Liberal
New member
Ora bem, a minha opinião, finalmente!, não vai de encontro aos restantes foristas mais liberais com que partilho tantas discussões [
]
A minha opinião sobre o nuclear foi evoluindo ao longos dos anos, mas hoje e para já posso dizer que me considero contra o nuclear em Portugal, por razões muito particulares.
Não tenho grande oposição contra o nuclear nem tenho receios da tecnologia. Sendo assim, porque é que sou contra ? Por várias razões:
1) A dimensão do país. A energia nuclear faz sentido em grandes países como a França, Espanha, etc. Ou seja, falo de países que necessitam ou já tem de 10, 20, 30, 40 ou mais centrais. A energia nuclear para ser segura exige muito know-how, responsabilidade, manutenção, fiscalização, monitorização, e claro, uma gestão acima da perfeição. Uma estruura dessas é pesada e gigante, tem custos brutais, e só se justificam (quanto a mim) num cenário em que determinada entidade tenha sob si a responsabilidade de um número razoável de centrais nucleares.
2) Face a isso, Portugal não tem dimensão critica para isso, e muito menos tem know-how para tal. Além dos custos de construção serem muito superiores a uma Espanha ou França por exemplo, derivado da importação de todo o know-how e materiais de tecnologia nuclear, os custos de operação seriam também muito superiores dada a nossa muito limitada dimensão.
3) Outro factor importante para a minha opinião hoje, é a realida energetica em que vivemos. Nós hoje estamos numa grelha, a electricidade que eu estou neste momento a consumir para escrever isto pode estar a vir de Portugal ou da Alemanha. É um sistema muito dinâmico e complexo do qual a maior parte das pessoas nem sequer se apercebe.
Outro facto é a realidade económica e empresarial actual e futura. Por exemplo, a nossa EDP é uma empresa transnacional. A espanhola Endesa foi comprada pela alemã EON. A espanhola Iberdrola comprou a escocesa Scottish Power. A EDP comprará ou será comprada por outra empresa qualquer. Sendo assim, não faz qualquer sentido discutirmos a energia portuguesa gerada por uma central portuguesa. É simplesmente energia, que será vendida para Portugal ou para qualquer outro local onde essa energia seja necessária, mas o local onde é gerada e onde é consumida começa a ser indiferente. A energia eléctrica hoje já não tem nacionalidade, e não é o facto dela ser gerada do lado de lá da fronteira que faz com que ela seja mais cara. A electricidade nuclear a determinada hora importada da Alemanha pode ser mais barata do que a electricidade a determinada hora produzida por uma éolica ou uma barragem nossa, e vice versa.
Face a essa realidade, em que por exemplo a nossa EDP estará futuramente integrada noutro grupo qualquer, ou por exemplo a Iberdrola que vai construir centrais a gas em Portugal, serão grupos transnacionais que detêm empresas que gerem centrais nucleares. E que tem a tal massa critica de que falei no ponto 1).
E serão essas empresas que ao quererem construir uma nova central falarão com as autoridades nacionais e locais, escolhem o local mais adequado, seja em Portugal, seja noutro lado qualquer, e os interessados terão que nessa altura debater os prós e os contras. Não será por exemplo um qualquer individuo caído de paraquedas como o Patrick Monteiro de Barros que mete 3 ou 4 pessoas a fazer lobby nos jornais e televisão para vender uma central nuclear como quem vende um queijo da Serra. Isso não faz sentido nenhum nem merece qualquer crédito, pois seria um projecto completamente inviável. E perigoso.
Portanto discutir o nuclear como se tem discutido até aqui não faz muito sentido. Dizer que já deveriamos ter uma central ou que deveriamos construir uma amanhã também não faz sentido.
Mas ... mas se aparecer um grande grupo energético europeu, com toda uma estrutura já montada para gerir o nuclear numa escala razoável, aí sim, eu voltarei a ponderar os prós e contras, e provavelmente já serei favorável a uma central em Portugal. De contrário não serei. E esse cenário ainda não ocorreu e não há perspectivas de vir a ocorrer nem sequer a médio prazo.
4) Dito udo isto, já sei que me vão dizer que então não faria sentido a Finlandia por exemplo apostar no nuclear. E quanto a mim se calhar não faz. Mas entendo a opção finlandesa. Para começar tem um clima muito mais agreste. E depois passaram por uma crise complicada em que perderam dum momento para o outro o parceiro energético e comercial a quando do colapso soviético e passaram um muito mau bocado por isso.
Provavelmente a decisão principal da opção nuclear finlandesa não é económica mas de soberania nacional, independência e desconfiança perante o futuro. É uma opção muito válida, também para Portugal
. Mas como disse, essa independência terá custos enormes, a energia nuclear não é barata num cenário como o finlandês ou português, e além do mais não nos garantaria a tal independência, pois a energia eléctrica constitui apenas uns 20 ou 30% do total da energia consumida.
5) Pmct, eu discordo sobre o custo da energia nuclear ser barata. Há uma quantidade enorme de externalidades que deveriam ser contabilizadas no nuclear e não o são.
