" Assalto " ao Controlo dos Media ?

Excalibur

Banido
Joaquim Pina Moura Nomeado para Presidente da Media Capital onde se insere a TVI.

Será ou não uma forma tentar ter influencia nos Media, atendendo ao seu passado politico ?


A PRISA, Pina Moura e um processo claro

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Toda a gente sabe que a PRISA é um grupo espanhol de comunicação social que cresceu à sombra dos interesses do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Tornou-se o maior da Península Ibérica e está presente em 22 países, tendo uma presença fortíssima na América Latina.

Jesús de Polanco Gutiérrez (presidente do grupo e uma das 250 pessoas mais ricas do mundo) e Juan Luis Cebrián (conselheiro-delegado e primeiro director do El País) são dois homens da lógica socialista.

A polémica que se abre agora em Portugal sobre a ligação deste grupo ao poder socialista já é velha em Espanha. O El País, eixo central de toda a estratégia, nasceu para afirmar os interesses desta área política e ideológica sobre o ABC, da direita tradicional espanhola, e foi por isso que anos mais tarde o Partido Popular (PP) espanhol apadrinhou o aparecimento do El Mundo.

É evidente que não foi por acaso que a recente entrada deste grupo em Portugal resultou da conjugação eleitoral que colocou no poder Zapatero e Sócrates. O nosso primeiro-ministro conhece os dois homens fortes da PRISA.

Chegados a este ponto, e depois da impressiva entrevista concedida por Pina Moura ao Expresso de ontem, resta-nos concluir que a nomeação de Pina Moura é, neste contexto, transparente e tem a lógica do mercado. Um grupo de comunicação social socialista entra num país amigo, com a bênção de mão amiga, e nomeia para um cargo de confiança um amigo dos seus amigos num momento particularmente delicado. Além do mais, Pina Moura é há muito um homem de confiança dos interesses espanhóis no nosso país.

José Eduardo Moniz só tem de estar preparado porque aqui não há nada escondido.

Pelo contrário: como poucas vezes, tudo é muito claro.

Diário de referência
ERC rejeita pronunciar-se sobre nomeação de Pina Moura

Filipe Pacheco
26 de Abril de 2007

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) rejeitou pronunciar-se sobre a nomeação de Joaquim Pina Moura para presidente do conselho de administração da Media Capital, alegando tratar-se de uma matéria que está fora do seu âmbito de intervenção.

Assim, a Entidade adianta que é sobre “os projectos empresariais a desenvolver por empresas privadas no sector de comunicação social” e “não sobre os protagonistas que lhe dão suporte”, que deve recair a sua acção.

E conclui que a “ERC, através da sua actividade de monitorização sistemática do conteúdo dos elementos de programação, já avalia as exigências relativas ao rigor informativo, independência e contribuição para o pluralismo, bem como o conjunto de obrigações a que estão sujeitos os operadores de rádio e televisão”.

Recorde-se que, em função desta nomeação, Pina Moura renunciou aos cargos públicos de que era titular, mantendo-se, contudo, como presidente da Iberdrola Portugal.

Fonte: Meios & Publicidade
 
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Sinais do Futuro

Sinais do Futuro

Um artigo de Opinião interessante

Sinais do Futuro
Pina Moura e os socialistas desastrados

Quantos grupos de Comunicação Social podem garantir saúde financeira sem o apoio do Governo ou dos seus longos braços?

O PSD já manifestou reservas perante o avanço de dois destacados socialistas para a administração da Media Capital. É uma medida cautelar do maior partido da oposição face ao crescente perigo de governamentalização de órgãos de comunicação formalmente privados.

Desde Belém, como vê Cavaco Silva estas danças? Ele que, enquanto primeiro-ministro, abriu mão de jornais estatizados e lançou os privados no mercado de televisão.

De matriz social-democrata nas políticas financeiras, liberal nos costumes, o PS português nunca acertou o passo com um dos princípios mais profundos das democracias: a Liberdade de Imprensa. Qualquer governo tem a vertigem de tentar exercer controlo sobre os media, mas os governos socialistas têm batido toda a concorrência na forma sempre ávida e desastrada como o fazem.

Os próximos tempos se encarregarão de confirmar ou desmentir se as nomeações de Pina Moura e José Lemos são de facto mais uma “tentativa de controlo político” da Comunicação Social, como acusa Marques Mendes. Porém, o controlo não se faz apenas de forma directa. Quantos grupos de Comunicação Social em Portugal podem hoje garantir saúde financeira sem o apoio do Governo ou dos seus longos braços que vão da PT à CGD? Muito poucos.

Diário de referência
 
O Pina Moua era do PC, será que é uma manobra do PC para subir ao governo?



