Nephilim
Banido
Droga
Traficantes levam lancha à Marinha
Jorge Godinho
Uma rede internacional de tráfico de droga, presumivelmente com ligações a Espanha e Marrocos, levou a cabo uma operação inédita, no Algarve: roubou uma lancha rápida da Polícia Marítima, anteontem à noite, em Faro. Ao mesmo tempo, levou um barco de recolha de lixo na ria Formosa que estava atracado no porto de Olhão.
As embarcações seriam utilizadas para efectuar o transbordo em alto-mar e posterior transporte para terra de um carregamento de droga – cocaína vinda da América do Sul, ou de haxixe originário de Marrocos.
Mas o plano da rede de tráfico foi abortado devido à operação desencadeada pelas autoridades marítimas em toda a costa algarvia – de Vila Real de Santo António a Sagres. Os traficantes abandonaram os barcos furtados, mas conseguiram fugir numa lancha voadora que lhes pertencia.
O primeiro roubo foi detectado às 22h00 no cais da Polícia Marítima (PM), em Faro, onde estava fundeado o semi-rígido ‘Espadim’, de 12 metros, equipado com dois motores fora de borda da marca Mercury. O CM apurou que o furto da embarcação fez desencadear uma megaoperação envolvendo todos os meios operacionais da PM e Brigada Fiscal da GNR, nas costas algarvia e vicentina. Todas as barras da região foram encerradas.
A suspeita de que a embarcação estaria a ser usada para fins ilícitos, nomeadamente o narcotráfico, levou também para o terreno a Polícia Judiciária, que ontem inspeccionou as duas embarcações.
A hipótese de estar em curso uma acção de descarregamento de droga atingiu contornos mais sólidos com a descoberta de um novo furto: uma lancha rápida de oito metros, equipada com dois motores de 200 cavalos, desaparecera do cais de Olhão à mesma hora. O barco, utilizado na recolha de lixo nas ilhas da Culatra, Deserta e Farol, propriedade da empresa municipal FAGAR, foi detectado por radar, cerca das 05h30, junto à praia da Armona, Olhão, onde as patrulhas da Marinha viriam a interceptá-lo já encalhado, com 400 litros de gasolina a bordo. O comandante da Zona Marítima do Sul, Reis Ágoas, garantiu que não foi efectuada qualquer perseguição à lancha, abandonada antes da chegada da Marinha à praia. Duas horas depois foi localizado o ‘Espadim’, abandonado na ilha da Culatra, em Faro. Reis Ágoas admitiu que o barco foi furtado de um local pouco iluminado e de fácil acesso e não apresentava danos, tendo navegado até ao cais da PM.
INVESTIGAÇÕES
APREENSÃO
O ‘Espadim’, ao serviço da Marinha há cerca de três anos, foi apreendido a uma rede internacional de tráfico de droga. O barco atinge os 60 nós (cerca de 90 km/h) e terá sido abandonado devido a uma avaria num dos motores.
BARCO
A lancha municipal está equipada com dois motores de 200 cavalos cada e possui capacidade para transportar cargas de grandes dimensões. O barco estava ontem ainda à ordem da Polícia Judiciária.
JUDICIÁRIA
Inspectores da PJ procederam a exames periciais nas embarcações, para recolha de indícios que conduzam à identificação dos suspeitos do furto e a sua ligação ao tráfico. A PJ recusou ontem falar sobre o caso.
OPERAÇÃO DE DESEMBARQUE ABORTADA
O aparato da operação policial na costa algarvia terá feito abortar um descarregamento de droga. Fonte policial classificou o caso como “grave” por ser a primeira vez que se verifica o roubo de uma embarcação da polícia para o narcotráfico em território nacional e disse que as suspeitas apontam para o envolvimento de uma organização internacional com forte experiência – a avaliar pela forma “sofisticada” como foi executado o crime.
A lancha municipal foi encontrada seis horas após o furto, na ilha da Armona, Olhão, com vinte depósitos de gasolina num total de 400 litros. Fonte policial garantiu ao Correio da Manhã que, a confirmarem-se as suspeitas do móbil do crime, o barco seria usado para o abastecimento de combustível do semi-rígido ou o eventual transporte de droga entre a embarcação da Marinha e a terra. Ao ‘Espadim’ caberia a missão de efectuar o transbordo, em alto-mar, dos fardos de estupefaciente a partir de um navio-mãe com pavilhão estrangeiro.
