Suicídio de alemão, desesperado com burocracia portuguesa

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MrGrieves

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O suicídio de um cozinheiro alemão na Fortaleza de Sagres, alegadamente devido a problemas com a burocracia municipal na abertura do seu restaurante, está a provocar uma onda de indignação na comunidade alemã do oeste algarvio


Há seis anos que Frank-Peter Marcischewski, 54 anos, solteiro, residente em Portugal há oito anos, enfrentava problemas, primeiro com a construção e posteriormente com a papelada necessária para a abertura do restaurante que decidira abrir em parceria com o seu amigo Horst Schültze, 51 anos, na aldeia de Hortas do Tabual, próximo de Vila do Bispo.

Vários amigos que o homenagearam terça-feira à noite disseram à Lusa que na passada segunda-feira Frank dirigiu-se às Finanças e posteriormente à Câmara para levantar a tão esperada licença de utilização do estabelecimento.

Levantara-se bem cedo naquele dia e partiu às 06:30 para um supermercado na Guia, a uma centena de quilómetros, para fazer as últimas compras para o estabelecimento, que deveria ser inaugurado no dia seguinte.

No regresso, deu boleia até ao estabelecimento a Hans Müller, 47 anos, o outro cozinheiro da casa e um dos três empregados já contratados pela dupla de sócios. Hans garante ter visto nele um homem feliz e excitado perante a perspectiva de concretizar finalmente o sonho da sua vida ao fim de seis anos de construção, burocracias e esperas várias. «Chegámos por volta das 9h00, tomámos o pequeno-almoço e ele saiu para ir às Finanças levantar a licença, contratar o padeiro e fazer algumas compras», relata o cozinheiro, jurando - tal como os demais - que Frank não padecia de qualquer quadro depressivo.

Pelo contrário, reiteram todos os que o conheciam, andava excitado e feliz. A última vez que a romena Daniela Elena, 36 anos, mulher do sócio Horst, falou com Frank, foi por telemóvel, quando ele estava nas Finanças à espera de ser atendido. «Falei-lhe do contrato com o padeiro e ele pareceu-me muito bem-disposto», afirma Daniela. O que se passou depois, ninguém sabe ao certo. Daniela só sabe o que ouviu da boca do contabilista da casa, com quem a Lusa não conseguiu falar: nas Finanças ter-lhe-ão dito que não era ali que se entregavam licenças, mas sim na Câmara.

Desde 22 de Dezembro que uma licença de utilização do restaurante «Í» aguardava que alguém a fosse buscar, mas nela não era mencionado o nome de Frank, mas apenas o do seu amigo de adolescência Horst, dono da casa, com quem fizera um acordo de comodato em Novembro de 2005 que na prática permitia a partilha do restaurante.

Surpreendido com a falta do seu nome no ansiado papel, Frank - que mal falava português - terá percebido que não poderia inaugurar o estabelecimento no dia seguinte, como se tinha proposto.

Pegou no carro, percorreu os cerca de 20 quilómetros que o separavam da Fortaleza de Sagres, onde entrou pela primeira vez na vida, a pé, pagou os três euros exigidos na bilheteira como qualquer turista, aproximou-se da falésia e atirou-se.

Testemunhas garantem que gritou muito antes de cair nas águas profundas dezenas de metros abaixo, de onde seria retirado ainda com vida, na mesma manhã, por uma equipa da Marinha. Morreu pouco depois, devido às lesões internas provocadas pelo embate na água.


Não deixou qualquer carta de despedida, nem falou com ninguém antes do desfecho final: debaixo dos assentos do carro encontraram os 300 euros que não chegou a gastar nas compras que faltavam para a festa de inauguração. «Isto não é uma festa, é para dizer que o Frank está aqui», observava Horst Schültze à hora da inauguração, terça-feira ao princípio da noite, convertida em homenagem de amigos, apontando o peito. Nele bate um coração doente que sobrevive com a ajuda de um «pacemaker» e que - jura a mulher, Daniela - mal tem resistido à perda de um amigo feito há 40 anos na Alemanha.

Ali, no único restaurante de Hortas de Tabual, a poucos quilómetros das praias da Ingrina e Zavial, quase meia centena de alemães e portugueses, na maioria gente simples, juntaram-se para recordar Frank, junto a uma foto sua rodeada de flores.

«Houve claramente uma grande falta de sensibilidade da funcionária que atendeu o Frank, até porque segundo o contabilista o restaurante podia abrir mesmo sem o nome dele na licença, que seria posto posteriormente», garante uma amiga portuguesa do alemão, que prefere manter-se anónima.

