotações que serve para alguma coisa;
- em relação à transmissão... não faço a mínima, mas posso dizer que não conheço um único caso em que tenha havido algum problema por fazer uns qts metros de estrada em ponto morto;
- a direcção não bloqueia assim sem mais nem menos.
Apesar de tudo o que eu disse, não se pense que eu concordo que andar indiscriminadamente em ponto morto é que é bom. Simplesmente é uma excepção que, desde que devidamente usada, pode trabalhar em benefício do pagante do combustível.