Estradas
22-12-2008 12:36
Observatório preocupado com erros graves de construção
O Observatório de Segurança de Estradas e Cidades detectou "defeitos graves" de construção em pelo menos sete vias rápidas à volta de Lisboa que provocam fenómenos de "aquaplaning", responsáveis por vários acidentes.
O Observatório de Segurança de Estradas e Cidades (OSEC) analisou troços da CRIL, das auto-estradas A8 (Oeste), A5 (Lisboa/Cascais), A2 (Lisboa/Algarve) e A12 (Montijo/Seixal), do IP7 (o Eixo Norte/Sul) e do IC32 (Circular da Península de Setúbal/Funchalinho/Coina).
De acordo com o OSEC, os "defeitos graves de construção", sobretudo em vias rápidas, provocam fenómenos de hidroplanagem (aquaplaning) "com perigo extremo de despiste, susceptíveis de acontecer a partir dos 76 a 85 quilómetros/hora, sob chuvadas muito frequentes, de intensidade fraca e média".
"Estas condições de grave perigo surpreendem os condutores que circulam a uma gama de velocidades para as quais obrigatoriamente os responsáveis administrativos deveriam ter observado as normas técnicas de segurança e que se destinam a prevenir e obviar aos perigos de hidroplanagem", lê-se no documento.
O OSEC diz que os pavimentos destas estradas "apresentam macrorugosidades deficientes" e os sistemas de drenagem das linhas de água pluviais não são adequados, fazendo com que a água da chuva se acumule em determinados locais do pavimento.
"Nessas estradas, assinalam-se numerosas zonas onde as linhas de água apresentam extensões inaceitáveis na ordem dos 47 a 105 metros de comprimento, quando não poderiam ser superiores a três a cinco metros", aponta o Observatório.
Num ofício enviado ao Ministério das obras Públicas,
o OSEC solicitou, com urgência, "que se promovam medidas de verdade e eficácia na segurança rodoviária".
Para o Observatório, estas medidas implicarão uma "profunda remodelação das instituições do Estado e entes públicos, incluindo a sociedade de capitais públicos Estradas de Portugal SA, passando pelo departamento de Transportes do LNEC".
Os responsáveis do OSEC defendem ainda que os valores da economia de custos e da comodidade por vezes prevalecem relativamente aos da segurança.