Arrendamento compulsivo

Se é no que estou a pensar agora tudo o que ainda pertence ao estado e está a ser usado como habitação social agora tem como limite de permanência 2 anos. Num mercado de habitação "normal" era a o tempo suficiente para alguém necessitado resolver a vida e prosseguir.
 
É o erro de aglomerar tudo num só sítio, em "barracas verticais".

Esse é um problema muito relevante.
para o país andar para a frente não basta "toma lá uma casa e um RSI", devia ser: "ajudamos-te com uma casa, mas em troca tens de ser alguém na vida".
Uma habitação social devia vir com um curso de boas práticas com direito a expulsão [:D]

Recentemente apercebi-me de um outro problema gerado em parte pelos grandes aglomerados de habitação social.
Na minha freguesia existe um bairro que nem é muito grande nem é problemático, construído há umas décadas atrás. Há 10/20 anos havia uma escola primária a funcionar normalmente, e neste momento essa escola está em vias de fechar porque não tem alunos, porquê? O bairro que é fonte de alimentação dessa escola, neste momento não tem crianças, os moradores são já pessoas mais idosas.

Isto a meu ver é algo que também deve ser tido em conta: a transformação dos locais, sob pena de se poderem tornar lugares fantasma/abandonados/degradados e sem interesse urbano, fazendo crescer a criminalidade.

Ou seja, o problema da habitação é muito maior do que fazerem a não fazerem casas e bairros, caros, baratos, públicos ou privados...deve ser pensado de forma mais rigorosa e não às 3 pancadas como tem sido sempre nas últimas décadas.
E começa logo desde do topo da pirâmide, se quem chefia não demonstra perceber nada do assunto, só manda umas bacuradas, tem um currículo exclusivamente partidário e ainda faz negócios ruinosos: tem tudo para correr mal!
 
Podiam fazer como alguns países escandinavos e mesmo aqui, (não sei se é generalizado ou apenas alguns concelhos o fazem, como no meu) onde uma parte (~10%) das habitações, nos novos empreendimentos, são alocados para “council houses”. Evitam-se verdadeiros guetos e o custo para habitação social é “zero”.

Concordo! Temos muito a aprender com os povos do Norte a todos os níveis, mas parece que as agulhas estão sempre apontadas para os exemplos, modelos e relações económicas com as sociedades terceiro mundistas [:D][8b]

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Está difícil em Lisboa e Porto? Excelente oportunidade para povoar o interior, onde não faltam casas baratas para comprar e alugar.

Depende de que interior estás a falar...
No interior a sério há poucas casas para alugar, apesar de haver muitas "devolutas".

Também poucos querem ir para lá, e mesmo que queiram, iludidos por os terrenos serem mais baratos e fazer uma boa casa, vão levar uma grande facada caso precisem de financiamento e "o banco" avaliar a casa em metade do orçamento que o construtor lhe deu [:p]
 
Está difícil em Lisboa e Porto? Excelente oportunidade para povoar o interior, onde não faltam casas baratas para comprar e alugar.

Se o estado descentralizasse alguns serviços e os distribuísse pelo país seria uma boa oportunidade seria, mas o estado quer manter tudo juntinho em Lisboa, para poder controlar tudo de forma centralizada. Aliás, cada vez está a acabar com mais serviços e a centralizar mais.
Como a maior parte dos empregos, especialmente os mais bem pagos, continuam a ser no litoral, não adianta de nada as casas serem mais baratas no interior.
As casas no interior são mais baratas porque não há tanta gente interessada em comprar como é óbvio. Embora que também é preciso distinguir as capitais de distrito do resto, nas capitais de distrito as casas não são nada baratas também.
 
Podiam fazer como alguns países escandinavos e mesmo aqui, (não sei se é generalizado ou apenas alguns concelhos o fazem, como no meu) onde uma parte (~10%) das habitações, nos novos empreendimentos, são alocados para “council houses”. Evitam-se verdadeiros guetos e o custo para habitação social é “zero”.

Aqui também colocam de parte alguns apartamentos, mas é para o presidente da câmara, dizem.... maneiras diferentes de fazer as coisas...
 
Podiam fazer como alguns países escandinavos e mesmo aqui, (não sei se é generalizado ou apenas alguns concelhos o fazem, como no meu) onde uma parte (~10%) das habitações, nos novos empreendimentos, são alocados para “council houses”. Evitam-se verdadeiros guetos e o custo para habitação social é “zero”.

10% significa uma em cada 10 habitações. Falando de pequenos prédios, com meia dúzia de fracções, nem funciona, o que empurra novamente para edifícios dedicados a habitação social.

E depois temos ainda a construção de segmento muito elevado. Faz sentido lá te habitação social? E quem paga tudo isso?

