Assim vai a medicina.

citação:Originalmente colocada por André

citação:Originalmente colocada por Avant

citação:Originalmente colocada por psantos

apesar de não ser a ordem dos médicos a determinar os numeros clausus das faculdades de medicina, alguem duvida que eles não tem influências suficientes para fazerem pressões nesse sentido?

ou já alguem se esqueceu nas declarações do bastonária da ordem, na altura da abertura da mais recente curso de medicina, na covilha. em que não aconcelhava o ministério a abrir mais cursos nesta área. Pelas palavras dele na altura e pelo que se ouviu nos noticiários a ordem não ficou muito contente com a abertura deste curso.

E bem, já que o que está definido pelos padrões internacionais para a formação de médicos em número suficiente é de uma faculdade por 2 milhoes de habitantes... Mas isso não interessa nada, cá no burgo é que se sabe, e abrem-se faculdades para satisfazer caciques locais, mesmo contra o parecer de estudos independentes na matéria.

Mais outra vez, há médicos mais que suficientes, bolas, basta ver pelo nº que acabou este ano o curso: 900. Já é muito médico. Expliquem-me é porque é que continuam a ir todos para o Sta Maria, S. João, HUC, e afins...

O teu problema, desculpa que te diga, é que tens uma posição PROFUNDAMENTE CORPORATIVISTA.

Falas como se NUNCA NA VIDA pudesse realmente existir médicos a menos.

Ou como se nunca na vida, a classe (através da ordem) não tivesse trabalhado para que houvesse poucas vagas durantes muitos anos.

Ou como se nós não tivéssemos defeitos nenhuns, ou como se a ordem agisse sempre no interesse geral do país e não nosso interesse, médicos e futuros médicos.

Afinal estamos apenas mal distribuídos! Apenas e só.

Pois eu rejeito essa visão simplista (e confortável), tal como rejeito a outra, do outro extremo, que os médicos ganham "balúrdios" e não deviam e não fazem nenhum (que vai ser a retórica 2007 do socialista Correia de Campos e do "politecnizado feito de inteligente porque veste Armani", Sócrates) e cair na outra demagogia e dizer que bora abrir universidades para formar médicos, quantos mais melhor, porque é uma pena que um aluno de 11 de secundário não possa aspirar a ser médico.

Não sei se há médicos a mais. Nem a menos.

Sei que há má organização e não só má distribuição.

Sei que há uma certa geração (tal como um pouco por todo o Estado) instalada, que só pensa em direitos e raramente pensa em deveres.

Sei que os médicos e futuros médicos (como eu) não deviam ter medo de..."concorrência", NÃO FAZ MAL A NINGUÉM.

Sei que a ordem pouco mudou. E o mundo mudou, está sempre a mudar.

"Contudo, “a análise por distrito, em vez da análise por região, revela que as coisas se modificam completamente”. Em termos de médicos por 1.000 habitantes, os quatro melhores distritos são Coimbra, com 5,07, “número espantoso em qualquer parte do mundo, Lisboa, com 3,52, Porto, com 3,22 e Setúbal, com 2,08. Mesmo assim, “o distrito de Setúbal já tem um valor inferior à média nacional, que é de 2,44 médicos por 1.000 habitantes”. No seu conjunto, verifica-se que os distritos de Coimbra, Lisboa e Porto absorvem a esmagadora maioria dos médicos portugueses. Os piores nesta contabilidade são Bragança, com 1,26, Guarda, com 1,29, Viana do Castelo, com 1,30, e Viseu, com 1,39 médicos por 1.000 habitantes."

" Portugal tem um médico para cada 338 habitantes, o que não se afasta muito da taxa europeia (1 para 303). Em relação a outros países, o número de habitantes por médico é, por exemplo, de 250 na Espanha, de 259 na Grécia, de 312 na Alemanha, de 327 na Suécia, de 346 na Dinamarca, de 357 na França e de 610 no Reino Unido (dados da OMS, 2000)."

Sim, o problema é do meu corporativismo... e é a ordem que abre as vagas "carenciadas" em Coimbra, Lisboa e Porto.... Informa-te primeiro melhor, vê como funciona na verdade o SNS por dentro, como funciona a ordem e quem lá está e depois vem cá com esse peito feito...