Na mente de todos estão as complicações surgidas desde que os dois amigos decidiram abrir o restaurante, há seis anos, como os problemas com os estacionamentos, as exigências de insonorização e tectos falsos. Muitos consideram que houve clara má vontade do município, desde que o processo deu entrada na Câmara pela primeira vez, em Julho de 2003. «Fizemos tudo o que foi pedido, a lei era para cumprir, mas muita gente nos disse que havia má vontade contra nós. Nunca quisemos acreditar, mas agora vem mais isto, já nem sabemos o que pensar», afirma a mulher do proprietário.

Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Vila do Bispo, Gilberto Viegas, lamentou o sucedido, mas atribuiu-o a um eventual problema de interpretação de Frank-Peter Marcischewski.

«Em nenhum dos documentos existentes na Câmara aparece o nome desse senhor, mas sempre o do senhor Horst, que era o proprietário do restaurante e da casa de habitação que lhe fica por cima», afirmou.

Refutando que a longa espera se deva à burocracia camarária, o autarca atribuiu a lentidão do processo às várias exigências da lei face à complexidade das obras a fazer e das alterações requeridas pelos proprietários.

Gilberto Viegas explicou que a entrada do projecto de arquitectura do restaurante, há quatro anos, tornou exigível a alteração do alvará e da licença de uso, uma vez que inicialmente a construção se destinava a habitação, em nome de Horst Schültze.


«O que fez o processo atrasar é que ele [Horst] não executou a obra conforme o projecto, construiu um jardim em vez de lugares de estacionamento, que são exigidos por lei, e o tempo foi-se arrastando», concretizou, sublinhando que, em 2005, foi a sua intervenção pessoal que possibilitou que se avançasse nas tarefas burocráticas.

Sobre o que ocorreu segunda-feira de manhã, Gilberto Viegas garantiu que a licença de utilização já se encontrava na câmara desde 22 de Dezembro, em nome do proprietário, Horst, mas asseverou que a falta do nome de Frank «nunca impediria o restaurante de abrir na data prevista».

«Era uma questão de fazer um averbamento e daqui a poucos dias o nome do senhor Frank já estaria na licença», disse, frisando que a inauguração poderia manter-se para terça-feira.

Fonte do gabinete da presidência do município reiterou posteriormente à Lusa que «ninguém disse [a Frank] que o restaurante não podia ser aberto na data prevista», uma vez que a licença de utilização estava pronta.

«Ele veio cá levantar a licença e perguntou o que precisava para fazer o averbamento e a funcionária explicou-lhe que era preciso a cópia de um contrato de arrendamento ou alguma coisa que o ligasse ao senhor Horst», disse a mesma fonte, escusando-se a precisar os termos exactos em que a informação foi prestada.

A Agência Lusa teve acesso a uma cópia do contrato de comodato - uma cedência a título gracioso - celebrado entre os dois amigos a 01 de Novembro de 2005, documento que poderia ser suficiente para a inclusão do nome de Frank na licença.


Lusa/SOL
 
Sabem la se foi apenas a burocracia que provocou o suicido. Parece-me uma historia mal contada. Acho que é de muito mau gosto estar indirectamente a mandar as culpas para a funcionaria que o atendeu...
 
Horst Schültze.

Estava tudo em nome dele.

Dá para pereceber como o suícida Frank-Peter Marcischewski se sentiu....

Traído pelo seu amigo.
 
Sabem la se foi apenas a burocracia que provocou o suicido. Parece-me uma historia mal contada. Acho que é de muito mau gosto estar indirectamente a mandar as culpas para a funcionaria que o atendeu...
Não sabia que havia uma funcionaria chamada burocracia.

Mas pronto.

Relativamente ao tema, admiram-me não haver mais tiros em Portugal, principalmente contra políticos.
 
Lamento a ocorrência :( , mas...


se fosse assim, andávamos todos por aí a morrer pelas repatições.





Deves estar algo por dizer/esclarecer:confused:
 
Horst Schültze.

Estava tudo em nome dele.

Dá para pereceber como o suícida Frank-Peter Marcischewski se sentiu....

Traído pelo seu amigo.

Já para não falar que a culpa é da burocracia mas a licença estava há quase 3 meses pronta para ser levantada!:sh)

Paz á alma do senhor, mas quem está a fazer estas insinuações devia ter vergonha na cara!!:sh)
 
Não sabia que havia uma funcionaria chamada burocracia.

Mas pronto.

Relativamente ao tema, admiram-me não haver mais tiros em Portugal, principalmente contra políticos.

