citação:Originalmente colocada por eu
A Manuela Ferreira Leite dizia umas coisas acertadas, mas nunca passou realmente das palavras aos actos.
O governo anterior referia que o défice público do ano anterior se situava nos 1,1%.
A Comissão Europeia chumbou as contas do ano transacto (2001).
Suspeitava-se que o buraco era maior, mas não se sabia a sua real dimensão. Como o governo anterior andava a entregar números aldrabados há meses, há economistas que falam em 2%, na pior das hipóteses 3% de défice.
Manuela Ferreira chega a ministra das Finanças em fins de Abril de 2002.
MFL tem, IMPERATIVAMENTE, de entregar um défice inferior a 3% a 31 de Dezembro de 2002, porque Portugal era o único imcumpridor.
Penalização?
PERCA DOS FUNDOS ESTRUTURAIS.
MFL sobe o IVA, quebrando promessa eleitoral.
PS LEVANTA-SE INDIGNADO COM A SITUAÇÃO ORÇAMENTAL E A QUEBRA DA PROMESSA ELEITORAL.
PS ACUSA PSD DE SER O CULPADO PELO DÉFICE.
Em Junho/Julho, a Comissão revela o real défice: 4,4%.
Economia mundial a abrandar. Conjuctura para Portugal indicava que iriamos entrar em recessão em 2003 (estávamos a desacelerar desde 2000), o que significava uma queda considerável nas receitas fiscais.
MFL usa receitas extraordinárias, para cumprir o défice.
PS E DEMAIS CRITICAM O USO DE RECEITAS EXTRAORDINÁRIAS. ESTAVA EM CAUSA A DELAPIDAÇÃO DO PATRIMÓNIO PÚBLICO!
PS DIZ QUE PRIMEIRO TEM QUE SE PÔR O PAÍS A CRESCER E SÓ DEPOIS SE RESOLVE O DÉFICE.
OPINIÃO PÚBLICA não está sensibilizada para o discurso de contenção.
O governo ao fim de 4 meses de governação cai a pique nos índices de popularidade (nota: tinha ganho com uma margem de 2%), situando-se já abaixo do PS.
Estamos em 2003.
O governo tem de entregar um défice <3% daí a 365 dias.
As receitas fiscais caiem a pique fruto da recessão.
DURÃO BARROSO É VAIADO NA INAUGURAÇÃO DO ESTÁDIO DA LUZ.
JORGE SAMPAIO diz que HÁ VIDA PARA ALÉM DO DÉFICE.
Economistas referem que é impossível ter um défice <3% sem usar receitas extraordinárias.
Portugal continua a ser o único imcumpridor.
Usam-se de novo receitas extraordinárias.
Estamos em 2004.
O governo está congelado, politicamente desgastado. PSD começa a entrar em roda viva.
Eleições europeias. PSD + CDS não chegam aos 30%!
Fuga de Durão Barroso para a Europa.
Fala-se em Pedro Santana Lopes para PM.
Manuela Ferreira Leite diz abertamente que isso vai levar ao ABISMO.
Recusa particiar nesse governo.
Alemanha, França e Itália tornam-se incumpridores.
Revê-se o pacto de estabilidade e crescimento.
Países têm 3 anos para resolver défice.
Acusar o PSD de ter sido imprudente/irresponsável na campanha ao prometer o choque fiscal quando não se sabia como estavam as contas públicas...tudo bem, toda a razão. Justo.
Acusar o Barroso de se ter pirado e quebrado a confiança, tudo bem. Justo.
Acusar o PSD de ter cedido à pressão e de ter posto um irresponsável a primeiro ministro, acentuando a crise. JUSTO. JUSTÍSSIMO.
Agora acusar a MFL de não ter feito o possível para pôr isto na ordem...sem palavras [

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E acho, por ventura tal como o J.R., muito curioso como é que se pode ser agora fã da política de restrição orçamental e odiar a MFL que, provavelmente, durante 2 anos foi O ÚNICO POLÍTICO NESTE PAÍS A PERCEBER O PROBLEMA E A TENTAR RESOLVÊ-LO.
Agora, gostaria que o Avant nos explicasse como é que se põe o défice <3% naquelas condições, sem receitas extraordinárias.
Gostava de saber. Gostava mesmo
