Portugueses vs o uso da Energia Nuclear

A dita Finlândia tem 4 neste momento activas e está a construir com uma empresa francesa a primeira central nuclear de 3ª geração do mundo.
As centrais nucleares de 3ª geração ainda só existem no papel, a primeira desse tipo só deverá ser construída lá para 2030, na França ou nos EUA.



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o GRANDE MAL de portugal e que tem muitos mais recursos energeticos que, provavelmente, qqr outro pais da UE.

ao contrario dos outros, portugal NAO PRECISA de energia nuclear para ter energia suficiente e alguma de sobra.
É chato é todos os dados te provarem errado...

(...) a soma de toda a energia eólica instalada na Europa não cobre sequer o consumo máximo real português.
E relembro que já não é a primeira vez que o sr. Elise vem para aqui com historinhas do UK que se vêm mais tarde a confirmar terem algumas inconsistências...
 
ca em casa temos um bom exemplo!

temos 3 painéis solares.
os 3 painéis solares alimentam duas caldeiras enormes (suficientes para SEIS pessoas tomarem banho ao mesmo tempo, sem qqr risco de falta de agua quente, bem quente). ainda alimentam o gerador das luzes de emergência e as luzes "normais" da casa, mesmo nos meses de menos sol, onde só há sol das 9 as 4 da tarde
3 painéis solares, com tecnologia de a 10 anos atrás, permitem que 40% do consumo seja...grátis! no verão pode chegar a 70%!!!! sol suficiente das 7 as 7, não usas aquecedores, não usas maquina de secar, etc.

se pensares que os painéis podem ser pagos em prestações por alguns anos, a prestação fica-te mais barata que os tais 40% (pelo menos) que não pagas a EDP (aqui e EDF...)

tudo isto num pais famoso por não ter mt sol (não e só fama), que faria num pais onde o sol abundasse, como Portugal!

não tenho ABSOLUTAMENTE NADA contra a energia nuclear! NADINHA! simplesmente Portugal tem opções MUITO MELHORES, coisa que outros países NÃO TEEM (por falta de recursos naturais)
Falta vontade para se massificar este tipo de tecnologia e capacidade económica aos Portugueses para a adoptar.




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Chamo a vossa atenção ao ponto 3 do último post do André.

Está muito claro e conciso, reflectindo aquilo que é o pensamento actual sobre a Energia Nuclear. Pragmático. [:cool:]

Mas o Nuclear (em outras aplicações extra civis) e a Energia se por vezes têm seguido no mesmo caminho, não significa que as opções sobre uma tivessem a ver com a outra.

Há muitos anos, a questão Nuclear era estratégica em termos de Blocos. A independência energética era estratégica em termos de Nação.

Hoje, depois de vencidas todas as barreiras ideológicas e as barreiras do isolacionismo, faz sentido que a Europa pense na Energia a uma só 'voz'.

E não é absurdo nenhum pensarmos que nem todos os Países têm de ter centrais Nucleares. Isto para dar um pouco de expressão ao texto do Liberal.

As centrais Nucleares têm os seus ciclos e os seus pontos de rentabilidade, onde talvez não se justifique para já esse investimento em Portugal.

E se a Europa conseguir planear a sua questão Energética, poderemos todos aceder a energias mais limpas em termos de ambiente e mais económicas, devido ao factor de escala.
 
para quem defende o nuclear, quero que me digam o que se faz aos resíduos radioactivos...
Podes perguntar a estes países:

elecpercent.gif


aparentemente, todos eles sabem a resposta...
 
Podes perguntar a estes países:

aparentemente, todos eles sabem a resposta...

Eles saberem sabem, a questão é e é isso que nós queremos ?,

o liberal explicou muito melhor do que eu seria capaz o cerne da questão,

eu enfatiso que nós enquanto pais e com as particularidades (vantagens geograficas) que temos deveriamos investir na I&D das renovaveis.

por outro lado pego tambem no ponto 3 do Andre e digo que se calhar temos (mundo ocidental) que evoluir socialmente por forma a diminuir a pressão em termos de consumo, sobretudo organisar o nosso ciclo dário de forma a diminuir os picos, o nosso "modus vivendi" continua baseado nas tradiçoes da revolução industrial, evoluimos muito tecnologicamente, culturalmente mas socialmente nem por isso..., com este passo, o rendimento das renováveis subiria exponencialmente.

cpts
 
O 1º mundo baixou bastante as suas necessidades de energia.

