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Futebol italiano parado por morte de polícia em graves incidentes após o dérbi entre Catania e Palermo
Um dos dérbis do futebol siciliano, entre o Palermo e o Catania, ficou manchado por incidentes que terminaram na morte de um polícia. Segundo as autoridades da ilha da Sicilia, o agente Filippo Raciti faleceu depois de atingido na cara por um artefacto explosivo. Este foi, de resto, o ponto mais negro de uma noite cheia de incidentes no estádio Angelo Massimino, na Catania.
As hostilidades começaram com confrontos entre as claques das duas equipas. A entrada dos adeptos do Palermo, apesar de muito policiados, fez-se ao som de insultos lançados contra a claque do Catania, o que provocou uma troca de artefactos pirotécnicos. A polícia foi então obrigada a intevir, lançado gás lacrimogéneo para as bancadas. Isso tornou o ar irrespirável, o que obrigou os jogadores a recolherem aos balneários. O jogo esteve então interrompido por 40 minutos. Depois disso houve ainda confrontos entre os adeptos do Palermo e a polícia, no exterior do estádio, mas o jogo pôde chegar ao fim, tendo os visitantes triunfado por 2-1 no terreno do Catania. A lançar gasolina para o lume esteve o facto dos dois golos do Palermo terem sido irregulares, um em fora-de-jogo e outro com a mão, o que ampliou, e de que maneira, a ira dos Ultras do Catania. Até à tragédia foi apenas um passo.
SUSPENSÃO. A Federação Italiana de Futebol (FIGC) anunciou esta sexta-feira a suspensão de todos os jogos oficiais marcados para o fim-de-semana, na sequência da morte do polícia nos incidentes do Catania-Palermo. Luca Pancalli, responsável máximo pela FIGC, assumiu a decisão, após a reunião extraordinária realizada esta noite. A suspensão aplica-se a todos as competições, incluindo as não-profissionais e os campeonatos dos escalões de formação. Tendo-se tratado de um foco de violência localizado, assente na rivalidade regional entre dois dos clubes da Sicília, talvez pareça uma decisão extemporânea e desajustada por parte das autoridades italianas, que não tomaram medidas tão drásticas aquando do "Calciocaos", que manchou severamente o futebol italiano. No entanto, e tendo em conta os pequenos episódios de confrontos que vão sucedendo semanalmente, esta medida procura ter efeitos pedagógicos e preventivos, procurando suscitar uma reflexão profunda e evitar que outras situações lamentáveis ocorram no futuro. Acompanharemos ao pormenor os desenvolvimentos deste caso.
PS: O último balanço dá conta de mais de uma centena de feridos, dos quais cerca de 70 são polícias. Para além do polícia morto pelo que em Itália se chama uma "bomba carta", um engenho mais potente que um petardo, lançado para dentro da viatura onde se encontrava, outro agente ficou em estado grave. Na sequência dos confrontos, 9 "tifosi" do Catania foram detidos, dos quais 4 são menores de idade. Uma medida tão radical não era tomada em Itália desde o assassínio do genovês Vicenzo Spagnolo em confrontos que marcaram um Genoa-Milan que ficou tristemente célebre a 5 de Fevereiro de 1995.
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