Rosa Brava - Nova Reportagem hoje 24-09-07 na SIC -Volta à escola Pág 3.

Excalibur

Banido
Portugal sec XXI

Assim vamos longe com mentalidades como as exibidas na reportagem.

Eu pergunto-me como ainda é possivel existirem casos destes.

[:0] [8)] :(

Para quem viu a reportagem, vê-se uma paisagem paradisiaca uma calma de fazer inveja ... contudo a pobreza ... de espirito é marcante.




Rosa tem 16 anos acabados de fazer. Vive na Serra da Estrela, num dos Casais de Folgosinho, numa velha quinta arrendada pelo pai. O Casal da Maceira fica a 40 minutos, de jipe, de Folgosinho, uma pequena vila do concelho de Gouveia.

Rosa andou na escola de Folgosinho até aos 14 anos. Fez os 4 anos do primeiro ciclo em 8. Assim que completou a antiga quarta classe, os pais fizeram-na regressar ao vale da serra, transformando-a na principal, por ser a única, ajudante da família.

Os 8 anos de Rosa na escola foram, por isso, algo estratégicos. Tacitamente ter-se-á prolongado o tempo de permanência em nome da continuidade da ligação à escola.

Os pais, pela voz da mãe, há muito que definiram um princípio: "Se o mais velho (Raul de 32 anos) não quis continuar a estudar depois da quarta classe, os outros (Sandra, em parte incerta e com cerca de 20 anos, Rosa 16, Zé a completar 14 e a escassos 5 meses de deixar para sempre a escola) também não hão-de continuar".

Definido o princípio, os filhos de Maria e de Manuel, puderam, portanto, completar o primeiro ciclo, por ser em Folgosinho, mas não tiveram ordem de passar para o segundo ciclo, em Gouveia.

Sandra conformou-se, encontrando outras formas de matar o tempo; Zé conformar-se-á, uma vez que o silêncio apático que lhe molda a personalidade não o irá deixar mover montanhas para perseguir um sonho; Rosa, menina do alto da serra, brava como as pedras, esforça-se por destruir o edifício de argumentos erguido pelos pais.

Há semanas fugiu do casal de bicicleta e passou uns dias em Folgosinho, numa casa que os pais construíram na terra a pensar na velhice.

Escassos dias antes dos 16 anos, apanhou boleia no táxi, que, diariamente, transporta o irmão para a escola de Folgosinho, e foi a Gouveia, falar com a presidente do Conselho Executivo da escola. Pediu-lhe para ser aceite.
A professora abriu-lhe as portas mas disse-lhe que só a poderia matricular se os pais acedessem. Falou com o pai, habitualmente mais aberto do que a mãe. Ouviu um não. A única palavra que, sobre esse assunto, a mãe diariamente lhe despeja na cara.

Rosa passa os dias a pensar na escola. Tem corpo e idade para pensar em rapazes. Aos estranhos só fala de rapazes.

A assistente social da Câmara Municipal de Gouveia, que fora uma vez ao Casal tentar convencer os pais a deixarem-na regressar à escola, voltou agora, curiosamente na semana que a SIC passou nos vales da serra. Ouviu, outra vez, o não de Maria.

Rosa ouve música. Passa horas ao telemóvel buscando uma rede inexistente, escrevendo mensagens que nunca envia. Sonha com o príncipe encantado que a leve para lá das muralhas da serra.

Tanto sonha que desespera.

É pastora de cabras; pastora de ovelhas; guia uma junta de bois; colhe o feno, o centeio e as batatas. Está farta da serra, imune à beleza que a paisagem transpira. Há um ano arranjou um confidente. Chama-se "pantufa". O único que, pela ausência de resposta, lhe alimenta a dúvida: "Será que, algum dia, conseguirei sair daqui?" Pantufa diz "ão", o que é mais de metade de um não.

Pedro Coelho
Jornalista
 
Última edição:
Para quem quiser visualizar o video da reportagem.

Rosa A menina pastora


porque efectivamente as imagens dizem muito mais que o texto colocado acima.

Uma mãe que diz que a filha tem de se "desim****r", que tem de trabalhar e ajudar no casal, que não vai porque se um não foi ... os outros não irão para não falarem ... etc, etc.
 
Provavelmente vai ter que aguardar mais 2 anitos.
Depois ou tem quem de facto a ajude e oriente ou .... perde-se.

Mas talvez alguém de "instâncias elevadas" consiga fazer algo como o Jorge Sampaio fez a 2 irmãs....
 
Realmente parece impossível que tal aconteça... Vi a reportagem.. Enfim...

Mas sinceramente, não acho assim tão estranho visto que de vez em quando vou até aqueles lados de Mangualde/Gouveia e vejo com cada mentalidade... [8)]:(
 
Com 16 anos e a 4ª classe não me parece que a aposta em estudar vá dar muitos frutos.

Em relação aos Pais, sim pode existir alguma "pobreza" de espirito, mas estão parados no tempo há 50 anos.
Há 50 anos era assim, é esta a realidade deles...

Parecem ser pessoas humildes, trabalhadoras e honestas.
Merecem ser ajudadas...
 
Tambem vi a reportagem e de facto dá que pensar.
Ainda assim e apesar do pouco contacto que tem com o mundo tem a Rosa muita cabecinha, oxalá o princepe que lhe "entre pela janela" não seja um sacana.