E a diversificação para o gás, atenuou ainda mais a procura.

Hoje, uma máquina de lavar roupa consome 40% de uma equivalente de há 15 anos atrás.O mesmo para os frigoríficos e a maioria dos electrodomesticos.

A nível indústrial, fizeram-se enormes progressos a nível de consumo, onde a deslocalização das mais poluentes contribíu significativamente. [:D]

O fraco crescimento demográfico, o uso racional, a deslocalização, tudo somado fez com que o consumo tivesse estabilizado na maior parte deste nosso mundo.

Não me parece que a solução seja tentar reduzir o nosso consumo, afectando a nossa qualidade de vida.

Além do mais é um investimento que pode não ser o mais oportuno para todos.
 
O 1º mundo baixou bastante as suas necessidades de energia.

E a diversificação para o gás, atenuou ainda mais a procura.

Hoje, uma máquina de lavar roupa consome 40% de uma equivalente de há 15 anos atrás.O mesmo para os frigoríficos e a maioria dos electrodomesticos.

A nível indústrial, fizeram-se enormes progressos a nível de consumo, onde a deslocalização das mais poluentes contribíu significativamente. [:D]

O fraco crescimento demográfico, o uso racional, a deslocalização, tudo somado fez com que o consumo tivesse estabilizado na maior parte deste nosso mundo.

Não me parece que a solução seja tentar reduzir o nosso consumo, afectando a nossa qualidade de vida.

Além do mais é um investimento que pode não ser o mais oportuno para todos.

Não vejas na evolução que proponho, redução da qualidade de vida, uma das medidas mais faceis é a do desfasamento das horas de inicio e fim do periodo laboral, resultado pratico:
mais horas de produção (não tão intensa, é claro)
muito menos picos de consumo de energia
muito menos intensidade de trafego e inexistencia de horas de ponta (como consequencia muito menos recursos gastos no aumento de capacidade das vias para suportar os picos de utilização)
etc etc etc

cpts
 
Não vejas na evolução que proponho, redução da qualidade de vida, uma das medidas mais faceis é a do desfasamento das horas de inicio e fim do periodo laboral, resultado pratico:
mais horas de produção (não tão intensa, é claro)
muito menos picos de consumo de energia
muito menos intensidade de trafego e inexistencia de horas de ponta (como consequencia muito menos recursos gastos no aumento de capacidade das vias para suportar os picos de utilização)
etc etc etc

cpts
Ok, não era essa a intenção. Apenas que o nosso modo de vida moderna tem que ser levada em linha de conta.

As máquinas de lavar já se podem programar para o horário nocturno. Porreiro, mas cá em casa fazem-se em média 2 cargas de lavar e secar roupa, bem como a louça. Uma delas tem que ser em horário normal.

As lâmpadas já foram todas substituídas (a custos pouco amigos do ambiente...) excepto nuns candeeiros tradicionais que têm que ter lâmpadas incandescentes, pois ainda não se encontrou nada no mercado que as substituísse, não só na sua função mas também na sua forma.

Mas quando estão ligados, são 2 x 8 x 60 w = 960 w/hora. No Inverno até que é fixe, ajuda a aquecer a sala. [:cool:]
 
Ok, não era essa a intenção. Apenas que o nosso modo de vida moderna tem que ser levada em linha de conta.

As máquinas de lavar já se podem programar para o horário nocturno. Porreiro, mas cá em casa fazem-se em média 2 cargas de lavar e secar roupa, bem como a louça. Uma delas tem que ser em horário normal.

As lâmpadas já foram todas substituídas (a custos pouco amigos do ambiente...) excepto nuns candeeiros tradicionais que têm que ter lâmpadas incandescentes, pois ainda não se encontrou nada no mercado que as substituísse, não só na sua função mas também na sua forma.