Eu defendo mais a lógica de habitação pública partilhada. Isto é, edifícios de habitação social (e não bairros sociais) com vertente de garantir a habitação a quem precisa, mas com serviços partilhados, pelo menos na sua maioria. E pagos dentro da capacidade financeira de cada um. Não podem existir casas grátis e muito menos fazer passar a ideia que não têm custos.
 
Em relação aos imóveis do Estado, misericórdia e entidades relacionadas com o Estado.

Tem mais que centenas. São milhares. Podem estar é em localizações pouco apetecíveis.


Um dos grandes problemas de muito difícil resolução são os bairros de habitação social de Lisboa.

Muitos apartamentos estão degradados, devolutos[:D] ocupados e com problemas graves de conflitos inerentes à lei do mais forte que reina nalguns prédios.

Basta falar com quem lá vive. A maioria queria sair de lá.




Ultimamente tem sido veiculado em todo o lado que as casas devolutas no país são 730.000. Este é um número pouco correcto, porque são os fogos onde não houve respostas aos Censos 2021.

Quem não quis responder tem casa devoluta.

As respostas eram tendencialmente online para a franja mais velha da população não responder.

Nas segundas casas onde as pessoas só vão lá alguns dias por ano também não se deram ao trabalho na maioria.


Mas mais importante que o número bonito de 730.000 casas devolutas.


Falando só da região de Lisboa:

Em Lisboa supostamente existem 48 mil casas devolutas, 2 mil do Estado.

E na área metropolitana de Lisboa supostamente existem 160.000 casas vazias.

Dados dos censos 2021


Agora é contar empiricamente quantos prédios existem em remodelação ou construção na área metropolitana de Lisboa e conseguem saber o limite de construção/remodelação da zona.

É preciso olhar esses números com algum cuidado. Isso são dados de 2021 e metade delas estavam para venda ou arrendamento, e as restantes ninguém sabe o motivo. Mas encaixam ainda muitos motivos, desde emigrantes, idosos, deslocados no país, heranças pendentes, casas fechadas para filhos (conheço quem tivesse construído com filhos ainda crianças, já para lhes oferecer quando crescessem/casassem), casa de férias, segundas habitações, etc.

E no mesmo de toda a panóplia de motivos para estarem devolutas, vai-se a ver e as que sobram são aquelas em mau estado cujo dono não tem interesse ou dinheiro para as arranjar, e que o estado também não irá ter.

Os 250 milhões, aplicados em reabilitação, darão para meia dúzia de milhares de casas. Seguramente menos de 1% do total de casas devolutas.
 
Vivemos numa democracia liberal.

A propriedade privada é um valor inquestionável, mas também o é, a habitação, a saúde, a educação, a segurança e procura da felicidade.

Não se trata de polarizar nada, trata-se de justiça, da mais elevada forma de justiça, a justiça social.

Não é extremismo de roubar aos ricos para dar aos pobres, é antes a justa redistribuição da riqueza, comprando pelo valor que o imóvel têm nas finanças, reparar com os impostos de quem os paga ( e as famílias pagam bastante mais ) e colocar no mercado de arrendamento.

Não há nada mais liberal e democrático do que isto. Existe ainda as vantagens de regular a habitação nos centros urbanos, acabar com os prédios degradados e cheios de grafitis.

Polarizador é deixar uns quantos não pagarem impostos, receberem benefícios fiscais para reparar e reconstruir e que acaba em contas fora do país e haver milhares sem casa ou a pagar empréstimos e rendas especulativas.




este post e toda esta ideologia doentia que lhe está subjacente é o perfeito exemplo do porquê de Portugal estar cada vez mais miserável e caminhar rapidamente para o terceiro mundo.
 
Só por curiosidade, alguém aqui se lembra de ver construção de habitação social na sua zona de habitação nos últimos 20 anos?

Eu moro em Aveiro há uns 10 anos e não vi nada. Morei na Maia uns 6-8 anos e também nada...

Houve a quinta do casal, construida a custos controlados, atras da extrusal, ha uns 15 anos. Agora estao a contruir mais, mas ja está tudo reservado.
 
Muitos não se lembram, mas nos anos oitenta havia falta de habitação em Portugal. Muitos casavam e ficavam uns anos em casa dos pais ou alugavam casas minúsculas. O crédito não era acessível a todos e faltavam casas para albergar aqueles que se deslocavam do meio rural para o meio urbano mais próximo. Eram comuns aqueles móveis de sala que incluíam um divã escondido que era aberto só à noite. Irmãos a partilhar quarto era normal. Cheguei a conhecer casos de 11 pessoas a viver num T3.
COmo é que isto se resolveu?
Cooperativas de construção de habitação. Construção a custos controlados. Loteamentos camarários com venda de direito de superfície, etc.

Aqui na terra os dois maiores bairros que existem onde habitam pessoas de geração anterior à minha e da minha geração são exemplos disso.

