Nthor
Banido
As citações que vou colocar abaixo, assentam neste tópico como uma luva
Aliás é curiosa, muito curiosa ( ainda não descobri o porquê )
Meus amigos:
O que acabaram de ler não é cópia de nenhum artigo do “Público”, “Diário de Notícias” ou de qualquer revista. Nem sequer é da minha autoria. Contudo, é actual. Trata-se de parte do primeiro capítulo de um livro agoraposto à venda em Portugal e, que data de 1936!
Olha estas tb
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, - reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (...)
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (...)
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e estes, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do país, e exercido ao acaso da herança, pelo primeiro que sai dum ventre, - como da roda duma lotaria.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos (...), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (...) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgando e fundindo, a-pesar-disso, pela razão que alguém deu no parlamento, - de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)
Guerra Junqueiro, in "Pátria" "
Parecem mesmo terem servido de inspiração a tão distinto professor, apesar destes serem uma constatação da maioria das pessoas só algumas as conseguem verbalizar sem serem imediatamente conotados com alguma ideologia (apesar de haver quem insista em algo irreal com intenção de confundir), pena é que ao comum cidadão não seja dado o beneficio de ser lido e entendido, dá-me ideia que as pessoas aplaudem sem saber muito bem o porquê ou sem capacidade para perceber os conceitos, mas como o homem e professor universitário.
A questão principal é:
O que é que nós, cidadãos honestos e pagadores de impostos, pretendemos fazer quanto a isso?
O problema é que a memoria deste país, relativamente ao desempenho dos políticos, é igual a de um peixe de aquário (3 segundos) e na hora de votar lá vo(l)tamos ao mesmo.