Excelente tópico Tubular.. Triste mas real.
Penso que todas as pessoas deviam parar 5 minutos a pensar na vida e no rumo que a sociedade e os valores estão a tomar. Simplesmente por vezes a constatação da realidade é de tal modo avassaladora e assustadora que mais vale nem sequer pensar no assunto e, como dizia a letra, "go with the flow"..
O Jorge Correia focou alguns pontos que para mim são problemáticos, nomeadamente, a liberdade dada aos media, a falta de tacto e de preocupação humana e a extrema sede de audiências. Desde filmes, a séries, aos telejornais, ao bombardeamento constante de publicidade.. Pouca coisa se retira de bom. Já deixei de ver os telejornais porque a essa hora a minha filha ainda está acordada e 90% não interessa a ninguém. A maior parte dos filmes passados em horário de família ou são violentos ou apresentam linguagem/imagens sexuais. E por aí fora.
A noção de família vai-se perdendo por variadíssimas razões: evolução tecnológica e suas consequências, pobreza de mensagens transmitidas pelos media e, em muito, o mercado de trabalho e inexistência de apoios à família.
Cada vez mais tarde se conseguem posições estáveis, coloca-se o trabalho à frente de tudo e cada vez se trabalha mais. Muitos deixam as crianças na escola às 8 da manhã para as voltarem a ver às 8 da noite. ~
E neste ponto eu falo por mim, tive uma filha aos 21 anos e dou um valor enorme, mas mesmo muito grande aos laços familiares. E penso que tenho conseguido incutir isso na pequenina. Tive a sorte de ter uma criança cedo (para mim é uma sorte e não azar) e a minha única tristeza é não conseguir ter mais, porque financeiramente não é viável (faltam muitos apoios da parte do estado).
Por vezes tenho a sensação que as pessoas cada vez mais têm filhos "porque já é tarde e têm de ter" e casam-se "porque toda a gente se casa". Estou casada à quase 5 anos por amor (sim não havia de ser pela riqueza que não temos muito [

] ). À minha volta já se casaram 6, e todos já se divorciaram.
A vida é complicada, está cada vez pior e não são as coisas materiais que nos mantêm mentalmente sãos, não são as coisas materiais que nos satisfazem por completo (podem ajudar claro). E não é certamente a solidão de uma conversa num computador que nos realiza como pessoa. É muito mais que isso, "O Homem não é uma ilha", mas parece que num mundo que apregoa a globalização, cada vez mais esta ideia vai caindo no esquecimento