Eu voto nesta opção

o PC vai tomar conta da TVI

E para substituir a manuela moura guedes nada mais nada menos que Odete Santos[:)] [:)]


Porque é que acham que ela saiu do parlamento[:p]


A ver se não lhe cai a placa no Jornal Nacional [:)] [:)]

cumprimentos
 
A opinião de um moscãoteiro ( João Miguel Tavares - jornalista ) [:p]

Receita tipicamente portuguesa: agarra-se num molho de amigalhaços que contribuíram para a chegada do partido ao poder, escolhem-se os mais viçosos e polvilha-se com eles os conselhos de administração das empresas públicas. Serve-se a frio, custa a engolir, mas pelo menos estamos habituados ao sabor. Ao que não estamos habituados é a esta variante espanhola da receita, que até já dispensa os tachos públicos para compor o refugado, tal é a vontade de favorecer quem manda na cozinha. Quando são as empresas privadas, de livre e espontânea vontade, a entregar os seus jobs aos boys dos outros, algo está podre no reino de Portugal.

A escolha de Pina Moura para presidir à Media Capital, a convite da Prisa, é uma das mais preocupantes notícias dos últimos tempos. Ao pé disto, a telenovela em redor da licenciatura de José Sócrates é apenas programação infantil. O ex-ministro do defunto Governo do pio Guterres, conhecido como o "cardeal" pela forma como se movia nos corredores do poder, e que pouco depois de ter saído do Executivo saltou para a liderança de uma das empresas que mais favoreceu enquanto governante - a espanhola Iberdrola -, vai agora tomar conta da televisão mais vista do País. Tenham medo. Muito medo.

Porque uma coisa é ser cardeal de corredores. Outra é ter à sua disposição uma igreja para pregar, frequentada por milhões - sobretudo quando a missa que nos quer oferecer não interessa nem ao menino Jesus. E é tal o seu desplante que até foi para o Expresso admitir que "o convite tem um pressuposto ideológico". Já se desconfiava, pois não são conhecidas a Pina Moura competências técnicas para gerir uma empresa de media. Aliás, como ele próprio admitiu, mal conhece o canal que se prepara para liderar.

Poder-se-ia supor - hipótese académica colocada pela mais ingénua das almas - que a nomeação de Pina Moura se devia à sua finíssima inteligência. Mas até nisso a entrevista ao Expresso é mortal: ninguém razoavelmente inteligente admitiria a existência de um "pressuposto ideológico", coisa honesta mas muito burra. Quando se fala em "pressuposto ideológico" - ou seja, na escolha de um homem do PS para liderar a TVI -, das duas uma: ou a Prisa quer levar o mais belo socialismo para a estação, distribuindo os lucros pelos trabalhadores e nunca mais explorando os estagiários; ou então quer doutrinar a redacção sobre as maravilhas do Governo socialista. E eu aposto que a exploração dos estagiários vai continuar.

Amiguinho da Prisa e da Iberdrola, amado por Sócrates e pelos espanhóis, Pina Moura quer armar-se no nosso novo Miguel de Vasconcelos. Tal como o outro, defenestrá-lo seria fazer um enorme serviço à pátria.
 
Estas conspirações nacionais são lindas.

A TVI é uma empresa privada de comunicação pode ter à frente quem quiser.

O Francisco Pinto Balsemão tb não foi Primeiro Ministro em dois governos pelo PSD e é dono no Expresso e administrador da SIC?

Daqui a pouco pensam que estão num episódio dos X-Files em que não se pode confiar em ng.
 
Ora, então por cada administrador de uma empresa nacional que seja afecto a um partido que está no governo temos uma empresa gerida de acordo com os interesses do governo.... bela conclusão !!!

Então quer dizer que o Pina Moura quando foi administrador da Iberdrola, era porque o Governo Português queria minar o sector energétic espanhol... só pode !
 
Estas conspirações nacionais são lindas.

A TVI é uma empresa privada de comunicação pode ter à frente quem quiser.

O Francisco Pinto Balsemão tb não foi Primeiro Ministro em dois governos pelo PSD e é dono no Expresso e administrador da SIC?

Daqui a pouco pensam que estão num episódio dos X-Files em que não se pode confiar em ng.


Alem disso o Publico é da sonae e esta a persseguir o governos por causa do falhanço da OPA á pt.
como é evidente.[:)][:)][:)][:)][:)]
 
OK

Aí vão mais uma teorias da conspiração: [:D]

“Creo que la vinculación del grupo PRISA, llamado vulgarmente "imperio de Polanco" (periódico El País, la cadena de radio SER, etc.), con la masonería es ya un secreto a voces. Para disipar cualquier duda residual más de un masón me ha confirmado esa vinculación de El País precisamente con la masonería irregular, la más anticristiana y tradicionalmente militante contra la Iglesia católica.”

http://www.fluvium.org/textos/cultura/cul80.htm

Será muito difícil compreender a influência da Maçonaria nos destinos de Portugal, da Espanha, da França, do Reino Unido da UE e do mundo Ocidental?

É complicado fazer uma associação lógica entre a Internacional Socialista e os partidos de Esquerda moderada e a Maçonaria?

Qual é o espanto de “eles” quererem controlar os media? Não são os media o Quarto Poder?