Mas quando estão ligados, são 2 x 8 x 60 w = 960 w/hora. No Inverno até que é fixe, ajuda a aquecer a sala. [:cool:]

Nem me digas os meus são 2 tambem mas estão em 2 x 8 x 25 w = 400 w/hora :( mas não consigo encontrar das outras que fiquem bem lá... e sem aprovação da esteta da casa, nada feito LOL
 
Só hoje volto a retomar o meu post. Na primeira parte tentei explicar que não fazia sentido uma central em Portugal dada a nossa dimensão, e casos como a Finlandia ou a Suiça são apenas as excepções que confirmam a regra, pois pequenos países com nuclear são-no geralmente por razões muito específicas ou mesmo por razões históricas de soberania nacional. Tentei também demonstrar que a realidade energética actual na Europa tornou irrelevante a questão da propriedade ou nacionalidade da central.

Nesta segunda parte vou tentar explicar porque é que acho que a energia nuclear não é barata, ou melhor, porque é que ela é barata porque esse preço é artificial e não incorpora factores importantes.

Qual é o mais importante desses factores ? É o do risco.
Toda a actividade produtiva humana consciente tenta incorporar no custo de um produto os seus riscos.

Seja um produtor de automóveis, seja um produtor de electricidade ou um produtor de cadeiras de bebé.

Se existir algum defeito num automóvel o construtor terá que arcar com as consequências desses defeitos. Se ocorrer um acidente numa central termoeléctrica ou numa refinaria, a empresa proprietária também terá que suportar os prejuízos provocados por esse acidente. Ora, nesse cenário, as empresas geralmente recorrem aos seus próprios fundos para fazer face a um erro ou a uma catástrofe inesperada, ou melhor, protegem-se, recorrendo a seguros por exemplo.

O mito da segurança ou do risco baixo ou nulo

Ouvimos dizer todos os dias que o risco é baixo, muito baixo. É possível que seja verdade, embora a estatística histórica não o demonstre.

Também se costuma dizer que Chernobyl foi uma excepção, que foi uma conjugação de vários factores e azares. Ok, mas isso é um bocado de treta. Quase todos os acidentes ocorrem quase sempre na conjugação de várias circunstâncias, de vários azares inesperados, de pequenas ou grandes incúrias com pequenas ou grandes deficiências técnicas, etc, etc.

Olhemos por exemplo para o sector da aviação, um sector com regras muito rigidas de segurança no Ocidente. Mas mesmo com companhias ocidentais, ocorrem acidentes, e geralmente ocorrem sempre com a tal conjugação inesperada de várias circunstâncias e azares que ninguém conseguiu prever.

Por exemplo o acidente do Concorde. Foi preciso um pedaço de metal dum DC-10 da Continental cair na pista. Foi preciso esse pedaço de metal estoirar com o pneu do Concorde. Foi preciso um pedaço de pneu bater numa parte frágil da asa do Concorde. Foi preciso passar um tubo de combustivel nessa zona da asa. Foi preciso a tripulação desligar o motor afectado mas ocorrer o azar do trem avariar e não recolher provocando uma inclinação fatal no avião, sendo o outro motor insuficiente quando normalmente o seria, etc,etc.

Já mais recentemente tivemos outro acidente inexplicável, com a tal sucessão fatal de azares ou circunstâncias. O acidente do GOL na Amazonia. Dois aviões a chocarem no ar num imenso espaço aereo. Também foi uma sequência única de azares. Um novo avião com uma aparente avaria, ainda por cima intermitente, no transponder. Uma pequena mancha no espaço aereo com má cobertura de radar. Uma ordem errada dum controlador aereo. Problemas de comunicações. Tudo coisas que são previstas isoladamente mas que nunca ninguém consegue prever quando conjugadas, originando um acidente.

Toda esta treta para dizer que isso do baixo ou risco nulo é um mito. Nem a Deus hoje se deve exigir a perfeição, quanto mais ao homem ...
E no caso nuclear,nem sequer a história ajuda a esse mito. Nas estatísticas consta "apenas" um acidente muito grave, Chernobyl (7 na International Nuclear Event Scale), e um grave, Three Mile Island, (5 na International Nuclear Event Scale). Se contarmos o número de centrais nucleares e se considerarmos o nº de acidentes e incidentes, não se pode dizer que seja um sector com uma invejável segurança, antes pelo contrário.

