"Há cinco portugueses na Universidade Técnica da Virgínia, nos Estados Unidos, onde se registou um terrível tiroteio nesta segunda-feira, mas nenhum deles se viu envolvido no processo, estando fora de perigo.
O
PDiário contactou com alguns deles, que asseguraram não ter qualquer problema.
São os casos de Ana Martins, investigadora no Instituto de Bioinformática, Diogo Camacho, Ana Filipa Filipe e Fernando Freitas, alunos no mesmo departamento e Paulo Polanah, professor de estudos africanos na Virginia Tech. «Estão todos bem», assegurou Ana Martins.
«Moro a cinco minutos do campus e de manhã passei de carro pela esquadra da polícia quando ia a caminho da universidade. Vi muitos carros a sair e uma carrinha de TV, por isso achei estranho e pensei que havia problema. Quando cheguei ao instituto as portas estavam trancadas, o que não é normal, pois abrem às oito da manhã. Entrei com o meu cartão e quando cheguei lá dentro a recepcionista disse que tinha havido um tiroteio. Começámos a receber mails da universidade a informar o que se passava. Entretanto a minha mãe ligou-me preocupada, porque a notícia já tinha chegado a Portugal. Na CNN falavam em 20 mortos. Ficámos fechados nos edifícios até às 12h30 e, entretanto, falei com os meus amigos, que estão todos bem», contou.
Habituada a uma cidade «onde nada acontece», Ana Martins regista a coincidência de dois momentos: «No ano passado, em Agosto, também houve um rapaz que matou dois polícias. Foi no primeiro dia de aulas e agora quase quando as aulas estão acabar. Mas agora é muito pior».
«O sentimento de segurança era total»
Inês Henriques que passou grande parte dos últimos seis anos e meio no campus da Universidade Técnica da Virgínia e regressou «no dia 22 de Fevereiro», disse que os incidentes desta segunda-feira são impensáveis.
Disse ter ficado «extremamente chocada quando soube» da notícia. «O edifício onde aconteceu a maior tragédia é mesmo ao lado do meu. A minha primeira reacção foi entrar de imediato em contacto com as pessoas que conheço», explicou. «Estava a ouvir as notícias e não acreditava. É algo impensável. Um horror».
Outro dos aspectos que realçou e que são para si uma pista para compreender como dois incidentes tão graves puderam acontecer num espaço de duas horas é o tamanho do estabelecimento. «É uma universidade muitíssimo grande, tem cerca de 26 mil alunos, dos quais cinco mil são de pós-graduação, e ao contrário das universidades portuguesas, tem as faculdades todas juntas, é um campus muito grande. E é numa cidade que vive à volta da universidade», disse.
Para ilustrar as distâncias internas sublinhou que «do edifício onde aconteceram os primeiros incidentes para o segundo são 15 minutos a pé». «Só dentro do campus vivem cerca de 9 mil estudantes», apontou.
Aluno não saiu de casa
«Às 7h15 acordei e ouvi sirenes, provavelmente dos veículos que responderam a este incidente», referiu Fernando Freitas, um estudante português a terminar a sua licenciatura na Universidade Técnica da Virgínia no âmbito de um projecto de estágio em informática. O aluno recebeu uma mensagem de correio electrónico, - à qual o
Pdiário teve acesso [veja imagem em multimédia] -, avisando que todas as aulas tinham sido canceladas e pedindo para ficarem em casa.
Admite que, num primeiro momento, pensou que o aviso estivesse relacionado com «o mau tempo que se faz sentir». «Por isso resolvi não sair de casa», frisou o estudante que depois diz ter sido avisado por uma colega, Ana Filipa Filipe, através de e-mail, onde dizia que andava um «homem armado no campus e que havia dois feridos», resolveu «não sair de casa porque para o instituto» onde está a estagiar teria de passar pelo campus.
«Desde então tenho estado em casa a seguir a situação pela televisão. Avisei a minha mãe e os amigos pela Internet», explicou o português que não conhecia nenhuma das vítimas. Estou aqui há pouco tempo», aludiu."
Em
http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=798252