Meus caros isto ando tudo à volta do mesmo desde o século III ou IV da nossa era... as guerras do poder entre a Igreja e os Liberais...

Sempre podemos pensar que são apenas negócios sem quaisquer lobbies por trás – com ou sem avental!

Pesquisem os nomes de maçons, de movimentos históricos iniciados por eles, comecem a ver as ligações entre este grupo e o capital, o ensino, a comunicação social... pesquisem sobre a Opus Dei e descubram como a mesma moeda tem duas faces!
 
A opinião de um moscãoteiro ( João Miguel Tavares - jornalista ) [:p]


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Porque uma coisa é ser cardeal de corredores. Outra é ter à sua disposição uma igreja para pregar, frequentada por milhões - sobretudo quando a missa que nos quer oferecer não interessa nem ao menino Jesus. E é tal o seu desplante que até foi para o Expresso admitir que "o convite tem um pressuposto ideológico". Já se desconfiava, pois não são conhecidas a Pina Moura competências técnicas para gerir uma empresa de media. Aliás, como ele próprio admitiu, mal conhece o canal que se prepara para liderar.

Poder-se-ia supor - hipótese académica colocada pela mais ingénua das almas - que a nomeação de Pina Moura se devia à sua finíssima inteligência. Mas até nisso a entrevista ao Expresso é mortal: ninguém razoavelmente inteligente admitiria a existência de um "pressuposto ideológico", coisa honesta mas muito burra. Quando se fala em "pressuposto ideológico" - ou seja, na escolha de um homem do PS para liderar a TVI -, das duas uma: ou a Prisa quer levar o mais belo socialismo para a estação, distribuindo os lucros pelos trabalhadores e nunca mais explorando os estagiários; ou então quer doutrinar a redacção sobre as maravilhas do Governo socialista. E eu aposto que a exploração dos estagiários vai continuar.

Para que se entenda o artigo de opinião do Dartacão [:D], temos de ver a entrevista concedida ao expresso.

Pina Moura ao Expresso
“A TVI tem finalmente um cardeal laico, republicano e socialista”
Christiana Martins e Nuno Saraiva

Na sua última entrevista política, o ex-ministro das Finanças e Economia de António Guterres não deixa margens para dúvidas: Joaquim Pina Moura defende um projecto ibérico para Portugal e reconhece que continuará a fazer política, agora na comunicação social.

Porque é que aceitou o convite da PRISA?
A PRISA é um grande grupo independente e multinacional de comunicação, entretenimento, divulgação e expansão cultural no espaço da Península Ibérica onde Portugal se insere, mas também na América Latina, onde o Brasil se insere. E, portanto, esta dimensão multinacional, de base ibérica, com projecção de qualidade independente nos domínios da informação, comunicação, lazer e entretenimento por parte de um grupo empresarial como a PRISA é algo que me faz sentido.

Independente é uma força de expressão porque a PRISA é assumidamente um grupo próximo do PSOE, o Partido Socialista espanhol.
Não é uma força de expressão. A PRISA é um grande grupo cotado e que cumpre as regras do mercado. Agora, tem a sua orientação editorial…

E ideológica.

Sim, tal como os outros grupos de comunicação espanhóis têm. Nesse aspecto, e não é que conheça muito bem e em detalhe para poder comparar o panorama entre Portugal e Espanha, devo reconhecer e sublinhar que mais vale as orientações editoriais se assumirem tal como são. E, insisto, do que conheço, a PRISA é um grupo independente, porque não depende de nenhum partido, nenhum poder político mas dos seus accionistas. Mais vale sempre assumir-se com toda a transparência aquilo que se é e a abordagem que se tem, do que por baixo de uma capa de falsa independência e de falsa objectividade, fazer-se política disfarçada todos os dias.

Se em vez de ser a PRISA a operar em Portugal, fosse a empresa proprietária do El Mundo que lhe fizesse um convite idêntico, aceitava?