É, o que é porreiro é o estado gastar um balúrdio a formar um cidadão numa faculdade pública (no que quer que seja) e depois deitar tudo ao lixo porque a oferta é maior do que a procura... se achas que a solução passa pelo inundar do mercado, olha a m... que aconteceu em espanha. Mas sim, se se considerar a saúde como um bom negócio, se tiver um empregado que trabalhe por 100, não vou pagar 200 a outro...

PS: e quando começares a trabalhar, vais ver a qualidade de 90% dos colegas espanhois... bem, ao menos simpáticos são...
 
Eu não acho que a solução é inundar o mercado, repara ;)

Acho que há sobretudo MÁ ORGANIZAÇÃO e muito direito adquirido que tem de ir ao ar.

Muito direito adquirido teu, meu (futuramente :D), diga-se ;)
 
citação:Originalmente colocada por XlPower

Claro que a principal responsabilidade é antes de tudo
para os sucessivos governos que não criaram mais vagas
de medicina.
Mas a ordem dos médicos com a sua atitude de máfia,
contribuiu muito para isso, até porque o governo decide, mas
tem que obter informação para a decisão de algum lado.
E a informação constante de que os médicos têm que ser todos
excelentes, e que tinhamos médicos suficientes é claro
que influenciou muito.

Agora temos médicos espanhóis sabe-se lá com que média
e já não há problema.

Não deves ter visto muitas médias de médicos portugueses...[8)]
 
citação:Originalmente colocada por mcabral

citação:Originalmente colocada por XlPower

Claro que a principal responsabilidade é antes de tudo
para os sucessivos governos que não criaram mais vagas
de medicina.
Mas a ordem dos médicos com a sua atitude de máfia,
contribuiu muito para isso, até porque o governo decide, mas
tem que obter informação para a decisão de algum lado.
E a informação constante de que os médicos têm que ser todos
excelentes, e que tinhamos médicos suficientes é claro
que influenciou muito.

Agora temos médicos espanhóis sabe-se lá com que média
e já não há problema.

Não deves ter visto muitas médias de médicos portugueses...[8)]

O que menos vos devia preocupar é a média de entrada. O díficil vem depois, e quem tem unhas que toque viola.
Ando eu aqui com 31 anos e ainda tenho que fazer mais um exame, para o qual tive que elaborar um curriculo de 545 (QUINHENTAS E QUARENTA E CINCO) páginas e imprimir 7 cópias, e ainda tenho que ir fazer um exame público com um júri nacional de 5 elementos...
 
citação:Originalmente colocada por Avant

citação:Originalmente colocada por mcabral

citação:Originalmente colocada por XlPower

Claro que a principal responsabilidade é antes de tudo
para os sucessivos governos que não criaram mais vagas
de medicina.
Mas a ordem dos médicos com a sua atitude de máfia,
contribuiu muito para isso, até porque o governo decide, mas
tem que obter informação para a decisão de algum lado.
E a informação constante de que os médicos têm que ser todos
excelentes, e que tinhamos médicos suficientes é claro
que influenciou muito.

Agora temos médicos espanhóis sabe-se lá com que média
e já não há problema.

Não deves ter visto muitas médias de médicos portugueses...[8)]

O que menos vos devia preocupar é a média de entrada. O díficil vem depois, e quem tem unhas que toque viola.
Ando eu aqui com 31 anos e ainda tenho que fazer mais um exame, para o qual tive que elaborar um curriculo de 545 (QUINHENTAS E QUARENTA E CINCO) páginas e imprimir 7 cópias, e ainda tenho que ir fazer um exame público com um júri nacional de 5 elementos...

Eu estava mesmo a referir-me à média de final de curso.;)

E há delas bem baixas...
 
(Diário Económico de 17-02-2004)
Reitor contesta novas faculdades de Medicina
Seabra Santos, reitor da Universidade de Coimbra, considera que não há justificação para a criação de novas faculdades de Medicina, porque as sete faculdades públicas existentes são mais que suficientes.