Mas a funcionaria nao tem que sequer ser referenciada porque nao tem culpa de como funciona a burocracia portuguesa. Provavelmente o homem tinha outros problemas. Imagina que tas no teu local de trabalho, atendes uma pessoa e ela suicidade-se a seguir!! Tu podias nao te importar mas eu no minimo processava quem escreveu essa noticia.
 
Se tinha uma ordem para fazer lugar de estacionamento no projecto e passou ao lado do que lhe foi exigido pq é que se admirou com o atraso?

:/ isto tá mal contado ou é impressão minha?

RR
 
Que texto tão comovente... mas digno de um romance daqueles se se vendem nas estações de serviço e não de uma peça de "jornalismo" !

Mas as traições são complicadas de facto !
 
É triste chegar a estas situações extremas...

No passado Verão estive à conversa com um inglês que decidiu vir viver para Portugal na altura da sua reforma. Metade da conversa esteve-me a falar da burocracia necessária à compra e legalização de uma casa e ao facto de ter de ir a não-sei-quantos serviços (água, gás, etc) e no mesmo serviços falar com não-sei-quantas pessoas (umas a empurrar para as outras).
 
Se nós Portugueses somos empurrados de um lado para o outro e fazem de nós "gato-sapato" eu imagino o que fazem aos estrangeiros. [s)]
 
Se a causa fosse a burocracia Portuguesa, a população á muito que tinha reduzido drasticamente.

Algo falta nesta história ...


Precisamente.

Eu a pouco tempo comprei casa e fui eu que tratei de tudo o que foi papeis, se eu me suicida-se por cada vez que me atrasaram os papeis tinha me suicidado umas 5 ou 6 vezes.

É triste mas é verdade.

Não querendo ser mal interpretado isto só me faz lembrar uma história de filme... parece que o sr. estava mesmo sozinho e "só" tinha os amigos com quem contar, e se algo se passou, sem ninguem com quem contar achou que a solução era mesmo a morte.
 
Parece-me óbvio que ninguém se suicida só por isso, quanto muito terá sido o culminar de uma série de factores que levaram ao suicídio, agora um gajo matar-se porque não consegue abrir um restaurante? :/
 
É triste chegar a estas situações extremas...

No passado Verão estive à conversa com um inglês que decidiu vir viver para Portugal na altura da sua reforma. Metade da conversa esteve-me a falar da burocracia necessária à compra e legalização de uma casa e ao facto de ter de ir a não-sei-quantos serviços (água, gás, etc) e no mesmo serviços falar com não-sei-quantas pessoas (umas a empurrar para as outras).

Na empresa temos alguns clientes com esse perfil. Ingleses, Alemães, Holandeses, Suecos, todos de elevado poder de compra que compram/ constroem grandes casas cá e vêm para cá viver a reforma. Situam-se maioritariamente no Alentejo e Algarve...

Já ouvi de 2 o seguinte comentário que achei mt curioso, qd falávamos precisamente do assunto da burocracia:

"The Portuguese are half as organized as we are, but on the other hand are twice as friendly" [:cool:]

Obviamente que se concluia na conversa que eles não estavam mt satisfeitos com a situação da burocracia, mas mencionam o factor humano, de uma certa proximidade, como factor que nos distingue da Europa do Norte de onde vêm.
 
modo insensível on

nao sei quantos anos a viver num país e nem sabe falar a língua desse país o suficiente para compreender que a licença já era válida há 3 meses e que as culpas dos atrasos foram mais do "seu amigo" do que da burocracia?

Nao me admira que se tenha suicidado

modo insensível off

Texto tendencioso qb....
 
Em princípio o suicídio pode ter sido o culminar de uma depressão e de outros factores na sua vida pessoal.

Aqui na Polónia estou um pouco como ele mas vivo aqui há quase 3 anos e já arranho bem a língua e tento ser simpático com as pessoas, isso é condição para sobreviver e para contornar muitos obstáculos.

Tive um problema semelhante com as burocracias do visto de residência para a minha mulher mas juntamente com outros problemas enchi o saco e emigrei.

No caso do alemão para tão importante tarefa podia ter pago nem que fosse 15 ou 25 euros alguém para ir com ele e traduzir o que se passa.

Há países muito mais burocráticos que Portugal mas uma notícia para chocar o leitor tem que ser muito bem condimentada de modo a que os borregos que lêem os pasquins fiquem todos revoltados e espumados e voltem a comprar um jornal tão interessante.

Faca e alguidar sempre foi uma receita de sucesso.

Exemplo?

Título normal:

Veículo cai de uma falésia na Ericeira

Jovem morre em acidente de viação.

Título sal e pimenta e tabasco:


Tragédia. Morte e dor na Ericeira.

Jovem atira-se com o seu carro de 100 metros de altura.
 
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