E se acrescentarmos aos acidentes o facto de ocorrerem muitos incidentes do qual raramente ouvimos falar, ainda menos segura me parece. O último dos quais foi na Suécia, em Julho do ano passado, e que está neste momento a provocar um enorme debate no país, pois a investigação desse incidente concluiu que existem falhas graves que já existiam há pelo menos 3 anos sem que tivessem sido detectadas, e que foi por mera sorte nada de grave tivesse ocorrido.

Recordo que a Suécia se considerava e era considerada por muitos como o país com a melhor segurança nuclear no mundo. Mais um mito que se desmonorou... Para além desses problemas, ainda há poucas semanas foi revelado que num teste de alcoolemia a 25 funcionários criticos da central ... onde 3 deles estavam alcoolizado e foram despedidos.

Coisas desse género tem acontecido noutros locais, Japão por exemplo, e até uns mais pequenos em Espanha, mero exemplo. E desconfio que em França também ocorrem mas acabam por ficar nos segredos dos Deuses...

O mito do custo baixo

Havendo risco, mesmo reduzido, quem o suporta ? No caso do nuclear, ninguém. As consequências de um acidente nuclear são tão grandes que, por exemplo, nenhuma seguradora estaria disposta a segurar tal risco. Nenhuma empresa energética, por muito grande que fosse, teria capacidade para suportar os custos por exemplo dum Chernobyl.

Pelo que na prática, ninguém suporta esses custos do risco e muito menos os paga. Nem reflectem essa realidade nos custos da energia. Até nós próprios para circularmos na estrada somos obrigados a um seguro obrigatório com uma cobertura mínima de 600.000€ para fazer face a alguma catástrofe que provoquemos na estrada. Na industria nuclear não, o que é surpreendente, porque não me ocorre nenhum sector de actividade onde as consequências dum acidente sejam tão devastadoras.

Na prática são os Estados a suportar esses custos, e de forma irresponsável e despreocupada. Logo aqui deixo a minha pequena facada nos meus colegas liberais.

O acidente de Chernobyl para além de tudo o resto, foi o maior cataclismo económico da história humana. Ninguém sabe quando custou, mas numa perspectiva conservadora, aponta-se para um valor na ordem dos 250/350 mil milhões de Euros, e isto na União Soviética, em que parte do problema foi resolvido com sacrifício humano (os liquidatários), cenário impensável nas nossas democracias acomodadas. E ainda hoje é um problema não resolvido, vai continuar a absorver fortunas durante décadas.

Chernobyl demonstrou que nenhum país tem dimensão nem está preparado para tal cenário. O acidente contribuiu e muito para o fim da própria União Soviética.

Mesmo supondo riscos baixissimos, pode um país pequeno como Portugal lidar com um cenário destes ? Obviamente que não. Teria um impacto económico e social tão violento que retrocederiamos 100 ou 200 anos. Quando alguns dizem que é indiferente nós não termos nuclear porque já estamos a correr os riscos das centrais espanholas a 150km da fronteira. É verdade, já corremos esses riscos, mas há essa pequena diferença. Para além da tragédia que se poderia abater sobre nós, seriam sobretudo os proprietários, neste caso os espanhois, a terem que resolver o problema.

Voltando ao custo da energia nuclear, e agora que tentei explicar que o custo não é o real, sendo portanto injusto a sua comparação com o custo de outras formas de energia, há outras questões que se podem discutir, como por exemplo, o facto de grande parte da pequisa e inovação ter sido subsidiada ou financiada pelos Estados, quer via militar, quer instituições científicas estatais. Foi incluído no preço da energia nuclear toda essa I&D feito pelos Estados ? Ou seja, deixo mais esta pequena facadinha liberal nos meus colegas liberais.

Para terminar, há ainda uma coisa que nao tem a ver com a economia, o custo ou a dimensão, mas que se calhar é a mais importante de todas: a proliferação nuclear.
Vivemos tempos muito conturbados com a ameaça terrorista. A proliferação nuclear mesmo para fins pacíficos é preocupante. Teremos nós alguma moralidade de exigir que o Irão não use o nuclear se nós também não o fizermos ? Teremos que aceitar ou dizer que se até o Paquistão ou a India tem nuclear, nós também o podemos perfeitamente ter ? Será que não foi um enorme erro o nuclear nesses países, e será que em cima de um erro vamos continuar a justificar outros ?