Mesmo em meios não tão isolados existem muitos e muitos casos desses.
 
citação:Originalmente colocada por Paulo Oliveira

Com 16 anos e a 4ª classe não me parece que a aposta em estudar vá dar muitos frutos.

Se tiver as pessoas certas a orientá-la conseguirá o que qq um de nós consegue....
Não era caso único.
No Expresso às umas semanas vinham a relatar um caso destes em que o individuo tinha sido pastor e tudo..... Hoje é médico em Coimbra e se não me engano professor na Faculdade .....
 
Vi a reportagem e fiquei [:0]
Mas lá está,são mentalidades de pessoas que estão paradas no tempo..mas não me parece que a ideia dela de ir estudar não seja muito bem o que ela quer..ela quer apenas um meio de sair dali e a escola pode ser esse meio.
 
Talvez vá dar uma opiniao demasiado brusca... mas... a assistencia social não tem o direito de retirar aquela criança aos pais? E o irmão idem... porque a questão é que eles não avançam devido aos pais... e por causa deles vão perder a unica vida que tem...

Não digo que a culpa é dos pais... eles não sabem mais... mas não será responsabilidade do estado fazer algo?
 
Concordo Omega, até porque deu para perceber que ela não é limitada e tem até bastante consciência da situação, só não é capaz de alterar as coisas sozinha.
 
citação:Originalmente colocada por Taveirada

Talvez vá dar uma opiniao demasiado brusca... mas... a assistencia social não tem o direito de retirar aquela criança aos pais? E o irmão idem... porque a questão é que eles não avançam devido aos pais... e por causa deles vão perder a unica vida que tem...

Não digo que a culpa é dos pais... eles não sabem mais... mas não será responsabilidade do estado fazer algo?
Quanto à Rosa não podem fazer nada, tem mais de 16 anos, quanto ao irmão podem e devem fazer.

Mas o centro das atenções era a Rosa portanto só foram lá por causa dela.
 
citação:Originalmente colocada por Omega

citação:Originalmente colocada por Paulo Oliveira

Com 16 anos e a 4ª classe não me parece que a aposta em estudar vá dar muitos frutos.

Se tiver as pessoas certas a orientá-la conseguirá o que qq um de nós consegue....
Não era caso único.
No Expresso às umas semanas vinham a relatar um caso destes em que o individuo tinha sido pastor e tudo..... Hoje é médico em Coimbra e se não me engano professor na Faculdade .....

Não estou a por em causa as capacidades pessoais...
Apenas refiro que apostar em estudar poderá não dar os frutos que todos esperamos por 2 razões principais.
1) Com 16 terá pela frente pelo menos 8 anos de escola até entrar para a faculdade.
2) Pareceu-me que a ideia da escola não seria a de estudar, mas a de "fugir" dali.

O apoio (a haver...) passa por uma maior integração do meio familiar.
Não esquecer os Pais, no mundo deles depois necessitam dela, e não se pode impor a vontade da sociedade no modo de vida desta gente humilde trabalhadora e honesta.

Integrar será a palavra chave na minha opinião.
 
É preocupante que hajam pais assim...

Vi a reportagem e perguntei-me como é possível que ainda hajam pais que coloquem filhos no mundo apenas para trabalharem para eles...

Desejei, e desejo, muito boa sorte àquela menina, que bem precisa, já que fiquei na dúvida se a publicitação da sua ansiedade em sair dali, agora conhecida, não lhe poderá ser prejudicial! Espero, sinceramente, que não!
 
citação:No Expresso às umas semanas vinham a relatar um caso destes em que o individuo tinha sido pastor e tudo..... Hoje é médico em Coimbra e se não me engano professor na Faculdade .....
Tive um professor na mesma situação também. Se hoje ele não é Mestre ainda, para lá caminha.
 
citação:Originalmente colocada por Suarez

O interesse na escola se calhar é mais por causa dos rapazes

A ideia que ela tem da realidade e do mundo está distorcida.

Basta ver o que sucedeu coma irmã.

Se ficar ali, será quase certamente outro caso perdido, onde quem sabe as potencialidades da rapariga numa qualuqre outra area podiam ser empregues, inclusivé para ajudar a familia no futuro.


O pai era decrito como mais liberal e que deixarai a filha voltar á escola a mãe é que a impede.
 
Sinais dos tempos que correm...

O desenvolvimento não chega por igual a todos e a tal "interioridade" vai continuar a existir por muitos e muitos anos. Lamentavelmente o caso da Rosa não é único nem tem solução à vista.
Fico triste com estes casos, mas não chocado ou perplexo. Viver em ambiente rural nada de mal tem, nem muito menos ser pastor e cuidar dos campos. Talvez por se pensar assim é que existem tantos campos ao abandono e a monte. O que é preciso é fazer chegar lá o desenvolvimento: educação, cuidados de saúde, água, luz, televisão, rádio, internet, para que estas pessoas tenham as mesmas oportunidades e modernizem o seu pensar.
 
Mas vcs repararam no desenvolvimento que a rapariga tem?

Parece uma miuda com metade da idade, parece ter uns 8 anos. A dificuldade em falar.. Será que ainda é recuperavel?
 
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