[FONT=MS Sans Serif, MS Serif]Rolha de Cortiça x Rolha Sintética[/FONT]
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Volta e meia, vejo pessoas questionando sobre as diferenças entre as rolhas de cortiça e as rolhas sintéticas, perguntando qual seria a vantagem de uma sobre a outra. Não pretendo dar nenhuma resposta definitiva aqui, apenas relatar o pouco que sei sobre o assunto. Vou me ater apenas em rolhas de cortiça e sintéticas, não comentando sobre outros sistemas alternativos de vedação.
Das rolhas de cortiça, conheço os seguintes tipos:
100% aglomerado: Serve perfeitamente para vinhos de consumo corrente, ou seja, vinhos que são feitos para serem bebidos logo que saem ao mercado
Aglomerado 1+1: é uma rolha de alomerado com disco de cortiça maciça dos dois lados (já vi algumas com disco de cortiça apenas do lado de dentro). Também serve para vinhos de consumo corrente, mas o vinho com uma rolha dessas tem condições de ser guardado com segurança por um par de anos. Recentemente abri uma garrafa de um Valpolicella de 99 do Masi que tinha uma rolha dessas, e ela estava pouco infiltrada, não chegou à parte aglomerada, o que demonstra, hipotéticamente, que este tipo de solução pode durar mais tempo. O vinho estava estragado, mas não era culpa da rolha.
Rolha maciça: serve para vinhos de meia-guarda ou guarda. Vinhos que vamos guardar por décadas. Existem diversos graus de qualidade e diversos comprimentos.[/FONT]
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Rolha maciça 1+1: O nome já descreve, é uma rolha maciça de cortiça, com discos de cortiça dos dois lados. Imagino que a idéia seja dar mais durabilidade à rolha. Vi esse tipo em um Amarone do Michele Castellani 2000.
Qual a diferença entre uma rolha de aglomerado ou uma rolha maciça? Além do preço, e do fato da rolha de aglomerado se desintegrar mais rapidamente, a rolha de aglomerado possui uma rigidez maior que a rolha maciça. Por isso as rolhas de vinhos espumantes têm o corpo de aglomerado, com dois ou três discos de cortiça maciça. Enquanto a cortiça maciça, mais flexível, faz a vedação, a parte de aglomerado, mais rígida, suporta a pressão, junto à gaiola.
Das rolhas sintéticas, conheço dois tipos:
As rolhas totalmente maciças, de material sintético, que normalmente são utilizadas em vinhos comuns, de consumo corrente.
As rolhas com um tubo de material sintético, preenchido por filamentos paralelos extrusados, usadas em vinhos de qualidade superior. como por exemplo, Concha y Toro Trio, Altos Las Hormigas, Weinert Carrascal.
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Para Guarda, rolha sintética ou rolha de cortiça? [/FONT]
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A cortiça tem uma baixa densidade, e suas células aprisionam um gás de constituição semelhante ao ar que respiramos. Ao longo dos anos, uma rolha de cortiça permitiria uma "micro-oxigenação", que causa entre outras coisas, a polimerização de taninos e a conseqüente evolução do vinho em garrafa. Alguns fabricantes de rolhas sintéticas afirmam que suas rolhas sintéticas permitem, em determinado grau, a micro-oxigenação, benéfica para todos os vinhos de longa guarda. A questão é que o uso do material sintético é recente, e não temos estudos suficientes para saber como um vinho de guarda se comportará em 40 anos, com uma rolha sintética.
Os maiores problemas com as rolhas de cortiça naturais são a qualidade geral, que pode causar infiltrações e outros problemas, e o temido TCA ( Tricloroanisole), que dá ao vinho um desagradável odor a papel molhado, rolha podre; este é o famoso bouchoneé, que na maior parte dos casos está associado à rolhas de baixa qualidade, mas nem sempre, pois outras etapas antes do engarrafamento podem contaminar o vinho com o TCA. Ou seja, uma rolha sintética não garante a ausência de TCA em um vinho.
Até o presente momento, não notei nenhum problema nos vinhos com rolha sintética que bebi. Entretanto, estes constituem não mais que 10% do que consumo, então, estatisticamente, é muito mais provável que eu encontre problemas em vinhos com rolhas comuns.[/FONT]
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Sobre o uso de rolha sintética ser ecologicamente correto:[/FONT]
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Algumas pessoas acreditam, errôneamente, que as rolhas sintéticas causam menos danos ao meio ambiente. Uma parvoice, é claro, já que a rolha de cortiça é natural e biodegradável. A árvore que dá a cortiça, o Sobro, não morre quando a sua casca é extraída, a cada 10 anos, para fazer as rolhas. É uma árvore que dura mais de 100 anos, e rende diversas extracções de cortiça.[/FONT]
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E afinal, qual das duas rolhas é a melhor?[/FONT]
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Não tenho uma resposta para isso. Ambas têm seus prós e contras, tudo vai depender da aplicação. A grande vantagem da rolha sintética é o seu preço menor. Mas creio que os grandes vinhos clássicos continuarão a utilizar rolhas de cortiça por muito tempo.[/FONT]