Jacare
New member
Esta tudo dito... []
Não está tudo dito não. [
Ainda falta muito.
Os ideais neo-socialistas existem há mais tempo do que desde a queda do muro de Berlim.
As suas ideias não têm mudado muito. O descalabro do comunismo na Europa apenas serviu de pretexto para assumir uma cara nova à sua visão e principalmente uma cara nova aos meios para chegar a um objectivo. A cara é nova... a maquiagem se quiserem chamar.
O termo "Socialismo" não se refere apenas a uma finalidade: a finalidade de atingir uma sociedade igualitária em termos sociais e justiça.
Na realidade diz e sempre disse respeito aos meios de atingir estes fins.
Isso já era observado por inúmeros políticos e economistas muito antes da queda do muro de Berlim e referido por Frederich Hayek no livro "Caminho para a Servidão" nos anos 40.
Na realidade os socialistas "moderados" europeus são os mesmos socialistas de há 50 anos atrás! Os ideais são os mesmos, as finalidades e meios propostos também.
Todos sabemos que estes ismos (socialismo, fascismos, etc etc) em alturas de crise de identidade, vão buscar ao liberalismo um pouco de "inspiração", mas sem querem tornar-se naquilo que as suas ideologias humanistas proíbem alimentadas por argumentos filosóficos e intelectuais e quase sempre longe da realidade e verdade. Mais tarde acabam por retroceder e colocar o liberalismo de novo no saco do lixo, para lá voltarem a ir busca-lo cada vez que que a verdade económica vem ao de cima!
Hoje o Socialismo existe. As suas propostas estão tão presentes como dantes... Por um lado estão reféns de um óbvio sucesso do liberalismo nos países europeus: Espanha, Irlanda, Inglaterra, Holanda, e até do descentralismo pró-liberal nórdico, até ao sucesso liberal na ásia: China, Índia, Vietname, Tailândia, etc etc.
Só resta deixar aos intelectuais do costume o papel da propaganda e como diz Hayek citado por Vaclav Klaus no artigo "O Socialismo e os Intelectuais":
(...) como sendo os “negociantes de ideias em segunda mão”, que tem orgulho em não “possuir nenhum conhecimento especializado em particular”, que não tem “responsabilidade directa em assuntos de carácter prático”, e que não precisam mesmo de ser “particularmente inteligentes”, para executarem a sua “missão”. Hayek sustentou que essas pessoas se satisfazem com “serem intermediários no espalhar das ideias” dos pensadores originais para as pessoas comuns, que eles acham não serem seus iguais. (...)
Se não está na moda ser chamado socialista... chamem-lhes o que quiserem: neo-socialistas, sociais democratas, etc etc.... é indiferente.
A realidade é que eles esperam que o liberalismo lhes tire do fundo do poço, para que logo a seguir e sem hesitar recorram aos intelectuais do costume para colocarem o liberalismo no saco do lixo.
O discurso de Almeida Santos no último congresso do P.S. deu vontade de rir com as justificações que dava para que o Governo estivesse a tomar medidas liberais... diabolizava o liberalismo e ao mesmo tempo dizia que era necessário agora mais do que nunca! [
Resta acrescentar que Portugal é dos países menos liberais da Europa. É dos únicos que não tem qualquer partido Liberal... por coincidência ou não é provavelmente o país com a Administração Pública mais pesada na CE. É dos países que mais protege o emprego "artificialmente"... e continuamos a ser um dos países que menos cresce economicamente.... há quem diga que é a mentalidade... sem dúvida que é!
É uma mentalidade de desresponsabilização, de paternalismo, e de falta de individualismo e competitividade. É o papel antagónico de assumir um qualquer humanismo e sem pestanejar exigir aos mesmo tempo um proteccionismo... É não acreditar em si e ter inveja de quem o faz! É como o socialismo estivesse entranhado no nosso código genético. Temos medo de ter liberdades e cobardia de sermos mais individualistas e responsáveis.
Temos de acreditar em nós e deixarmos de acreditar tanto num estado que não nos está a levar a lado nenhum.
Dizer que o Socialismo, morreu com a queda do Muro de Berlim.... poderá ser uma afirmação no mínimo precipitada.
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