citação:Originalmente colocada por Arturval
Vamos ver uma coisa. O teu comparativo, desculpa que o diga, é muito esquisito. Primeiro tens um diesel e um otto. Depois é um FWD e um RWD. Um é claramente uma berlina desportiva e o outro é um a berlina rápida, confortável, bem construída e razoavelmente económica. Por último, a diferença de preços é abismal. Em que é que ficamos? Eu não percebi se queres um carro para andar sempre a esgalhar, se queres um carro para ter condução normal (se bem que apimentada de vez em quando). Também acho que a ideia de comprar um carro para o dia-a-dia tendo como critério a maneira como ele reage nos limites dos limites é esquisita. Vais andar a fazer curvas de lado? Não me parece. No papel é muito bonito, mas depois ninguém anda a fazer powerslides nessas estradas.
Eu percebo perfeitamente as tuas dúvidas.
Vamos lá então por partes, a ver se consigo explicar porque é que o comparativo não é, na minha óptica, esquisito:
1. Conduzir diariamente um MX-5 há oito anos faz com que "andar a fazer curvas de lado" seja tão natural como respirar. Se já experimentaste um sabes do que estou a falar. Não há nada ao mesmo tempo tão tentador quanto fácil.
2. Na minha cabeça não existe diferença entre Otto e Diesel quando se fala do 330d à excepção dos consumos e do maior binário deste a baixa rotação; o que faz do patinar de rodas (traseiras) a
baixa velocidade - portanto sempre com alguma margem de segurança - uma constante. Para tal basta apenas desligar o controlo de tracção.
3. Pretendo um carro que seja a extensão do meu MX-5, maior, mais confortável, capaz de transportar pelo menos 4 pessoas e respectiva bagagem. E, mais importante, sem perder a emoção daquele.
4. É certo que o MX-5 também foge de frente em curvas muito apertadas no momento da inscrição. Mas é aqui que reside o encanto da coisa... a atitude em curva é sempre ditada, em última análise, pela posição do acelerador: meio gás e a subviragem dá lugar a um escorregamento às 4 rodas; gás a fundo e da subviragem passamos a uma valente "atrevessadela" da traseira. Tudo depende do espaço e da disposição que se tenha no momento.
5. Eu quero um carro assim, só que maior... um carro no qual a trajectória é fundamentalmente ditada pelo acelerador e onde o volante serve apenas para apontar e corrigir eventuais excessos daquele. Basicamente, que seja capaz de curvar com as rodas direitas!
6. Será o BMW capaz disso? É certo que o MX-5 tem autoblocante, mas custa-me a crer que com tanto binário o 330d não tenha igualmente um autoblocante por forma a tornar o controlo de tracção menos interventivo e com isso tornar as reações do carro mais progressivas... mas não sei?!
7. Parece-me agora claro que o Honda ATR curva mais à custa do volante do que do acelerador, pese embora o facto do autoblocante permitir "fechar" as trajectórias com maiores doses de acelerador para a mesma posição do volante. Mas no limite é sempre a frente que vai embora. E caso seja a traseira a soltar-se as reacções nunca serão muito lineares, logo de difícil correcção.
8. O baixo peso é mais de meio caminho andado para se obter um conjunto chassis/suspensão mais ágil e linear.
PS: Um Ford Focus ST (2.5L Turbo) um Alfa 156 GTA (3.2L) e um BMW 330i (3.0L) estão todos no mesmo saco: não há carteira para tanta gasolina!!!