Não. Porque, das pessoas que conheço - e conheço os principais executivos e accionistas da PRISA - partilho com eles, de muitas conversas que temos tido há muito tempo e ao longo dos anos, uma visão sobre o que é e o que deve ser, no quadro da economia global e da construção europeia, o que é e o que deve ser o aprofundamento das relações, em todos os domínios e nomeadamente no domínio cultural, entre Portugal e Espanha. Sei que esse é um tema recorrente, em termos políticos, quando se trata de assumir por inteiro o nosso projecto europeu comum. Mas um tema que nesse domínio vejo muito pouco abordado, muito pouco reflectido e muito pouco comentado é esta questão: a profunda alteração que as relações bilaterais entre Portugal e Espanha, em todos os domínios - político, económico e comunicacional -, sofreram depois da nossa comum e feliz entrada na CEE e na UE. Portugal e Espanha eram países que sendo vizinhos, tendo tido ao longo de muitas décadas duas ditaduras de matriz fascista na Península Ibérica, apesar desses factores de proximidade geográfica e apesar desses factores também de proximidade política entre os poderes políticos dos dois países numa certa fase da história, viviam de costas voltadas. Nomeadamente no plano económico. Portugal e a Espanha, antes da democracia ter triunfado nos dois países e antes da comum e feliz adesão à CEE, eram do ponto de vista económico e das relações económicas uma situação atípica e até anormal entre dois países diferentes. Hoje a realidade é diferente. Portugal e Espanha, além de estarmos a partilhar e a construir em comum o nosso destino europeu, também do ponto de vista económico são dois países que têm aprofundado e entrelaçado as relações, não só a nível político, não só a nível de topo, mas no dia-a-dia das empresas e das universidades. Por exemplo, as relações crescentes de intercâmbio e de partenariado que há entre a Universidade de Coimbra e a Universidade de Salamanca, e muitas outras instituições. Não é por acaso que Portugal é hoje o principal fornecedor e principal cliente da economia espanhola. Assim como não é por acaso que, sendo embora muito conhecido, o papel das relações económicas entre a Espanha e todos os países da América Latina, também não é por acaso, apesar de ser pouco conhecido, que já há vários anos a Espanha exporta mais para Portugal do que para toda a América Latina. Indo à sua questão, evidentemente que a aceitação deste convite, que é muito honroso para mim, reflecte essa partilha de visão que sinto, não tanto pela leitura do El País ou de outros órgãos de comunicação social onde a PRISA tem a posição que se conhece em Espanha, mas pelo conhecimento pessoal que tenho, muito fraterno e muito amigo com Juan Luis Cebrian, com Manuel Polanco, com Jesus Polanco, com Ignácio Santillana, que tive a oportunidade e o prazer de ao longo dos últimos anos conhecer. E conhecer principalmente o que pensam e a visão que têm. E essa visão e esse pensamento se exprime também na sua actividade.

Em síntese, este convite surge dessa amizade mas tem também uma componente ideológica?

Creio que o convite também tem essa motivação e não tenho dúvidas, porque essa é a parte que me toca, da minha parte a sua aceitação tem, entre outros, esse pressuposto.

É um convite de um projecto empresarial que tem um objectivo político?

Não há nenhum projecto empresarial que não tenha objectivos políticos, nomeadamente no domínio da comunicação social. Aliás, percebo de alguns comentários que vejo na imprensa, que se quer atribuir um grande significado político ao facto, conforme foi escrito, de dois socialistas entrarem na administração da TVI, ou da Media Capital, e não se repare no óbvio. Por exemplo, o grupo a que o Expresso pertence é, e muito bem, presidido por um ex-primeiro-ministro, um dos fundadores do PSD, uma pessoa muito respeitável como é Francisco Pinto Balsemão, mas que tem essa qualificação política que só o honra e é também o presidente executivo do vosso grupo e também o seu principal accionista de referência. Portanto, não se queira atribuir uma espécie de "captius deminutius" a quem, avaliado pelo mercado e testado pelo mercado, é convidado para o exercício de funções profissionais sem qualquer objectivo partidário, mas assumindo de direito e de facto a sua condição de cidadão, incluindo a dimensão política da sua actividade, que no meu caso se prolongou durante 37 anos.

Numa altura em que muito se fala sobre a tentativa de controlo dos media por parte do PS, este convite e a sua aceitação não são mais um argumento a favor dessa tese?

Essa não só é uma questão recorrente como é, na minha opinião, uma das maiores fantasias da vida política e comunicacional portuguesa nas últimas semanas. É absolutamente inacreditável ou incredível, sabendo-se como se sabe a forma como o primeiro-ministro de Portugal tem sido qualificado e atacado pessoalmente na apreciação do dossiê que se conhece e que eu não quero comentar, que se diga que há um projecto ou que se diga que o PS domina os órgãos de comunicação social em Portugal. Não é nem será esse o caso. O PS é, por matriz ideológica e por "track record" da sua actividade enquanto agente político importante em Portugal, e sempre foi um defensor da liberdade de imprensa. Agora, ninguém pode nem ninguém deve estranhar que membros do PS, ou de pensamento político e ideológico à esquerda, por mérito profissional que lhes é reconhecido pelo mercado, não estamos a falar de nenhum decreto de lei nem de nenhuma ordem ministerial, as pessoas têm que se habituar, nomeadamente as pessoas que estranham que isso aconteça, que o mérito profissional não tem cor política. E, principalmente, não é uma espécie de direito divino adquirido por alguém ou por alguns por nascerem em determinados berços. Essa é uma visão do passado. É a visão de uma sociedade dominada e estratificada por castas que já não corresponde, e ainda bem, ao Portugal moderno em que vivemos.

Mas se é tudo tão simples assim, porque é que sentiu necessidade de se desvincular dos cargos políticos que desempenhava? Teve medo das críticas?