Face a tudo o que disse, para mim o nuclear não é opção actualmente. Existem muitos outros caminhos a percorrer, estamos ainda longe de uma situação radical em que não temos outra escolha, e até lá confio no engenho humano para inventar soluções mais seguras do que deixármos aos nossos filhos e netos a tarefa delicada, arriscada e custosa de desmantelar centenas de centrais nucleares em todo o mundo. Quem tomou a decisão de as construir pensou apenas no seu tempo, passou a batata quente para as gerações que se seguirão. Eu não gosto de pensar ou actuar assim.
 
Só hoje volto a retomar o meu post. Na primeira parte tentei explicar que não fazia sentido uma central em Portugal dada a nossa dimensão, e casos como a Finlandia ou a Suiça são apenas as excepções que confirmam a regra, pois pequenos países com nuclear são-no geralmente por razões muito específicas ou mesmo por razões históricas de soberania nacional. Tentei também demonstrar que a realidade energética actual na Europa tornou irrelevante a questão da propriedade ou nacionalidade da central.

Nesta segunda parte vou tentar explicar porque é que acho que a energia nuclear não é barata, ou melhor, porque é que ela é barata porque esse preço é artificial e não incorpora factores importantes.

Qual é o mais importante desses factores ? É o do risco.
Toda a actividade produtiva humana consciente tenta incorporar no custo de um produto os seus riscos.

Seja um produtor de automóveis, seja um produtor de electricidade ou um produtor de cadeiras de bebé.

Se existir algum defeito num automóvel o construtor terá que arcar com as consequências desses defeitos. Se ocorrer um acidente numa central termoeléctrica ou numa refinaria, a empresa proprietária também terá que suportar os prejuízos provocados por esse acidente. Ora, nesse cenário, as empresas geralmente recorrem aos seus próprios fundos para fazer face a um erro ou a uma catástrofe inesperada, ou melhor, protegem-se, recorrendo a seguros por exemplo.

O mito da segurança ou do risco baixo ou nulo

Ouvimos dizer todos os dias que o risco é baixo, muito baixo. É possível que seja verdade, embora a estatística histórica não o demonstre.

Também se costuma dizer que Chernobyl foi uma excepção, que foi uma conjugação de vários factores e azares. Ok, mas isso é um bocado de treta. Quase todos os acidentes ocorrem quase sempre na conjugação de várias circunstâncias, de vários azares inesperados, de pequenas ou grandes incúrias com pequenas ou grandes deficiências técnicas, etc, etc.

Olhemos por exemplo para o sector da aviação, um sector com regras muito rigidas de segurança no Ocidente. Mas mesmo com companhias ocidentais, ocorrem acidentes, e geralmente ocorrem sempre com a tal conjugação inesperada de várias circunstâncias e azares que ninguém conseguiu prever.

Por exemplo o acidente do Concorde. Foi preciso um pedaço de metal dum DC-10 da Continental cair na pista. Foi preciso esse pedaço de metal estoirar com o pneu do Concorde. Foi preciso um pedaço de pneu bater numa parte frágil da asa do Concorde. Foi preciso passar um tubo de combustivel nessa zona da asa. Foi preciso a tripulação desligar o motor afectado mas ocorrer o azar do trem avariar e não recolher provocando uma inclinação fatal no avião, sendo o outro motor insuficiente quando normalmente o seria, etc,etc.

Já mais recentemente tivemos outro acidente inexplicável, com a tal sucessão fatal de azares ou circunstâncias. O acidente do GOL na Amazonia. Dois aviões a chocarem no ar num imenso espaço aereo. Também foi uma sequência única de azares. Um novo avião com uma aparente avaria, ainda por cima intermitente, no transponder. Uma pequena mancha no espaço aereo com má cobertura de radar. Uma ordem errada dum controlador aereo. Problemas de comunicações. Tudo coisas que são previstas isoladamente mas que nunca ninguém consegue prever quando conjugadas, originando um acidente.

