«Apagão» de cinco minutos pode causar perturbações na rede
Os cinco minutos sem luz propostos para quinta-feira em todo o Planeta pela organização francesa Aliança podem causar perturbações na rede eléctrica se houver uma adesão massiva e sincronizada, admitiu um responsável da Rede Eléctrica Nacional (REN).
A Aliança para o Planeta lançou um apelo mundial em prol do descanso da Terra, desafiando todas as pessoas a apagar quinta-feira a luz entre as 19:55 e as 20:00 (entre as 18:55 e as 19:00, na hora portuguesa) para chamar a atenção para o desperdício de energia e as alterações climáticas.
«Os sistemas foram concebidos para funcionar em condições normais. Se houver uma acção sincronizada de interromper o consumo eléctrico de forma brusca, aumentam as probabilidades de as coisas não correrem tão bem</u>», disse à Lusa Amarante Santos, gestor de sistemas da REN.
Também o presidente da Quercus alertou para os potenciais efeitos negativos da iniciativa.
«Parar cinco minutos pode significar mais prejuízos do que benefícios para o ambiente, porque as centrais térmicas não estão adaptadas a estas interrupções súbitas</u>», considerou Hélder Spínola, sublinhando que a associação ambientalista portuguesa não adere a esta iniciativa.
Além disso, acrescentou, «as centrais não iam deixar de produzir energia e por isso iam continuar a emitir dióxido de carbono</u>».
Amarante Santos frisou que este género de iniciativas «é prejudicial</u>» já que estes fenómenos de sincronização de massas podem «no limite» causar perturbações na rede de abastecimento de energia.</u>
A Alemanha, por exemplo, sofreu variações bruscas no consumo eléctrico durante o minuto de silêncio promovido em memória do 11 de Setembro e Espanha sentiu efeitos similares com a acção promovida para homenagear os que morreram no atentado do 11 de Março.
«Imagine um camião que vai a puxar um reboque. Se o largar de repente, o camião dá um salto para a frente», exemplificou o responsável da REN para explicar o que sucede com os geradores.
«As pessoas ligam e desligam as luzes e os aparelhos eléctricos de forma mais ou menos aleatória, por isso, as variações no consumo nunca são demasiado bruscas», acrescentou, sublinhando que «as centrais estão concebidas para produzir electricidade de forma equilibrada e não gostam de alterações repentinas</u>».
Amarante Santos sugeriu mesmo a promoção de outro tipo de iniciativas como comprar lâmpadas de baixo consumo.
A acção da Aliança para o Planeta tem lugar quinta-feira, na véspera da divulgação, em Paris, do mais recente relatório científico das Nações Unidas sobre alterações climáticas.
A Câmara Municipal de Paris já anunciou a adesão à iniciativa e vai desligar a iluminação na Torre Eiffel.
Outras comunas francesas vão participar apagando as luzes de algumas praças.
Um restaurante pretende aderir propondo aos clientes jantarem à luz de velas.
A acção vai também contar com o apoio de associações brasileiras e belgas.
Um ministro belga anunciou no conselho de ministros que vai participar na iniciativa e convidou os seus colegas a fazer o mesmo.
Diário Digital / Lusa