O que me faz impressão neste tipo de respostas é o egoismo subjacente.
So que não quer ver, é que não ve, que o crescimento da despesa publica, leva obrigatoriamente ao aumento dos impostos sobres os coitados dos privados, e ainda mais grave ao aumento da divida publica atirando essa divida para o nossos filhos e netos.
So o nosso puro egoismo deixa que lhes reservemos esse futuro de pagar a vida que nos tivemos sem produzir para isso.
Que belos pais e maes que estamos a ser.
enfim
Para o que para o patrão é egoísmo, para o empregado é querer a condigna recompensa pelo seu trabalho.
Sabes o que é um estudo de caso? Se não souberes, eu explico rapidamente: é um estudo feito sobre uma situação concreta para daí se tirarem extrapolações para outros casos que se possam aproximar.
Ora bem: quais são as empresas que actualmente mais rendimentos estão a trazer para o nosso país, e que são exemplos de produtividade? São precisamente aquelas em que os seus directores investem nos empregados, na sua formação e que atendem às suas rei vindicações de condições de trabalho.
Isto é verdade cá em Portugal, como é verdade por essa Europa fora.
Vejam-se as empresas alemãs, suecas e de outras nacionalidades que operam no nosso país: formação constante, bons refeitórios, participação nos lucros da empresa, políticas de protecção do emprego, 15º mês, enfim, um manancial de REGALIAS (o tal palavrão que vos faz tremer).
Ora, enquanto que para o patrão tuga xico-esperto isto é puro esbanjar, pura idiotice fruto do egoísmo dos empregados, segundo a tua perspectiva, para os grandes empresários do norte europeu é a única forma que conhecem de fazerem empresas sólidas, com funcionários que não levam embora o que se investiu na sua formação, mantendo antes na empresa o seu conhecimento de anos de experiência acumulada, o que está para lá de toda e qualquer mais-valia.
Estes empresários sabem bem que a melhor receita para aumentos de produtividade são promessas de melhores vencimentos e REGALIAS (desculpa lá outra vez) no caso de objectivos atingidos, em vez de trazer os empregados à rédea curta com medo do despedimento.
Percebo perfeitamente que isto seja absoluta e completamente incompreensível para os empresários do norte de Portugal, por exemplo, que preferem falir a deixar de comprar mais um Ferrari, mas a diferença de resultados está bem à vista.
Claro que o sonho de qualquer um destes empresários (se é que merecem esta designação) é terem uma empresa só de vietnamitas ou de indonésios a trabalharem a troco de bananas e cobertores, mas o que lhes sobra em ganância, falta-lhes em conhecimento de que a mão-de-obra barata é também perfeitamente indiferenciada e desqualificada, e que um bom trabalhador mal recompensado não hesita em levar consigo a mais-valia que representa para quem lhe der o mesmo ou pouco mais, nem que seja só pela hipótese de se pagarem em igual moeda ao mau patrão
pelo qual não sentem a menor lealdade.
EDIT: acrescentado a negrito.