É evidente que é uma ilegalidade, e um abuso do sistema, dada a prevalência desta pratica por parte das farmácias...
Compreendo e aceito( pelo menos moralmente), que esta pratica possa ser realizada a doentes crónicos, clientes de determinada farmácia cujo historial de receitas e o conhecimento das pessoas leve a que seja previsível a renovação da receita, e cuja não apresentação se tenha devido a problemas logísticos por parte dos clientes ( distancia á farmácia, falta do medico, falta de dinheiro...), no entanto, dada a ilegalidade, é compreensível em casos pontuais,mas NUNCA ao nível da generalização de actuação que se verifica...
Quanto aos genéricos e á qualidade dos mesmos, é evidente que estão devidamente regulamentados e estudados, quer pelas equipas técnicas dos laboratórios que os produzem( e que são alvo de inspecções regulares pelas autoridades competentes) quer por laboratórios independentes que procedem á sua certificação...
No entanto, a venda de genéricos, leva a que as empresas farmacêuticas que desenvolveram o principio activo original,e mais tarde utilizado pelos genéricos, se vejam com menores lucros, ou com menor retorno do investimento realizado no desenvolvimento de determinado fármaco, algo que o produtor de genéricos não teve que realizar...
Isto leva a que se tente rentabilizar o fármaco original, realizando algumas modificações no produto final, de modo a implementarem um maior valor acrescentado ao produto que originalmente desenvolveram, isto porque a produção de genéricos é sobre o PRINCIPIO ACTIVO, e não sobre a totalidade do que constitui o medicamento.
Para alem de um principio activo, um medicamento é constituído por um substrato, um meio que permite a que a substancia activa esteja protegida das agressões do meio enquanto o medicamento está armazenado, e que proteja o principio activo das "agressões" de um organismo sobre o mesmo, de modo a que a acção do fármaco se realize no tecido alvo, e não perca esta capacidade ao ser metabolizado antes da sua acção.
Na certificação do principio activo generico, é dada alguma "liberdade" quanto á utilização de determinado substrato, pelo que para medicamentos com o mesmo principio activo possam existir diferenças no meio de protecção/manutenção.
Evidentemente que estes substratos estão submetidos a longos e dispendiosos processos de desenvolvimento, em conjunto com determinado principio activo para optimizar a sua actuação, e por consequência minimizar as doses necessárias e os consequentes efeitos secundários...
um caso concreto é o da empresa Bayer, que desenvolveu recentemente e patenteou ou novo tipo de substrato medicamentoso, que pode aplicar numa larga game de princípios activos, alguns dos quais já existentes em genéricos, que melhora a resistência aos sucos gástricos e melhora a absorção intestinal do medicamento.
Neste caso, apesar do principio activo poder ser produzido por empresas de genéricos, este substrato em concreto não pode, pelo que a bayer ganhou uma significativa vantagem no seu fármaco original, fazendo com que seja substancialmente diferente do genérico ao ponto de ser em alguns casos recomendado o medicamento Bayer em detrimento do genérico.
Na minha opinião uma manobra bastante inteligente todos os níveis ( marketing, comercial, imagem de marca, económica) juntamente com o de colocar uma vantagem num produto já desenvolvido e que estava a perder mercado melhorando-o, e garantindo para si mais um período temporal de exclusividade sobre um componente do mesmo.