Assunto: Acidente com Viatura
Renault Megane II
Venho com a presente carta, expor um situação muito séria que ocorreu (...) com o meu Renault Megane II, 1.5 dci, de Junho de 2003.
Passo então a explicar o sucedido. Quando a minha filha circulava com o meu automóvel em direcção ao local de trabalho, durante a viagem, com o intuito de diminuir um pouco a velocidade antes de realizar uma curva, travou. No acto, ela perdeu o controlo da viatura, que entrou em despiste e claro, sem controlo. Foi embater numa árvore que estava na berma, no outro lado da estrada, provocando danos materiais avultados. Felizmente, a minha filha não sofreu nenhuma lesão física grave, embora psicologicamente, esta situação a tenha afectado de forma considerável.
Chamado o reboque, este levou o automóvel para uma oficina, situada perto da minha moradia. Qual não foi a minha admiração e indignação, quando os mecânicos desta oficina após uma análise ao carro, me disseram que a causa provável do acidente. O disco do travão traseiro do lado direito estava partido.
Os mecânicos da referida oficina mostraram-me o disco do travão traseiro partido, voltei ao local do acidente e apenas a alguns metros de distância, próximo ao local onde o veículo se despistou, encontrava-se a restante parte do disco.
Gostaria também de partilhar convosco a forma como o problema tem sido tratado pelo Concessionário da Renault, XXXXX., situado na localidade de XXXXX, onde efectuei a compra deste automóvel, no mês de Outubro de 2004, que na altura contava com 21000 km e neste momento tem aproximadamente 68000 km.
Confrontei o sucedido com o Sr. XXX, responsável pela venda do Mégane na XXXXX. Embora o período de garantia já tenha terminado, era necessário confrontá-lo com uma situação tão grave como esta. A viatura tem apenas 68 000km.O Sr. XXX dirigiu-se à oficina onde se encontra o carro e confirmou o que os mecânicos já me tinham dito anteriormente, que a causa do acidente foi o facto do disco se ter partido e de uma parte deste ter saltado, o que fez com que as pastilhas do travão ficassem unidas uma à outra, bloqueando a roda traseira levando o carro entrar em despiste.
O Sr. XXX levou a parte do disco que se partiu para medir a sua espessura, juntamente com uma pastilha do travão de forma a tentarmos saber o que levou o disco a partir-se. Foi-me dito mais tarde pelo Sr. XXX que, nem o Concessionário Renault, XXXXX., se responsabilizava pelo sucedido, nem a Renault Portugal SA se responsabiliza, uma vez que já tinha falado com os responsáveis desta sociedade e segundo os mesmos, o disco do travão já não se encontrava dentro dos limites de segurança para circular.
Para mim, não é aceitável que um automóvel de uma marca prestigiada como é a Renault e um modelo Megane II, com 68 000 km, com menos de 4 anos e ao qual é dado um uso considerado normal, isto é a maior parte das viagens que realiza são de casa para o local de emprego cuja distância é de 10km, se parta um disco do travão! É importante salientar que este carro, enquanto se encontrava no período de garantia, realizou as suas revisões na oficina do concessionário onde foi comprado.
Embora, como é óbvio este acidente me tenha causado a mim e sobretudo à minha filha um grande incómodo, que podia ter tido consequências bem mais graves, existe ainda outra situação que, como referi no princípio desta carta gostaria de aqui expor.
Contactei várias vezes por telefone com o Sr.XXX, na tentativa de ter conhecimento da espessura/medidas do disco, na esperança de perceber o que poderia ter causado o acidente. Durante alguns dias, este senhor foi sempre evitando prestar fazer qualquer esclarecimento acerca do disco. Cansado de estar à espera de uma resposta, pedi ao Sr. XXX que me trouxesse a parte do disco partida ou eu mesmo iria buscá-la à oficina quando lhe fosse possível. Em nenhum dos casos o Sr. XXX se mostrou disponível, evitando sempre encontrar-se comigo ou dar-me a parte do disco partida. Por outro lado, este senhor mostrou sim, preocupação em me vender um outro automóvel, modelo Clio, em troca do Mégane.
Como se não bastasse este problema, constatei que não se encontra no meu automóvel o livro de garantia das revisões. Também falei com o Sr.XXX acerca desta falta, o qual me respondeu numa primeira vez que, o livro das revisões tinha com certeza que estar no automóvel. Como continuei e continuo sem saber do livro, telefonei novamente ao Sr. XXX, que me respondeu que o livro talvez estivesse na secretaria da oficina, continuando ainda a dizer que me daria o disco, mas continuava sem me dar mais nenhuma explicação.
Nada contente com a situação, como é fácil de imaginar dirigi-me no passado dia 6 de Junho ao concessionário. O Sr. XXX não se encontrava, mas falei com o Sr. XXX, responsável pelo concessionário, o qual se mostrou desconhecedor de toda a minha situação. Expliquei, então o que se passava ao Sr. XXX, o qual me respondeu que, em relação ao travão de disco, se realmente este não se encontrava dentro das medidas de segurança, poderia ser uma causa para que não houvesse nenhuma responsabilidade por parte da Renault, nem dos fabricantes do disco, já que é uma peça sem garantia, uma vez que o seu desgaste é muito variável, consoante o uso que se dá ao veículo, etc. Em relação à falta do livro das revisões, foi – me dito por este senhor que há aproximadamente dois ou três anos, deixou de ser obrigatório os carros terem o livro das revisões, até porque no caso do seu concessionário, todas as intervenções realizadas aos veículos estavam armazenadas em sistema informático, que era acessível a qualquer pessoa que a elas quisesse ter acesso. Coloquei ainda a hipótese, ao Senhor XXX, de pedir uma segunda via do livro das revisões, o qual me deu novamente a resposta de que tal já não era necessário, argumento do qual discordo completamente.
Como coincidência e dentro da oficina onde nos encontrávamos, em cima de uma mesa vi a parte do disco partido do meu carro e a pastilha do travão. Falei como Sr. XXX e trouxe comigo a parte do disco e a pastilha. No dia 8 de Junho, dirigi-me à cidade de XXX, ao Stand da Renault XXXXX, onde falei com um senhor responsável pela administração das revisões e com um mecânico, expondo-lhes toda a situação na tentativa de saber a causa do acidente. Como ainda assim, não fiquei muito esclarecido, visto ser um problema complexo e como nem o próprio mecânico tinha visto até esse dia um disco partido daquela forma, pedi-lhe que me medisse a espessura do disco, o que fez de bom grado. Ora, segundo este senhor, um disco traseiro para o Mégane II, quando se encontra novo mede 8 mm. A espessura mínima que os discos traseiros poderão ter para ainda se encontrarem dentro dos limites previstos é de 6.5 mm. O disco do meu carro que se partiu encontra-se com 7.35 mm! Portanto, dentro dos limites de espessura.
Perante toda esta situação, solicito a vossa atenção para este assunto e que seja fita uma peritagem ao veículo, uma vez que ainda não dei ordens de reparação. A minha viatura encontra-se a vossa disposição, na oficina de XXXX, cujo contacto telefónico é 2XXXX.
Manifesto também o meu Descontentamento no que se refere aos procedimentos do vosso concessionário Renault, XXXXX.
Para que os senhores possam ter uma melhor noção da situação, junto vos envio algumas fotos do disco partido e dos estragos que este acidente causou no automóvel.
Muito grato pela vossa atenção, despeço-me como os meus melhores cumprimentos,