COMO AS CARGAS DE HAXIXE CHEGAM À COSTA DO ALGARVE
Cerca de 200 lanchas voadoras transportam diariamente toneladas de droga, sobretudo haxixe, para as costas de Espanha e do Algarve a partir do Mar Chica – uma imensa lagoa, em Nador, Marrocos. Este recanto da costa marroquina é a base ideal para a frota ao serviço do tráfico: a lagoa, protegida naturalmente por duas línguas rochosas, tem águas calmas e está ligada ao Mediterrâneo por uma boca de 120 metros de largura.
A actividade das lanchas – com o casco em fibra de vidro e flutuadores, equipadas com pelo menos três motores de 200 cavalos de potência cada um – é conhecida das autoridades portuguesas e espanholas desde 1999. O tráfico intensificou-se nos últimos anos. Hoje, cada embarcação, com três tripulantes, carrega até cinco toneladas de droga. Atingem uma velocidade equivalente a 150 quilómetros – que lhes permite passar o estreito de Gibraltar e chegar ao Algarve em três ou quatro horas.
A bordo vai o piloto, que cobra trinta mil euros por viagem de ida e volta, um co-piloto, pago com seis mil euros, e um terceiro tripulante, com a missão de tratar dos motores, que custa à volta de quatro mil euros. A maior parte das lanchas não é propriedade das redes de tráfico – trabalha para os traficantes.
No final do Verão de 2006, as autoridades marroquinas e espanholas prenderam um importante ‘patrão’ do tráfico, Mohamed el Kharraz, que acabou por denunciar dezenas de cúmplices, entre polícias e militares. Mas nem isso abrandou o movimento marítima a partir do Mar Chica. Os lucros deste negócio são astronómicos: um ‘importador’ de haxixe, por exemplo, compra um quilo de droga por 400 euros e vende a um distribuidor de rua por oito mil.
Jorge Godinho
Parece anedóta[
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Traficantes levam lancha à Marinha
Jorge Godinho
Uma rede internacional de tráfico de droga, presumivelmente com ligações a Espanha e Marrocos, levou a cabo uma operação inédita, no Algarve: roubou uma lancha rápida da Polícia Marítima, anteontem à noite, em Faro. Ao mesmo tempo, levou um barco de recolha de lixo na ria Formosa que estava atracado no porto de Olhão.

Mas o plano da rede de tráfico foi abortado devido à operação desencadeada pelas autoridades marítimas em toda a costa algarvia – de Vila Real de Santo António a Sagres. Os traficantes abandonaram os barcos furtados, mas conseguiram fugir numa lancha voadora que lhes pertencia.
O primeiro roubo foi detectado às 22h00 no cais da Polícia Marítima (PM), em Faro, onde estava fundeado o semi-rígido ‘Espadim’, de 12 metros, equipado com dois motores fora de borda da marca Mercury. O CM apurou que o furto da embarcação fez desencadear uma megaoperação envolvendo todos os meios operacionais da PM e Brigada Fiscal da GNR, nas costas algarvia e vicentina. Todas as barras da região foram encerradas.
A suspeita de que a embarcação estaria a ser usada para fins ilícitos, nomeadamente o narcotráfico, levou também para o terreno a Polícia Judiciária, que ontem inspeccionou as duas embarcações.
A hipótese de estar em curso uma acção de descarregamento de droga atingiu contornos mais sólidos com a descoberta de um novo furto: uma lancha rápida de oito metros, equipada com dois motores de 200 cavalos, desaparecera do cais de Olhão à mesma hora. O barco, utilizado na recolha de lixo nas ilhas da Culatra, Deserta e Farol, propriedade da empresa municipal FAGAR, foi detectado por radar, cerca das 05h30, junto à praia da Armona, Olhão, onde as patrulhas da Marinha viriam a interceptá-lo já encalhado, com 400 litros de gasolina a bordo. O comandante da Zona Marítima do Sul, Reis Ágoas, garantiu que não foi efectuada qualquer perseguição à lancha, abandonada antes da chegada da Marinha à praia. Duas horas depois foi localizado o ‘Espadim’, abandonado na ilha da Culatra, em Faro. Reis Ágoas admitiu que o barco foi furtado de um local pouco iluminado e de fácil acesso e não apresentava danos, tendo navegado até ao cais da PM.