Como sabem, por exemplo em relação a outra actividade de gestão que tenho numa empresa de energia, nunca considerei, e essa foi a minha avaliação, que houvesse uma situação de incompatibilidade, nem legal nem operacional, em relação, ao exercício dessa actividade. Evidentemente que pertencer a um grupo, ser presidente do Conselho de Administração de um grupo de comunicação social que tem a dimensão da Media Capital, estar por via da estrutura accionista dessa empresa de alguma forma ligado e em cooperação com um dos maiores grupos de comunicação que existe à escala internacional, porque é isto que é a PRISA. Não é como por vezes se vê por aí caricaturado, uma empresa espanhola. É uma empresa multinacional, como a Iberdrola é uma empresa multinacional. Nasceram em Espanha, foi aí que se afirmaram e que se desenvolveram, mas têm uma visão e um projecto que é um projecto multinacional que procura valorizar e projectar a força da língua portuguesa no Brasil e a força da língua castelhana nos outros países da América Latina. Indo à sua questão. Difere a intensidade e a continuidade de fronteiras entre a actividade de comunicação e a actividade de apreciação política. Costuma-se dizer que política é tudo, comunicação também é tudo, e a intercepção destes dois tudo me levam a essa opção, que julgo ser correcta, necessária e transparente.

Na altura em que o ex-deputado do PSD Gonçalo Reis transitou directamente da Assembleia da República para a administração da RTP, o PS criticou fortemente esta opção do governo do então primeiro-ministro Durão Barroso. Nesta altura, o PS não tinha razão, como agora na situação que está a protagonizar, não se coloca uma questão de promiscuidade entre a política e a comunicação social?

É preciso não confundir duas coisas: uma grupo de comunicação social 100% privado de um grupo em que o accionista é o Estado. Aí naturalmente que a opção poderá ter e acredito que tenha tido como base as qualificações profissionais do Dr. Gonçalo Reis para o exercício das funções mas que pudesse trazer associado, como poderá acontecer em eventuais nomeações futuras que o Governo do PS possa indicar para a RTP, uma vez que o Conselho de Administração actual da RTP se mantém, e bem porque está a cumprir bem o seu mandato, continua a ser o mesmo que foi nomeado pelo Governo Durão Barroso. Mas a diferença essencial é que estou a ser convidado e aceitei o convite de uma empresa privada, multinacional e cotada. E aí cabe a mim e só a mim esta decisão e, como tive a oportunidade de dizer há uns meses atrás, e agora ainda com mais propriedade porque estou a sair da vida política, eu sou dono da minha vida. As minhas opções sou eu que tomo e não reconheço a ninguém nem aos jornalistas uma espécie de superioridade moral que lhes dê direito a fazer apreciações ético-morais sobre o comportamento de quem quer que seja. A ética numa relação que tenho com a política e com os cargos políticos que exerci é a ética da lei. Esta é que é a ética republicana. A alternativa de a ética da vida política ser discricionária, que qualquer um formula ao seu bel-prazer, esta tem sido sempre uma espécie de antecâmara do totalitarismo.

Quem precisa mais de uma matriz ideológica semelhante: um grupo público que tem diálogo directo com o seu accionista ou um grupo privado com um projecto empresarial que precisa ter diálogo com o governo?

Não tenho dúvidas, porque vivemos numa economia de mercado, que uma entidade privada, sobretudo cotada, com um conjunto estrito de regras a cumprir. Não quero fazer esta comparação. Não quero opinar sobre a resposta a esta situação por parte do accionista do Estado, mas acho normal que a diferente composição das maiorias políticas tenha repercussão nas políticas de comunicação que sejam seguidas. No que respeita, por exemplo, ao modelo de reestruturação da RTP/RDP, as medidas lançadas pelo Dr. Morais Sarmento tiveram êxito. E por isso o actual Governo, e quanto a mim bem, tem mantido e garantido ao Conselho de Administração, o caminho que então foi traçado. Mas isso, não é da minha conta.

Veria com normalidade a continuação da actual administração da RTP?

Essa é uma matéria que não respondo, até porque configuraria um pequeno pecadilho de conflito de interesses, na medida em que vou ser presidente não executivo da Media Capital, comentar a administração de outros grupos num sector onde vão estar. Mas, como cidadão, posso dizer que vejo que aquela reorientação empresarial da RTP/RDP e os seus resultados teve sentido para resolver um problema crónico. Sobre o conteúdo da informação da RTP, da TVI ou da SIC não quero ou penso me pronunciar sequer uma vez.


Semanário de Referência
Continua...
 
