Eu sou um fã incondicional da rotação [

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Vou, antes de mais, ressalvar que o binário é mais importante para colocar uma massa maior em movimento a partir do repouso, e que a rotação é mais importante para imprimir velocidade (mais facilmente, quanto mais leve for o veículo em questão).
Para visualizar, imaginem um camião e uma mota. Se o motor do camião tivesse as características dum motor de mota, dificilmente arrancaria, sequer, devido ao peso. Já um motor com o binário abusivo, típico dos camiões, montado numa mota, faria com que ela arrancasse logo em cavalinho (ou cambalhota) à mínima "gázada".
Posto isto temos que, para os WRC, o tipo de traçado percorrdio é sinuoso e, em muitos casos, de parca aderência (terra, batida, gravilha, gelo).
São carros de tracção às 4 rodas, que requerem muito binário, e são turbinados, o que lhes retira tanta capacidade de fazer rotação.
A condução, geralmente "fora de controlo", obriga a força imediata nas rodas motrizes para obter o máximo de tracção. As várias reduções para as curvas obrigam a recuperações também imediatas, e neste caso a recuperação da velocidade à saída duma curva não é idêntica à de um carro de velocidade (F1, FIA GT, ETCC, etc...). Num WRC há a preocupação de não deixar o motor cair abaixo do regime do turbo e, no entanto, a curva é descrita com as rodas a "patinar", e aí o binário é muito mais determinante precisamente por estar disponível a uma rotação mais baixa. Se fossem depender da potência a alta rotação para isso não seriam tão rápidos e não conseguiram controlar tão bem o carro, porque o curso útil do acelerador ficava, julgo eu, limitado à posição "lá em baixo", ao passo que quando temos muito binário disponível é mais fácil dosear o acelerador e, com ele, controlar a trajectória em "descontrolo".
Já num carro de velocidade, o binário e as derrapagens fazem perder tempo, uma vez que as provas são disputadas em alcatrão e com curvas tecnicamente mais rápidas. A potência é atirada lá para cima, onde se tentam manter as rotações para espremer o "sumo" do motor e convertê-lo em velocidade. A palavra-chave aqui será linearidade, e a própria condução dum carro de velocidade deve pautar-se pela harmonia e suavidade de movimentos e de transferências de massa. Isso diz respeito, também, directamente, à forma como a potência é entregue.
Mas isto é a minha perspectiva e estou longe de ser um entendido nestas coisas (senão estava neste momento a "trabalhar" ali para os lados do Algarve [

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