O looby da medicina existe...alguém diz o contrário?
--

Como cidadão, tenho outras duvidas...
Porque será que só um médico pode passar receitas?
Alguem duvida que um licenciado em farmacia percebe de longe mais do assunto que um médico?

Porque será preciso mesmo um médico para passar um exame de diagnóstico?
Quando o resultado é visto e escrito por um tecnico!

Existem vedetas como o Dr.House, mas grande parte dos licenciados em portugal em medicina não têm vocação nem capacidade nem vontade para lidar e estar com doentes. O unico objectivo é "entrar" em medicina, e aos 18 anos ganha-se status, capacidade e fica-se Elite.
Falta muita humildade a esta gente.

Ter um doente terminal internado a morrer por sufocação, chamar o médico de serviço e ouvir do outro lado
-"Não é terminal...acordou-me para quê? Não vou ai fazer nada"
E não veio...
 
citação:Originalmente colocada por Tuareg

Sejamos claro: a generalidade dos médicos degenera em CHULOS e em «encartados falsários e vigaristas» do juramento de Hipócrates, que se arrepiaria ao verificar as modernas tendências ético-financeiras da classe médica.

Da ordem profissional nem falo, pois há associações mafiosas mais discretas...


Melhor post até agora...(SIC)
 
citação:Originalmente colocada por Avant
O que menos vos devia preocupar é a média de entrada. O díficil vem depois, e quem tem unhas que toque viola.
Ando eu aqui com 31 anos e ainda tenho que fazer mais um exame, para o qual tive que elaborar um curriculo de 545 (QUINHENTAS E QUARENTA E CINCO) páginas e imprimir 7 cópias, e ainda tenho que ir fazer um exame público com um júri nacional de 5 elementos...

E pelo que me disseram (não sei se é verdade) a média do curso não conta para nada. No fundo antes do Harrison, no ano comum, lista os internos e depois serve como desempate entre 2 que tenham tirado o mesmo no Harrison, que queiram ir para a mesma especialidade e para o mesmo hospital.

É assim? [8)]
 
citação:Originalmente colocada por André

citação:Originalmente colocada por Avant
O que menos vos devia preocupar é a média de entrada. O díficil vem depois, e quem tem unhas que toque viola.
Ando eu aqui com 31 anos e ainda tenho que fazer mais um exame, para o qual tive que elaborar um curriculo de 545 (QUINHENTAS E QUARENTA E CINCO) páginas e imprimir 7 cópias, e ainda tenho que ir fazer um exame público com um júri nacional de 5 elementos...

E pelo que me disseram (não sei se é verdade) a média do curso não conta para nada. No fundo antes do Harrison, no ano comum, lista os internos e depois serve como desempate entre 2 que tenham tirado o mesmo no Harrison, que queiram ir para a mesma especialidade e para o mesmo hospital.

É assim? [8)]

Por mais 2 ou 3 anos isso é verdade. Para quem entrou em 2003/4 (penso ser por aí), a média de curso já vai contar para a nota de acesso à especialidade. Até ao momento a média de curso apenas interessa para desempate. Não concordo com o sistema que vai entrar em vigor, uma vez que a facilidade com que se dá um 15 ou um 16 em certas faculdades é muito maior do que noutras. Como se pode compreender que a faculdade que tinha os alunos com maiores médias de entrada é a faculdade onde a média de saída é a mais baixa. Voçês vão ver que em certas faculdades do pais, um aluno médio tem média 16, e noutras, o aluno médio tem 14 (16 têm os melhores). Era preciso uniformizar os critérios de avaliação, para que o futuro método de acesso à especialidade fosse justo.
 
citação:Originalmente colocada por Paulo Oliveira
Como cidadão, tenho outras duvidas...
Porque será que só um médico pode passar receitas?
Alguem duvida que um licenciado em farmacia percebe de longe mais do assunto que um médico?

Porque será preciso mesmo um médico para passar um exame de diagnóstico?
Quando o resultado é visto e escrito por um tecnico!

Acho que nem são precisos comentários...

Da próxima vez que precisares de obras em casa, chama um padeiro...