Conclusão

Qual vai ser o seu papel na Media Capital? Vai promover o entendimento entre os accionistas ou vai fazer lobby do projecto empresarial do grupo em causa? De maneira muito crua: vai estar lá para falar sobre os objectivos da Media Capital com o Governo ou vai falar dos objectivos do PS com a Media Capital?
A primeira parte da pergunta não tem resposta para já: seria completamente estulto da minha parte falar da minha função antes de ser eleito para o Conselho de Administração, o que deverá acontecer na Assembleia-Geral de 3 de Maio. Será o conselho que deverá eleger o presidente não executivo e a Prisa, como accionista maioritário já confirmou que vai indicar o meu nome para esta função e também o CEO que deverá continuar a ser o Dr. Manuel Polanco. O que eu jamais serei, e esta é uma questão claríssima, é o porta-voz junto da Media Capital ou da Prisa das posições do PS. O PS tem os seus órgãos e, quando queira abordar estes temas ou outros quaisquer, e quem diz PS diz o PSD, o PCP, o CDS, o Bloco de Esquerda, terá os seus canais.

Não será, portanto, o homem do PS na Prisa/Media Capital?

Não eu sou o homem de mim próprio e mais coisa nenhuma. Poder-se querer projectar para a opinião pública a ideia de que esta é uma nomeação política ou partidária é tão mistificador quanto alguém dizer que o Dr. Francisco Pinto Balsemão, ex-primeiro-ministro, fundador do PSD, presidente executivo da Impresa de que é accionista maioritário, possa ser ou tenha sido em qualquer altura, o porta-voz do PSD junto deste importante grupo comunicacional. O que não pode é haver dois pesos e duas medidas. E na nossa sociedade, onde este é um tópico de modernidade que não foi ainda concretizado, há muito a tentação de haver dois pesos e duas medidas. Se fosse assim, seríamos membros de uma economia de mercado em alguns momentos e de uma economia paroquial em outros. As pessoas têm de se habituar e os jornalistas também a ver como se está a tratar determinada situação.

Não existe então neste caso nenhum tipo de promiscuidade entre a política e a comunicação social?

Tanta quanto existe ou poderia existir noutros casos.

Nem com esta mudança directamente da Assembleia da República para a empresa?

Cada um tem o percurso de vida que tem. É um facto de que me orgulho que venho para a actividade empresarial a partir da política. Tem havido, era bom que houvesse mais, pessoas que fizeram e bem da sua actividade empresarial o seu primeiro palco de afirmação das suas qualidades para a política. Esta mobilidade enriquece a política e é, pelos vistos, validada pelo mercado na medida em que empresas cotadas entendem que o contributo de políticos ou ex-políticos lhes pode ser útil pelas experiências que têm e capacidades que revelam.

Não é coincidência a mais que os dois grupos, que fizeram a si os convites para passar directamente da política para a vida empresarial, tenham base accionista espanhola? Não se sente, como há quem diga, o homem dos espanhóis em Portugal?

Não me sinto o homem dos espanhóis em Portugal, mas como já clarifiquei porque este epíteto tem obviamente uma avaliação pejorativa do meu posicionamento político e pessoal em relação a Portugal, quero dizer que rejeito absolutamente qualquer insinuação que esteja subjacente a esta afirmação. E o meu patriotismo não tem de pedir meças a nenhum emissores visíveis ou clandestinos deste tipo de mensagens.

É, portanto, coincidência a sua escolha?

Claro que é. No que respeita à Prisa mais em particular não é sobre o papel de Portugal e da Espanha no mundo moderno e na EU na sua projecção da América Latina tenho opiniões favoráveis à uma maior interacção entre Portugal e a Espanha, mantendo sempre a identidade nacional de cada país e a expressão de cada identidade nacional. Não quero ser sobre isto equívoco e gostava que os emissores destas pequenas calúnias sobre o meu patriotismo discutissem a questão de fundo no plano dos princípios e que explicassem sobre se mudou a natureza da relação e dos interesses estratégicos entre Portugal e Espanha a partir do momento em que abatemos fronteiras físicas e económicas e em que integrámos na EU de cerca de 450 milhões de cidadãos, se Portugal e Espanha têm interesse, ou não, de constituírem um bloco político de afirmação no seio da EU. Se nos interessa, ou não, ter um papel liderante, em relação aos maiores países da EU, nas relações entre a EU e a América Latina. Ou se nos interessa mais este papel a outrem, quer seja dentro da Europa ou do outro lado do Atlântico. Esta é que é a discussão. Pequenas e médias intrigas, deve ser porque estou a ficar velho, já não tenho mais paciência.

Os seus detractores dizem que esta sua nomeação vai constituir uma espécie de estágio para a sua nomeação como presidente da RTP.
Como responde a isto?

Esta ainda não tinha ouvido e, confesso que não tenho rapidez de raciocínio suficiente para comentar este tipo de intriga. Talvez prever que sofra uma espécie de IVI, ou seja, interrupção voluntária da intriga.

Foi um dos mais empenhados apoiantes do actual secretário-geral do PS, quer na campanha interna do PS, quer na campanha eleitoral que o conduziu ao cargo de primeiro-ministro, não receia que o seu abandono da vida política nesta precisa altura possa ser confundida com uma quebra de solidariedade?

