Mário Soares: Programa «Grandes Portugueses» é um disparate
O ex-Presidente da República Mário Soares classificou hoje o programa da RTP «Grandes Portugueses» como «disparate de princípio ao fim» e retirou qualquer importância aos votos no antigo chefe do Governo Oliveira Salazar.
As declarações do fundador do PS foram proferidas no Tribunal da Boa Hora, durante a sessão de apresentação do livro «Vítimas de Salazar - Estado Novo e violência política», editada pela «a esfera dos livros».
«Vítimas de Salazar» tem prefácio do de****do do Bloco de Esquerda Fernando Rosas, é coordenado pelo investigador de História Contemporânea João Madeira, tendo ainda a autoria de Irene Flunser Pimentel e Luís Farinha.
«Esse programa [Grandes Portugueses] é do princípio ao fim um disparate. Comparar um futebolista, que todos nós apreciamos, a figuras da nossa História como Afonso de Albuquerque ou Afonso Henriques, não tem qualquer sentido», justificou.
Interrogado sobre o alegado facto de Oliveira Salazar estar à frente da votação nesse programa da RTP, o ex-chefe de Estado afirmou que «isso não tem a menor importância».
«Não atribuo nenhum significado, porque as pessoas podem votar as vezes que quiser. Em democracia só há um critério: o voto popular, onde se respeita quem ganha e quem perde», observou.
Mário Soares mostrou-se preocupado com um possível apagamento de crimes cometidos por figuras como Oliveira Salazar.
«Começa a dizer que, afinal, não foi tanto assim, que ele até era uma pessoa séria. Ninguém pode esquecer que ele [Salazar] foi o autor moral do assassinato do general Humberto Delgado e de muitos outros resistentes ao fascismo», frisou.
O ex-Presidente da República afirmou depois estar a apresentar o livro «Vítimas de Salazar» com «emoção» em pleno Tribunal da Boa Hora.
«Aqui fui julgado em tribunal plenário por delito de opinião, quando era jovem, depois de ter subscrito um comunicado do MUD Juvenil. Aqui também defendi muitos presos políticos enquanto advogado», recordou.
Diário Digital / Lusa
07-02-2007 19:41:00