Noticia sobre os inquéritos
Naufrágio Nazaré: Defesa já tem relatório da FAP e Marinha
A Força Aérea Portuguesa (FAP) e a Marinha enviaram, na quarta-feira, ao ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, os relatórios da sua participação nas operações de salvamento dos pescadores da embarcação «Luz do Sameiro», que naufragou na sexta-feira a meia centena de metros de uma praia a norte da Nazaré.
A notícia surge na edição desta quinta-feira do jornal Diário de Notícias, que recorda que o ministro da Defesa, Severiano Teixeira, ordenou um pedido de averiguações à rapidez de resposta das Forças Armadas ao pedido de socorro daquele barco de pesca, cujos marinheiros morreram (três) ou desapareceram (outros três) no mar - excepto um pescador ucraniano - à vista desarmada dos populares na praia da Légua, Pataias.
Estes, a par de vários responsáveis autárquicos, sindicais e do sector pesqueiro, têm responsabilizado o Estado pela tragédia e exigido novos e mais meios aéreos e navais para evitar situações que se repetem quase todos os anos.
Segundo fontes castrenses ouvidas pelo DN, circunstâncias factuais do acidente e o modo de funcionamento do sistema de busca e salvamento (rede de satélites, meios aéreos e navais) terão tornado praticamente impossível acudir mais depressa ao local.
A posição do barco criou a primeira dificuldade: estava numa zona de rebentação violenta, de bancos de areia com canais de passagem muito estreitos e rodeado de redes de pesca que impediam a chegada, à embarcação, de nadadores-salvadores (a partir da praia) ou da própria lancha salva-vidas. O facto de a balsa salva-vidas da Luz do Sameiro ter ficado enrolada nas redes é outro sinal indicativo, segundo as fontes, da impossibilidade de chegar ao barco.
A localização precisa do barco criou outra dificuldade: a identificação com rigor do local do naufrágio pode demorar até duas horas, dependendo da posição dos três satélites que fazem a triangulação do sinal de socorro. Na sexta-feira, esse período foi menor porque um pescador avisou o INEM do que se estava a passar quase hora e meia depois da recepção do primeiro sinal de socorro (cerca das 07.00).
Como a posição estimada apontava para um ponto situado a oito quilómetros para norte, a Marinha «enviou a lancha salva-vidas [Joaquim Lobo, do porto da Nazaré] para o sítio errado», sendo que, o próprio helicóptero EH101 Merlin da Força Aérea, que descolou pouco antes das 09.00, recebeu já em voo os dados precisos da rede de satélites, informaram algumas das fontes ligadas ao processo.
A activação dos helicópteros depois de recebida a ordem de descolagem, ao contrário dos automóveis, também é demorada. Nas horas de serviço, a FAP é capaz de colocar um heli no ar em 30 minutos após receber a ordem de descolagem, ou 45 minutos fora das horas de serviço (como sucedeu naquela sexta-feira, aos quais se juntou depois a meia hora de voo entre a base do Montijo e a Nazaré).
Quanto aos locais onde há meios de salvamento - este naufrágio deu-se junto à Nazaré -, é consensual que não pode haver helicópteros em cada praia, frisaram fontes da FAP, ao mesmo tempo que recordam que ter um heliporto em Vila do Conde, quando a maioria dos naufrágios com pescadores da zona ocorre «a mais de 100 milhas» (quase 200 km), pouca diferença faz.
04-01-2007 9:43:55
Diário Digital