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20 anos depois de Viena: «Disse ao Mlynarczyk que íamos ganhar por 2-1», recorda Madjer
[ 2007/05/25 | 14:50 ] Redacção MaisFutebolA imagem está na memória de todos e sempre que são invocados os momentos mais altos do F.C. Porto lá está o calcanhar de ouro, o gesto magnífico de Madjer que empatou o jogo com o Bayern de Munique e lançou a equipa para a conquista da Taça dos Campeões Europeus, em 87.
Vinte anos depois, Rabah Madjer, o ex-avançado de eleição, uma das figuras do clube das Antas, mantém bem vivas as memórias, bem como um português quase perfeito. Neste domingo vai estar no Estádio do Dragão para participar na homenagem do clube à equipa campeã europeia.
Não tem qualquer dificuldade em falar no dia 27 de Maio de 1987. «Foi um momento especial para todos. Foi um dos principais dias da história do F.C. Porto, a primeira Taça dos Campeões Europeus do clube e para além disso marquei um golo espectacular, de calcanhar, que ficou para a história do futebol mundial. Agora, espero que o Porto ganhe mais títulos no futuro, porque tem um grande presidente, excelentes condições para trabalhar e uma grande massa de adeptos», disse ao Maisfutebol.
Ainda hoje não sabe explicar o que o fez optar pelo toque de calcanhar. «Acho que teve a ver com a minha qualidade técnica. Tinha muitos recursos e naquela altura achei que era a única hipótese de chegar ao golo e felizmente marquei», lembra, fazendo questão em assinalar que não era só ele a brilhar, pois «existia uma equipa de grande nível, com o Sousa, o Futre, o Gomes e outros».
Madjer marcou o primeiro golo e deu o segundo a Juary, num lance igualmente espectacular. Ainda hoje há quem pense que o argelino reentrou em campo sem a autorização do árbitro belga Alexis Ponnet, algo que desmente por completo. «O jogo não parou e o árbitro fez um gesto com a mão a indicar para eu reentrar em campo. O que se passou foi que quando marquei o primeiro golo sofri uma ruptura no músculo e estive a ser assistido pelo massagista fora das quatro linhas. Quando já estava totalmente recuperado, o árbitro fez um sinal para eu entrar, eu entrei, no lado esquerdo, o Celso passou-me a bola, eu controlei, fiz um drible, cruzei a bola para o Juary e foi golo».
Histórias paralelas
Madjer também aceitou recordar alguns episódios peculiares daquele tempo, especificando um diálogo especial com Mlynarczyk. «O Josef tinha muito medo do jogo e quando chegámos a Viena, estávamos no quarto, ele disse-me assim: o Bayern é uma equipa difícil, falei com um jornalista polaco e ele disse-me que as apostas estavam muito desniveladas, 19 para 1. Então eu respondi-lhe, com a maior convicção do mundo e sem qualquer explicação: por que estás com medo Josef? Amanhã vamos ganhar 2-1. E acabámos por ganhar mesmo por 2-1. Foi uma brincadeira que deu resultado», refere, soltando uma enorme risada no final.
Famosa é, também, a história de um exemplar do Corão levado para o balneário e o pedido especial de um devoto aos colegas de profissão. «Dentro do balneário, antes de entrarmos para o jogo, disse aos jogadores que se queríamos ganhar ía ser com a ajuda de Deus. Toda a gente deu um beijo no Corão, toda a gente, e no campo Deus estava ao lado do Porto. Senti uma força sobrenatural, sem explicação», aborda, depois de reconhecer que nem sempre a sua crença lhe facilitou a vida: «Lembro-me que em Kiev, quando defrontámos o Dínamo, havia uma sopa com carne de porco e eu aí não quis comer. Eu não como isso, por isso, só quando retiraram a carne é que aceitei comer a sopa do almoço».
[ 2007/05/25 | 14:50 ] Redacção MaisFutebolA imagem está na memória de todos e sempre que são invocados os momentos mais altos do F.C. Porto lá está o calcanhar de ouro, o gesto magnífico de Madjer que empatou o jogo com o Bayern de Munique e lançou a equipa para a conquista da Taça dos Campeões Europeus, em 87.
Vinte anos depois, Rabah Madjer, o ex-avançado de eleição, uma das figuras do clube das Antas, mantém bem vivas as memórias, bem como um português quase perfeito. Neste domingo vai estar no Estádio do Dragão para participar na homenagem do clube à equipa campeã europeia.
Não tem qualquer dificuldade em falar no dia 27 de Maio de 1987. «Foi um momento especial para todos. Foi um dos principais dias da história do F.C. Porto, a primeira Taça dos Campeões Europeus do clube e para além disso marquei um golo espectacular, de calcanhar, que ficou para a história do futebol mundial. Agora, espero que o Porto ganhe mais títulos no futuro, porque tem um grande presidente, excelentes condições para trabalhar e uma grande massa de adeptos», disse ao Maisfutebol.
Ainda hoje não sabe explicar o que o fez optar pelo toque de calcanhar. «Acho que teve a ver com a minha qualidade técnica. Tinha muitos recursos e naquela altura achei que era a única hipótese de chegar ao golo e felizmente marquei», lembra, fazendo questão em assinalar que não era só ele a brilhar, pois «existia uma equipa de grande nível, com o Sousa, o Futre, o Gomes e outros».
Madjer marcou o primeiro golo e deu o segundo a Juary, num lance igualmente espectacular. Ainda hoje há quem pense que o argelino reentrou em campo sem a autorização do árbitro belga Alexis Ponnet, algo que desmente por completo. «O jogo não parou e o árbitro fez um gesto com a mão a indicar para eu reentrar em campo. O que se passou foi que quando marquei o primeiro golo sofri uma ruptura no músculo e estive a ser assistido pelo massagista fora das quatro linhas. Quando já estava totalmente recuperado, o árbitro fez um sinal para eu entrar, eu entrei, no lado esquerdo, o Celso passou-me a bola, eu controlei, fiz um drible, cruzei a bola para o Juary e foi golo».
Histórias paralelas
Madjer também aceitou recordar alguns episódios peculiares daquele tempo, especificando um diálogo especial com Mlynarczyk. «O Josef tinha muito medo do jogo e quando chegámos a Viena, estávamos no quarto, ele disse-me assim: o Bayern é uma equipa difícil, falei com um jornalista polaco e ele disse-me que as apostas estavam muito desniveladas, 19 para 1. Então eu respondi-lhe, com a maior convicção do mundo e sem qualquer explicação: por que estás com medo Josef? Amanhã vamos ganhar 2-1. E acabámos por ganhar mesmo por 2-1. Foi uma brincadeira que deu resultado», refere, soltando uma enorme risada no final.
Famosa é, também, a história de um exemplar do Corão levado para o balneário e o pedido especial de um devoto aos colegas de profissão. «Dentro do balneário, antes de entrarmos para o jogo, disse aos jogadores que se queríamos ganhar ía ser com a ajuda de Deus. Toda a gente deu um beijo no Corão, toda a gente, e no campo Deus estava ao lado do Porto. Senti uma força sobrenatural, sem explicação», aborda, depois de reconhecer que nem sempre a sua crença lhe facilitou a vida: «Lembro-me que em Kiev, quando defrontámos o Dínamo, havia uma sopa com carne de porco e eu aí não quis comer. Eu não como isso, por isso, só quando retiraram a carne é que aceitei comer a sopa do almoço».