Toda esta treta para dizer que isso do baixo ou risco nulo é um mito. Nem a Deus hoje se deve exigir a perfeição, quanto mais ao homem ...
E no caso nuclear,nem sequer a história ajuda a esse mito. Nas estatísticas consta "apenas" um acidente muito grave, Chernobyl (7 na International Nuclear Event Scale), e um grave, Three Mile Island, (5 na International Nuclear Event Scale). Se contarmos o número de centrais nucleares e se considerarmos o nº de acidentes e incidentes, não se pode dizer que seja um sector com uma invejável segurança, antes pelo contrário.

E se acrescentarmos aos acidentes o facto de ocorrerem muitos incidentes do qual raramente ouvimos falar, ainda menos segura me parece. O último dos quais foi na Suécia, em Julho do ano passado, e que está neste momento a provocar um enorme debate no país, pois a investigação desse incidente concluiu que existem falhas graves que já existiam há pelo menos 3 anos sem que tivessem sido detectadas, e que foi por mera sorte nada de grave tivesse ocorrido.

Recordo que a Suécia se considerava e era considerada por muitos como o país com a melhor segurança nuclear no mundo. Mais um mito que se desmonorou... Para além desses problemas, ainda há poucas semanas foi revelado que num teste de alcoolemia a 25 funcionários criticos da central ... onde 3 deles estavam alcoolizado e foram despedidos.

Coisas desse género tem acontecido noutros locais, Japão por exemplo, e até uns mais pequenos em Espanha, mero exemplo. E desconfio que em França também ocorrem mas acabam por ficar nos segredos dos Deuses...

O mito do custo baixo

Havendo risco, mesmo reduzido, quem o suporta ? No caso do nuclear, ninguém. As consequências de um acidente nuclear são tão grandes que, por exemplo, nenhuma seguradora estaria disposta a segurar tal risco. Nenhuma empresa energética, por muito grande que fosse, teria capacidade para suportar os custos por exemplo dum Chernobyl.

Pelo que na prática, ninguém suporta esses custos do risco e muito menos os paga. Nem reflectem essa realidade nos custos da energia. Até nós próprios para circularmos na estrada somos obrigados a um seguro obrigatório com uma cobertura mínima de 600.000€ para fazer face a alguma catástrofe que provoquemos na estrada. Na industria nuclear não, o que é surpreendente, porque não me ocorre nenhum sector de actividade onde as consequências dum acidente sejam tão devastadoras.

Na prática são os Estados a suportar esses custos, e de forma irresponsável e despreocupada. Logo aqui deixo a minha pequena facada nos meus colegas liberais.

O acidente de Chernobyl para além de tudo o resto, foi o maior cataclismo económico da história humana. Ninguém sabe quando custou, mas numa perspectiva conservadora, aponta-se para um valor na ordem dos 250/350 mil milhões de Euros, e isto na União Soviética, em que parte do problema foi resolvido com sacrifício humano (os liquidatários), cenário impensável nas nossas democracias acomodadas. E ainda hoje é um problema não resolvido, vai continuar a absorver fortunas durante décadas.

Chernobyl demonstrou que nenhum país tem dimensão nem está preparado para tal cenário. O acidente contribuiu e muito para o fim da própria União Soviética.

Mesmo supondo riscos baixissimos, pode um país pequeno como Portugal lidar com um cenário destes ? Obviamente que não. Teria um impacto económico e social tão violento que retrocederiamos 100 ou 200 anos. Quando alguns dizem que é indiferente nós não termos nuclear porque já estamos a correr os riscos das centrais espanholas a 150km da fronteira. É verdade, já corremos esses riscos, mas há essa pequena diferença. Para além da tragédia que se poderia abater sobre nós, seriam sobretudo os proprietários, neste caso os espanhois, a terem que resolver o problema.

Voltando ao custo da energia nuclear, e agora que tentei explicar que o custo não é o real, sendo portanto injusto a sua comparação com o custo de outras formas de energia, há outras questões que se podem discutir, como por exemplo, o facto de grande parte da pequisa e inovação ter sido subsidiada ou financiada pelos Estados, quer via militar, quer instituições científicas estatais. Foi incluído no preço da energia nuclear toda essa I&D feito pelos Estados ? Ou seja, deixo mais esta pequena facadinha liberal nos meus colegas liberais.