Falando de lobbies e organizações "mafiosas", deve haver poucas em portugal como a ANF...
 
citação:Originalmente colocada por André

citação:Originalmente colocada por Avant
O que menos vos devia preocupar é a média de entrada. O díficil vem depois, e quem tem unhas que toque viola.
Ando eu aqui com 31 anos e ainda tenho que fazer mais um exame, para o qual tive que elaborar um curriculo de 545 (QUINHENTAS E QUARENTA E CINCO) páginas e imprimir 7 cópias, e ainda tenho que ir fazer um exame público com um júri nacional de 5 elementos...

E pelo que me disseram (não sei se é verdade) a média do curso não conta para nada. No fundo antes do Harrison, no ano comum, lista os internos e depois serve como desempate entre 2 que tenham tirado o mesmo no Harrison, que queiram ir para a mesma especialidade e para o mesmo hospital.

É assim? [8)]

Pelo menos agora é assim, mas como se têm mudado as regras de ano a ano (dividir para reinar), não sei como vai ser.

Não tenho opinião se a média do curso deve ou não contar para o exame da especialidade. Neste momento já conta para várias coisas.
 
citação:Originalmente colocada por Luis Capelo

"Será que o estado tem obrigação de arranjar estágios a todos os formados em medicina?"

tipo... não é isso que se discute. há vagas, mas não foram colocados por erro do ministério. achas que devem ser prejudicados por isso?

Não é bem um estagio, é o internato e depois a especialização, mas deves saber isso tão bem como eu. A questão é q hoje em dia a formação de um médico não acaba com a licenciatura, é preciso o internato e uma especialização e isso parece-me q é da responsabilidade do estado. Doutra forma como iria um licenciado em medicina tornar-se num médico?!?

Agora se me disseres q o estado não é obrigado a empregar todos os medicos, ai já concordo ctg.
 
E porque acham que os médicos espanhóis veem para cá? Será pelos nossos limdos olhos? Será porque cá são mais bem pagos? Veem para cá tirar a especialidade e depois voltam novamente para Espanha. É que a dificuldade em Espanha não é entrara em medicina e tirar a licenciatura ou dificil é entrar no internato complementar. Quanto ao número de médicos penso que todos os rácios apontam no sentido de serem suficientes, a dificuldade está na distribuição dos mesmos pelo interior do país. Infelizmemte para um médico que vá para o interior do país só fica a perder em termos formação. Reparem onde se realizam as cirurgias mais complicadas? Claro que são nos principais hospitais. Se um cirurgião for para um hospital do nterior faz aquelas cirurgias de "ana caprina" e dixa de "ter mão". Isto é apenas um exemplo. Claro que há maus médicos e haverá sempre, mas a grande maioria, felizmente são óptimos médicos, não se pode estar constantemente a culpabilizar esta classe por tudo de mau que se passa na medicina.
 
citação:Originalmente colocada por rai

E porque acham que os médicos espanhóis veem para cá? Será pelos nossos limdos olhos? Será porque cá são mais bem pagos? Veem para cá tirar a especialidade e depois voltam novamente para Espanha. É que a dificuldade em Espanha não é entrara em medicina e tirar a licenciatura ou dificil é entrar no internato complementar. Quanto ao número de médicos penso que todos os rácios apontam no sentido de serem suficientes, a dificuldade está na distribuição dos mesmos pelo interior do país. Infelizmemte para um médico que vá para o interior do país só fica a perder em termos formação. Reparem onde se realizam as cirurgias mais complicadas? Claro que são nos principais hospitais. Se um cirurgião for para um hospital do nterior faz aquelas cirurgias de "ana caprina" e dixa de "ter mão". Isto é apenas um exemplo. Claro que há maus médicos e haverá sempre, mas a grande maioria, felizmente são óptimos médicos, não se pode estar constantemente a culpabilizar esta classe por tudo de mau que se passa na medicina.

[^][^]
 
E o que já se está a passar com a brincadeira das horas extraordinárias (os malandros dos médicos que só as faziam para ganhar dinheiro...)



É interessante que estes comunicados nunca se vêem passar na comunicação social... isto já não interessa que se saiba.
 
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