INVESTIGAÇÕES
APREENSÃO
O ‘Espadim’, ao serviço da Marinha há cerca de três anos, foi apreendido a uma rede internacional de tráfico de droga. O barco atinge os 60 nós (cerca de 90 km/h) e terá sido abandonado devido a uma avaria num dos motores.
BARCO
A lancha municipal está equipada com dois motores de 200 cavalos cada e possui capacidade para transportar cargas de grandes dimensões. O barco estava ontem ainda à ordem da Polícia Judiciária.
JUDICIÁRIA
Inspectores da PJ procederam a exames periciais nas embarcações, para recolha de indícios que conduzam à identificação dos suspeitos do furto e a sua ligação ao tráfico. A PJ recusou ontem falar sobre o caso.
OPERAÇÃO DE DESEMBARQUE ABORTADA
O aparato da operação policial na costa algarvia terá feito abortar um descarregamento de droga. Fonte policial classificou o caso como “grave” por ser a primeira vez que se verifica o roubo de uma embarcação da polícia para o narcotráfico em território nacional e disse que as suspeitas apontam para o envolvimento de uma organização internacional com forte experiência – a avaliar pela forma “sofisticada” como foi executado o crime.
A lancha municipal foi encontrada seis horas após o furto, na ilha da Armona, Olhão, com vinte depósitos de gasolina num total de 400 litros. Fonte policial garantiu ao Correio da Manhã que, a confirmarem-se as suspeitas do móbil do crime, o barco seria usado para o abastecimento de combustível do semi-rígido ou o eventual transporte de droga entre a embarcação da Marinha e a terra. Ao ‘Espadim’ caberia a missão de efectuar o transbordo, em alto-mar, dos fardos de estupefaciente a partir de um navio-mãe com pavilhão estrangeiro.
COMO AS CARGAS DE HAXIXE CHEGAM À COSTA DO ALGARVE
Cerca de 200 lanchas voadoras transportam diariamente toneladas de droga, sobretudo haxixe, para as costas de Espanha e do Algarve a partir do Mar Chica – uma imensa lagoa, em Nador, Marrocos. Este recanto da costa marroquina é a base ideal para a frota ao serviço do tráfico: a lagoa, protegida naturalmente por duas línguas rochosas, tem águas calmas e está ligada ao Mediterrâneo por uma boca de 120 metros de largura.
A actividade das lanchas – com o casco em fibra de vidro e flutuadores, equipadas com pelo menos três motores de 200 cavalos de potência cada um – é conhecida das autoridades portuguesas e espanholas desde 1999. O tráfico intensificou-se nos últimos anos. Hoje, cada embarcação, com três tripulantes, carrega até cinco toneladas de droga. Atingem uma velocidade equivalente a 150 quilómetros – que lhes permite passar o estreito de Gibraltar e chegar ao Algarve em três ou quatro horas.
A bordo vai o piloto, que cobra trinta mil euros por viagem de ida e volta, um co-piloto, pago com seis mil euros, e um terceiro tripulante, com a missão de tratar dos motores, que custa à volta de quatro mil euros. A maior parte das lanchas não é propriedade das redes de tráfico – trabalha para os traficantes.
No final do Verão de 2006, as autoridades marroquinas e espanholas prenderam um importante ‘patrão’ do tráfico, Mohamed el Kharraz, que acabou por denunciar dezenas de cúmplices, entre polícias e militares. Mas nem isso abrandou o movimento marítima a partir do Mar Chica. Os lucros deste negócio são astronómicos: um ‘importador’ de haxixe, por exemplo, compra um quilo de droga por 400 euros e vende a um distribuidor de rua por oito mil.
Jorge Godinho
Parece anedóta[