Não receio isso de quem é o mais importante nesta questão, que é o Engenheiro Sócrates, que sabe perfeitamente que o meu apoio a ele, político e pessoal, nas horas boas e más, foi, é e será sempre o mesmo. Aliás quero sublinhar que se há característica que eu muito bem conhecia e que está a ter ao longo destas semanas muito difíceis, é a enorme dimensão da sua força moral. Porque um homem, mesmo sendo primeiro-ministro, aguentar tudo o que tem aguentado ao longo das últimas três semanas mantendo com dignidade as suas posições e exercendo em plenitude as suas funções, acrescentam às boas características do Engenheiro Sócrates uma que, como digo, para mim não é estranha mas podia ser menos nítida para a opinião pública, que é a sua enorme força moral.

Fez bem em ter estado calado tanto tempo?

A única coisa que queria dizer era isto e não penso dedicar-me à discussão deste tema.

Falou com ele sobre esta decisão?

Comuniquei-lhe a minha decisão.

Como reagiu?

Não sou porta-voz do Engenheiro Sócrates, ainda mais sendo ele o primeiro-ministro. Só digo o que fiz, não quero revelar o que ele disse ou pensa sobre esta matéria. Seria megalomania da minha parte pretender publicitar o que o primeiro-ministro de Portugal pensa. Sobre este convite, conversei com um número muito restrito de pessoas, amigos políticos e pessoais, e com a minha família.

Falou com o Engenheiro Guterres?

Não, não falei. Ainda não tive oportunidade sequer de lhe dar esta informação, mas fá-lo-ei a curto prazo, como fiz quando entrei para a Iberdrola.

Receia que este ataque ao Engenheiro Sócrates possa por em causa o rumo fixado por este Governo?

Não é fácil sermos atacados como vermos a nossa família ser atacada por nós sermos quem somos na vida política. Eu tive, numa escala menor, esta experiência enquanto estive no Governo e isso é muito difícil do ponto de vista pessoal. Lidar com uma espécie de hipocrisia que consiste em ouvir-se opiniões em que se antevê a sociedade portuguesa como uma espécie de santos beatificáveis, em que ninguém tinha erros. Mas não colocam de maneira nenhuma em risco o rumo do governo. O primeiro-ministro tem toda a legitimidade que lhe foi dada pelo soberano e o soberano é o povo. Não são os jornais, os comentadores ou os analistas. O povo conferiu ao engenheiro Sócrates e ao Partido Socialista uma maioria absoluta para governar quatro anos e para lançar em Portugal um processo reformador e renovador da vida política, económica e social que o país precisa, para sair de algumas dificuldades que tem atravessado nos últimos anos e para poder aspirar um papel na nova EU e na relação desta com a economia global em que hoje todos vivemos. Esta relação não está em causa e tenho certeza que a força moral que o Eng. Sócrates tem revelado nos últimos dias vai permitir enfrentar esta fase. Ele sabe que o que o país precisa, e ele é um desses garantes, é de estabilidade política e de concretizar e acelerar este movimento de reformas para cumprir em plenitude o mandato que lhe foi dado pelo soberano e lutar para que este mandato lhe seja renovado. As transformações de que Portugal precisa e que apenas se iniciaram não são esgotáveis no espaço de um mandato. Precisamos de uma espécie de década de reformas estruturais e não só para avaliar os seus custos mas principalmente para podermos avaliar os seus efeitos benéficos sobre a sociedade portuguesa desta linha política de conjugação entre rigor financeiro e consciência social, entre espírito reformador e uma opção clara por aqueles que vivem com mais dificuldades, é a combinação política necessária para que esta década de lançamento de reformas e da sua frutificação sejam possíveis. Já tivemos as reformas da década com Cavaco e agora o país precisa de uma década de reformas.

O que será a Media Capital e, nomeadamente o que é mais visível, a TVI com Pina Moura?

Não vou falar de um grupo onde hoje nem sou accionista nem tenho responsabilidades de gestão, mas não há dúvida nenhuma de que a Media Capital e a TVI são um caso muito bem sucedido de um grupo de media em Portugal.

O que pensado mandato de José Eduardo Moniz como director-geral da TVI?

Não farei de maneira nenhuma apreciações deste tipo.

Costuma ver a TVI?

Não é das televisões que mais vejo. Mas creio ser incontroverso que é um projecto de sucesso, à maneira como o mercado a avalia. E este sucesso tem rostos: Miguel Pais do Amaral e José Eduardo Moniz.

Mas como representante dos accionistas que querem sucesso e se este se deve ao mandato Moniz…

Não quero entrar neste silogismo.

Não diz se faz falta no vosso portfolio, um jornal diário?

Não, não vou.

Nem se tem interesse na PT Multimédia?

Não.

Aceita este convite porque tem tempo livre a mais porque o projecto da energia da Iberdrola em Portugal falhou?

Não, o projecto da Iberdrola não falhou. É um projecto que tem tido sucesso em domínios muito grandes. Dentro de dois anos, a Iberdrola terá capacidade de produção de energia eléctrica superior a mil megawatts.

Vai sair da Iberdrola?

