A vida, seja em que sistema for, vai muito além dos padrões de remuneração e de trabalho... O centrar da remuneração e do trabalho nesta questão é bem um sinal dos tempos, e do empobrecimento das perspectivas modernas das massas sobre a vida e a sua exploração. As sociedades aprisionadas na jaula do trabalho intensivo como objectivo primeiro (meio que se perverteu em objectivo...), perderam o sentido da vida liberta, da vida natural: sociedades doentes, como se observa pela gestão real que executam sobre os seus recursos vitais.
E as remunerações, no capitalismo, são tudo menos JUSTAS. No capitalismo premeia-se o valor da utilidade para produzir lucro e não a utilidade em si mesma. Se a utilidade para produzir lucro exigir a via do crime, da fraude, da ausência de esrúpulos e o defraudar de muitos, o sistema capitalista não hesita em premiar chorudamente quem consiga passar por tal labirinto sem deixar qua as suas altas instâncias sejam expostas no processo e assunção da fraude.
Nem falo da fraude colossal estabelecida entre o moderno conceito de trabalho e o horizonte de progresso...
No capitalismo os trabalhadores são relegados a uma dimensão infra-moral que, como demonstrou Richard Sennet, lhes corrompe gradual e inexoravelmente o carácter. A nova cultura do capitalismo ultra-liberal acentua ainda mais essa «doença social».