Para terminar, há ainda uma coisa que nao tem a ver com a economia, o custo ou a dimensão, mas que se calhar é a mais importante de todas: a proliferação nuclear.
Vivemos tempos muito conturbados com a ameaça terrorista. A proliferação nuclear mesmo para fins pacíficos é preocupante. Teremos nós alguma moralidade de exigir que o Irão não use o nuclear se nós também não o fizermos ? Teremos que aceitar ou dizer que se até o Paquistão ou a India tem nuclear, nós também o podemos perfeitamente ter ? Será que não foi um enorme erro o nuclear nesses países, e será que em cima de um erro vamos continuar a justificar outros ?

Face a tudo o que disse, para mim o nuclear não é opção actualmente. Existem muitos outros caminhos a percorrer, estamos ainda longe de uma situação radical em que não temos outra escolha, e até lá confio no engenho humano para inventar soluções mais seguras do que deixármos aos nossos filhos e netos a tarefa delicada, arriscada e custosa de desmantelar centenas de centrais nucleares em todo o mundo. Quem tomou a decisão de as construir pensou apenas no seu tempo, passou a batata quente para as gerações que se seguirão. Eu não gosto de pensar ou actuar assim.


apr:) apr:) apr:)
 
Liberal, o teu texto é um bocado confuso na minha perspectiva.

Relativamente à segurança não podemos entrar na questão do risco nulo.

Não há riscos nulos. Existem riscos diminutos.

E o nuclear é, demonstrativamente, um risco diminuto. Isso implica que não haja riscos?

Óbvio que não. E acho que ninguém no seu perfeito juízo o afirma.

Pela tua argumentação no que diz respeito à segurança, dir-se-ia que a aviação comercial devia ser proíbida, afinal de contas uma tecnologia e "indústria" tão segura e fiscalizada, acaba sempre por ter acidentes.

É que se formos entrar por aí, não podemos fazer nada, não achas? ;)

Relativamente aos custos, pouco interessa se os custos de desenvolvimento foram militares, civis ou o que quer que seja.

Hoje a aplicação da tecnologia nuclear tem um custo bem definido e a relação custo/benfício é ainda vantajosa.

Se formos entrar pelo esotorismo de o menosprezarmos com base no tal factor risco (como é que isso se mede num contexto de custo/benefício?) não é lá muito bom.

E voltamos sempre ao mesmo.

Como produzir a energia que necessitamos.

Não se quer o nuclear?

Muito bem, então que se assuma que se vai ter electricidade muito cara.

É uma opção.

Porque, quer queiram quer não, as renováveis não conseguem dar resposta apenas por si só a este problema. Neste momento não conseguem. Talvez um dia consigam.

Agora uma das hipocrisias maiores é a nossa que andamos a mandar milhares de milhões de toneladas de produtos da queima do petróleo e negamos o nuclear com base em preocupações ambientais.
 
Liberal, o teu texto é um bocado confuso na minha perspectiva.
Pela tua argumentação no que diz respeito à segurança, dir-se-ia que a aviação comercial devia ser proíbida, afinal de contas uma tecnologia e "indústria" tão segura e fiscalizada, acaba sempre por ter acidentes.
É que se formos entrar por aí, não podemos fazer nada, não achas?;)

Não, o problema não é apenas o nível de risco mas as consequências desse risco.

Por exemplo, eu tenho a hipotese de construir dois automóveis:

Automóvel A) Movido a energia eléctrica com umas baterias revolucionárias.
Automóvel B) Outro movido a energia quimica num processo maluco qualquer.

Qualquer um deles teria um risco baixo, imaginemos, 0.000001 de explodir repentinamente, ou qualquer coisa assim.

Mas enquanto no automóvel A esse risco corresponde a danos limitados num area de 50 a 200 metros quadrados, podendo significar esse risco a minha morte, ou a minha e de ocupantes, ou num azar extremo, num parque de estacionamento dum centro comercial onde uma explosão atingisse dezenas de pessoas à minha volta.

O automóvel B, apesar de ter o mesmo risco de explosão de 0.000001, existe a possibilidade da explosão libertar um produto quimico que pode matar centenas ou milhares de pessoas numa cidade.