Agora não tenho mais tempo para escrever, mas tentarei dar a minha opinião sobre isso mais tarde ou amanhã.
A minha opinião sobre o nuclear foi evoluindo ao longos dos anos, mas hoje e para já posso dizer que me considero contra o nuclear em Portugal, por razões muito particulares.
Não tenho grande oposição contra o nuclear nem tenho receios da tecnologia. Sendo assim, porque é que sou contra ? Por várias razões:
1) A dimensão do país. A energia nuclear faz sentido em grandes países como a França, Espanha, etc. Ou seja, falo de países que necessitam ou já tem de 10, 20, 30, 40 ou mais centrais. A energia nuclear para ser segura exige muito know-how, responsabilidade, manutenção, fiscalização, monitorização, e claro, uma gestão acima da perfeição. Uma estruura dessas é pesada e gigante, tem custos brutais, e só se justificam (quanto a mim) num cenário em que determinada entidade tenha sob si a responsabilidade de um número razoável de centrais nucleares.
2) Face a isso, Portugal não tem dimensão critica para isso, e muito menos tem know-how para tal. Além dos custos de construção serem muito superiores a uma Espanha ou França por exemplo, derivado da importação de todo o know-how e materiais de tecnologia nuclear, os custos de operação seriam também muito superiores dada a nossa muito limitada dimensão.
3) Outro factor importante para a minha opinião hoje, é a realida energetica em que vivemos. Nós hoje estamos numa grelha, a electricidade que eu estou neste momento a consumir para escrever isto pode estar a vir de Portugal ou da Alemanha. É um sistema muito dinâmico e complexo do qual a maior parte das pessoas nem sequer se apercebe.
Outro facto é a realidade económica e empresarial actual e futura. Por exemplo, a nossa EDP é uma empresa transnacional. A espanhola Endesa foi comprada pela alemã EON. A espanhola Iberdrola comprou a escocesa Scottish Power. A EDP comprará ou será comprada por outra empresa qualquer. Sendo assim, não faz qualquer sentido discutirmos a energia portuguesa gerada por uma central portuguesa. É simplesmente energia, que será vendida para Portugal ou para qualquer outro local onde essa energia seja necessária, mas o local onde é gerada e onde é consumida começa a ser indiferente. A energia eléctrica hoje já não tem nacionalidade, e não é o facto dela ser gerada do lado de lá da fronteira que faz com que ela seja mais cara. A electricidade nuclear a determinada hora importada da Alemanha pode ser mais barata do que a electricidade a determinada hora produzida por uma éolica ou uma barragem nossa, e vice versa.
Face a essa realidade, em que por exemplo a nossa EDP estará futuramente integrada noutro grupo qualquer, ou por exemplo a Iberdrola que vai construir centrais a gas em Portugal, serão grupos transnacionais que detêm empresas que gerem centrais nucleares. E que tem a tal massa critica de que falei no ponto 1).
E serão essas empresas que ao quererem construir uma nova central falarão com as autoridades nacionais e locais, escolhem o local mais adequado, seja em Portugal, seja noutro lado qualquer, e os interessados terão que nessa altura debater os prós e os contras. Não será por exemplo um qualquer individuo caído de paraquedas como o Patrick Monteiro de Barros que mete 3 ou 4 pessoas a fazer lobby nos jornais e televisão para vender uma central nuclear como quem vende um queijo da Serra. Isso não faz sentido nenhum nem merece qualquer crédito, pois seria um projecto completamente inviável. E perigoso.
Portanto discutir o nuclear como se tem discutido até aqui não faz muito sentido. Dizer que já deveriamos ter uma central ou que deveriamos construir uma amanhã também não faz sentido.
Mas ... mas se aparecer um grande grupo energético europeu, com toda uma estrutura já montada para gerir o nuclear numa escala razoável, aí sim, eu voltarei a ponderar os prós e contras, e provavelmente já serei favorável a uma central em Portugal. De contrário não serei. E esse cenário ainda não ocorreu e não há perspectivas de vir a ocorrer nem sequer a médio prazo.
4) Dito udo isto, já sei que me vão dizer que então não faria sentido a Finlandia por exemplo apostar no nuclear. E quanto a mim se calhar não faz. Mas entendo a opção finlandesa. Para começar tem um clima muito mais agreste. E depois passaram por uma crise complicada em que perderam dum momento para o outro o parceiro energético e comercial a quando do colapso soviético e passaram um muito mau bocado por isso.
Provavelmente a decisão principal da opção nuclear finlandesa não é económica mas de soberania nacional, independência e desconfiança perante o futuro. É uma opção muito válida, também para Portugal
. Mas como disse, essa independência terá custos enormes, a energia nuclear não é barata num cenário como o finlandês ou português, e além do mais não nos garantaria a tal independência, pois a energia eléctrica constitui apenas uns 20 ou 30% do total da energia consumida.
5) Pmct, eu discordo sobre o custo da energia nuclear ser barata. Há uma quantidade enorme de externalidades que deveriam ser contabilizadas no nuclear e não o são.
Agora não tenho mais tempo para escrever, mas tentarei dar a minha opinião sobre isso mais tarde ou amanhã.