Portugal fecha embaixada no Iraque
"A embaixada portuguesa até está localizada numa zona relativamente calma, o bairro de Al-Mansur, em Bagdad, não longe da Zona Verde", lamentava ontem, em declarações ao DN, o embaixador Hussain Mualla, reagindo à decisão de Lisboa de encerrar a representação diplomática portuguesa no Iraque. "A minha casa de família fica precisamente em Al-Mansur, conheço muito bem a zona.
Estão lá as embaixadas da Alemanha, Espanha, Polónia, Hungria... Respeitamos as restrições económicas, a explicação que nos foi apresentada pelo Governo português, mas é claro que ficamos tristes."
O PSD reserva palavras mais duras para esta decisão, fundamentada nas "difíceis condições de segurança da missão" e nos "custos financeiros que lhe estão associados", como se afirma em comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Ao DN,
Azevedo Soares, vice-presidente do PSD, considera que esta é uma "decisão inesperada, incompreensível e inaceitável", tanto mais que "o Iraque é um país extremamente relevante naquela área do Globo". E numa altura em que o nosso país se prepara para assumir a presidência rotativa da União Europeia, no segundo semestre do ano, "Portugal envia um sinal preocupante, de ambiguidade, a todo o mundo, em geral, aos iraquianos, em particular, e sobretudo aos nossos parceiros da UE", diz Azevedo Soares, revelando que o seu partido "vai pedir explicações ao Governo".
Na berlinda, o Executivo informa que "enquanto as condições de segurança não se alterarem, a representação portuguesa passará a ser assegurada através de embaixador com residência em Lisboa, que cobrirá igualmente outros Estados do Golfo". Mais: "Portugal conservará instalações de apoio administrativo na capital iraquiana."
O embaixador Mualla reconhece que "as rendas praticadas em Al-Mansur, uma zona muito luxuosa, são extremamente elevadas", mas assegura que o seu Governo dá tudo por tudo para não afugentar as representações estrangeiras - "entre 40 e 50". "Fazemos o máximo para impor a ordem." No terreno, "estão representados os grandes países, como os EUA, o Canadá, a China, o Brasil, também, a maioria dos Estados europeus". E não será por aqui, pela decisão de Lisboa, que as relações com Bruxelas serão afectadas.
Bagdad soube por carta do MNE, Luís Amado, ao seu homólogo iraquiano, Hoshiar Zebari, na qual se "reitera o firme apoio de Portugal aos esforços do Governo iraquiano para a reconstrução do país e consolidação das suas instituições democráticas".
Em
http://dn.sapo.pt/2007/03/08/internacional/portugal_fecha_embaixada_iraque.html