Por minha vontade não e creio que por parte da administração também não. Aproveito aliás para esclarecer que a aceitação deste cargo foi autorizada pela Iberdrola.

A sua decisão dependeu desta aceitação?

Sim, se a Iberdrola não tivesse autorizado não teria aceite.

Finalmente, o antigo canal da Igreja tem um cardeal?

Um cardeal laico, republicano e socialista.



Versão integral da entrevista publicada na edição do Expresso de 21 de Abril de 2007, 1.º Caderno, página 8.

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http://dn.sapo.pt/2005/06/22/nacional/gama_defende_revelacao_vinculacoes.html

Os 200 anos de história do Grande Oriente Lusitano (GOL) estão, desde ontem, abertos ao público, num museu inaugurado pelo presidente da Assembleia da República (AR), Jaime Gama. O primeiro socialista, como o próprio revelou, a ocupar aquela cadeira não sendo maçon. Durante a inauguração, o mote das conversas andou sempre à volta da "transparência" da maçonaria. Jaime Gama defendeu que quem ocupe "cargos de responsabilidade" deve revelar as suas filiações. O grão-mestre do GOL, António Arnaut, deixou uma provocação "O que aconteceria a um administrador do BCP se fosse conhecido que era maçon?".

Estas duas ideias, transparência e discrição, rodearam as conversas que jornalistas e alguns maçon foram tendo durante a visita ao palácio maçónico, o que se abriu aos profanos. No discurso que proferiu, António Arnaut, que durante o seu mandato impulsionou uma política de abertura da maçonaria à sociedade "profana", vincou a tese da transparência "Só é respeitado o que se conhece. O que não se conhece não é respeitado". No entanto, e admitindo que alguma dessa transparência não parte da iniciativa da própria maçonaria, António Arnaut recordou as "perseguições" históricas aos maçons: da Inquisição, do miguelismo, Pina Manique até ao regime de Salazar. Daí que, na sua opinião, estes anos de história ainda constituem uma espécie de entrave psicológico para que os maçons se revelem na sociedade.

Jaime Gama, por sua vez, começou por apresentar-se no palácio maçónico como uma pessoa que não "conhece bem" a organização. Do que sabe, afirmou, é pelos jornais e por outras publicações que vai lendo. Ainda assim, o presidente da AR exortou os maçons a "darem-se a conhecer melhor, de uma maneira moderna" e que correspondam " ao apelo da sociedade" que quer "conhecer" mais sobre a maçonaria. Este é, segundo Jaime Gama, um comportamento que a maçonaria deve adoptar numa sociedade moderna, transparente.

Após os discursos de boas vinda, tanto o presidente da AR, como os jornalistas, foram guiados pelos "segredos" e pela história do palácio maçónico do Bairro Alto. A primeira paragem foi num arquivo que guarda registos dos maçons ilustres. Folheando um livro amarelecido pelo tempo, António Arnaut mostra a ficha do Nobel português Egas Moniz, iniciado em 22 de Dezembro de 1910 .

O grão-mestre afirmou que a Maçonaria "não tem segredos", mas durante a visita não deixou de referir que há palavras e rituais e até um livro fechado numa casa- forte que são segredos "dos irmãos". Nesse livro, estão os nomes do maçons expulsos por comportamentos incorrectos. "Felizmente não escrevi lá nada durante o meu mandato", disse. A abertura do museu é um passo para a abertura da maçonaria à sociedade, como disseram alguns maçons ao DN. "Há uns anos atrás, isto era impensável", acrescentou um deles.

Por Vital Moreira em:

http://causa-nossa.blogspot.com/2005/06/revelao-de-vinculaes.html

"Revelação de vinculações"

Por indiscrição (obviamente deliberada) do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, durante a cerimónia de inauguração do museu da maçonaria, ficámos a saber publicamente que todos os anteriores presidentes socialistas da AR até agora eram da maçonaria. Sabe-se, aliás, que o mesmo sucedia com alguns dos presidentes oriundos do PSD.

O mais importante, porém, foi a declaração (obviamente tão intencional como a anterior) de que deveria haver «revelação de vinculações» (incluindo, subentende-se, a pertença à maçonaria) por parte dos titulares de «cargos de responsabilidade». Eis uma questão digna de toda a atenção. Parece evidente que, tão importantes como as "declarações de interesses" a que os titulares de cargos públicos estão sujeitos, são as vinculações associativas que implicam um alto grau de compromisso pessoal e de solidariedade "fraternitária", como é o caso da maçonaria (mas não só, como bem se sabe).

Há países onde é obrigatória a revelação dessas vinculações no exerício de certos cargos públicos, como dever jurídico, ou pelo menos como dever deontológico. Não será isso preferível à suspeição que por vezes se cria sobre certas cumplicidades insinuadas, quer no campo da política quer na área da justiça, por exemplo? Quem ousará colocar esta questão na agenda da discussão política? Ou permanecerá ela um tabu, mesmo depois da inédita declaração do presidente da Assembleia da República?
 
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