Não foi usurpando propriedade privada nem espatifando dinheiro público em imobiliário de fundos privados.

As soluções existem. Não é preciso inventar a roda. Bastava competência. Isso é que é complicado. Ter políticos competentes.:sh)
 
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portanto, na última década, construíram-se 6x menos casas que na década anterior.

além disso, em 2022 foram vendidas tantas casas como as construídas em dez anos.

mas os comentadeiros habituais dizem que o problema são a meia dúzia de nómadas digitais ([:D]), o alojamento local (que recuperou centenas de casas devolutas), e os malvados senhorios em geral (uns malandros porque não partilham a ferramenta).


e a turba lerda e bovina acredita.
 
Houve a quinta do casal, construida a custos controlados, atras da extrusal, ha uns 15 anos. Agora estao a contruir mais, mas ja está tudo reservado.

Esteve tudo parado durante muito tempo, mesmo construção comum. Lembro-me de ser miúdo e ter muitos colegas na João Afonso que viviam em Santiago antes e que foram para Sarrazola, Paço, Olho de Água...

Finalmente começam os esqueletos falidos do Pequenito a ir abaixo na zona da Sá Barrocas e voltou a avançar-se para fechar o plano do bairro, e a Forca a avançar para a zona dos terrenos da família Souto na zona da Estação (verdadeira razão para o túnel). Mas não tem nada de controlado claro.
 
este post e toda esta ideologia doentia que lhe está subjacente é o perfeito exemplo do porquê de Portugal estar cada vez mais miserável e caminhar rapidamente para o terceiro mundo.
É esta mesma ideological que se dissimou pela America Latina tipo fogo num palheiro que levou aqueles países a ruina.
Em Portugal também temos esse problema, o Formador representa o pior que Portugal tem nesse aspecto, é o nosso maior handicap e nunca sairemos do fundo, contaremos com a mão de fora para pedir esmola.
Não entendem o que dá origem a uma sociedade próspera, não entendem que só com trabalho, dedicação e competência se consegue criar riqueza que dê uma forma ou de outra é distribuída.
Só têm uma coisa em mente tirar dos que têm e distribuir pelos que nada fazem para ter.
 
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À custa de uma legião de "formadores", que só vêm o "social first" sem verem sequer o que escrevem como: "tirar aos ricos para distribuir riqueza para nivelar, não é roubar" , com isto só estão a cavar mais fundo o buraco.

Então malta que deu o litro, que fez pela vida ou que até possa ter tido até alguma sorte vá, tem agora de libertar as casas que legitimamente e como investimento pessoal/privado adquiriu, investiu e manteve? Só mesmo nesta república das bananas.

Mas nunca na vida ocorreu aos iluminados optar por vias de construção e incentivo a tal, que como se viu acima ainda é a maior lacuna

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portanto, na última década, construíram-se 6x menos casas que na década anterior.

além disso, em 2022 foram vendidas tantas casas como as construídas em dez anos.

mas os comentadeiros habituais dizem que o problema são a meia dúzia de nómadas digitais ([:D]), o alojamento local (que recuperou centenas de casas devolutas), e os malvados senhorios em geral (uns malandros porque não partilham a ferramenta).


e a turba lerda e bovina acredita.


como os filhos dos pais que moram nesse quase milhão de casas construídas até 2010 agora só têm 169 mil para habitar, e certamente que serão bem mais que 169 mil, e como muitos dos pais se separam também, e todas estas pessoas sobretudo sozinhas ou em casal quer casa... temos o caldo entornado.

Eu vivo num T2 de 70 m2 com a minha mulher que foi construído antes de 1975. Isto era uma casa normal para uma família de 4, nós os dois pensamos em ter uma criança e sentimos que vai ser muito apertado porque eu passei a maioritariamente teletrabalho...

O efeito dos nômadas também tem a ver não só por passarem a definir o preço do mercado, mas igualmente porque introduzem muita ocupação única de casas. É um problema termos uma carrada de T2 e T3 com só uma pessoa, o sub aproveitamento de área que já há nos hábitos de cá é ampliado.

Necessidades diferentes do que era antigamente e não há casas novas em quantidade para dar buffer.
 
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portanto, na última década, construíram-se 6x menos casas que na década anterior.

além disso, em 2022 foram vendidas tantas casas como as construídas em dez anos.

mas os comentadeiros habituais dizem que o problema são a meia dúzia de nómadas digitais ([:D]), o alojamento local (que recuperou centenas de casas devolutas), e os malvados senhorios em geral (uns malandros porque não partilham a ferramenta).


e a turba lerda e bovina acredita.

Óbvio. A construção nunca recuperou da crise de 2009-2014. E nem sequer tem mão de obra para que isso aconteça.
Actualmente constrói-se muito pouco para a classe média.
 
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