No primeiro caso, o risco de 0.000001 poderia ser aceitável, no segundo caso não o é.

Relativamente aos custos, pouco interessa se os custos de desenvolvimento foram militares, civis ou o que quer que seja.

Interessa sempre, pelo menos a um liberal. Se tu amanhã desenvolveres uma nova forma de energia, paga toda do teu bolso, como podes achar justa a comparação com outra forma de energia, em que o Estado fez toda a I&D, em que o Estado assume todos os riscos e em que provavelmente será o Estado a resolver as questões ainda hoje sem resposta, como as dos residuos ?

Pela tua argumentação no que diz respeito à segurança, dir-se-ia que a aviação comercial devia ser proíbida, afinal de contas uma tecnologia e "indústria" tão segura e fiscalizada, acaba sempre por ter acidentes.

Não, exactamente pelo que te disse em cima. Os riscos e consequências dos acidentes são ponderados. Eu falei da aviação porque é de facto um sector excelente para dar exemplos nesta questão da análise de riscos.

Depois do 11 de Setembro os prémios de seguros aumentaram em todo o mundo, em imensos sectores de actividade. Porquê ? Porque subitamente apareceu uma nova realidade até aqui desconhecida e imprevista nos modelos de análise de risco. O risco da queda de um avião já não era apenas o risco teórico da perca da aeronave e de algumas centenas de vidas, mas um novo risco do mesmo avião afinal poder provocar uma tragédia em muito maior escala. E essa realidade obrigou a um recálculo do risco em muitas áreas.

Percebes o que eu quero dizer ? Ora no nuclear, esse risco de matar em larga escala existe desde sempre e é tão alto que na prática ninguém o paga pois de contrário o seu custo inviablizaria a produção de energia nuclear. Mas o risco, esse, permanece lá.

Hoje a aplicação da tecnologia nuclear tem um custo bem definido e a relação custo/benfício é ainda vantajosa.

É vantajosa apenas porque ninguém paga o risco como afirmei. Se algo correr mal, não será o produtor a resolver e a pagar os estragos. Seremos todos nós. Enquanto que se algo correr mal com a minha ou a tua nova forma de energia, serás tu a assumir os fracassos e os custos dos acidentes.

Agora uma das hipocrisias maiores é a nossa que andamos a mandar milhares de milhões de toneladas de produtos da queima do petróleo e negamos o nuclear com base em preocupações ambientais.

Nisso tens toda a razão, e por favor não me confundas com um eco-taliban. A minha opinião até é a de que os fundamentalistas ecológicos são neste momento o maior aliado do sector nuclear ao qual eu pessoalmente me oponho. A ironia da história mostrará que a proliferação nuclear em muito se deverá aos paranoicos do aquecimento global por exemplo.


Simplesmente tentei dizer várias coisas:

1) Portugal: acho que a energia nuclear em Portugal não é viável, nos moldes actuais, dada a nossa dimensão e o nosso know-how nulo nesta área. Só o seria se fosse explorado por um qualquer grupo energético detentor de muitas outras centrais. Se fosse assim tão bom negócio já teriamos pedidos das empresas portuguesas da área energética a estudar o assunto.

2) Mesmo que fosse viável, a energia nuclear é barata porque não é contabilizado o seu risco.

3) Não acho que estejamos numa situação tão grave que não tenhamos outras alternativas. Antes do nuclear prefiro pôr as gravuras do Coa a nadar por exemplo. Ou se 70% do preço da gasolina são impostos isso significa que há uma margem considerável até chegarmos a um cenário de ruptura energética.
 
Liberal, o risco de morreres devido a um acidente numa central nuclear é radicalmente inferior ao de morreres num acidente de automóvel.

Todos os anos morrem na europa cerca de 35,000 pessoas em acidentes de viação. Para seres coerente devias igualmente defender a proibição do trânsito automóvel.

Basta dizer que só em Portugal morrem anualmente mais pessoas que a soma de todas de vítimas de acidentes nucleares em todo o mundo, em toda a história da energia nuclear.

Este facto deveria bastar...

PS: eu continuo a defender a energia nuclear, mas estou convencido que é impossível construir uma CN em Portugal, pois nenhum gpverno teria coragem para definir a sua localização...
 
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