citação:
1º - A RAM é parte integrante do território português;
2º - A RAM até ao início do processo de autonomia regional (há cerca de 30 anos) era a região mais atrasada do país (a par da Região Autónoma dos Açores).
3º - Previamente a esse processo, apenas um terço das receitas arrecadadas na Madeira ali ficavam e eram aplicadas. O restante seguia directamente para os cofres do Governo da República em Lisboa jamais sendo aplicados na Madeira.
4º - Nos dias que correm, a RAM é a 2ª Região do país com melhor índice PIB/capita, ficando atrás de Lisboa e Vale do Tejo.
5º - Para tal evolução, em muito contribuiu o papel desempenhado pelo actual Presidente do Governo Regional da RAM e essencialmente, os fundos disponibilizados por Bruxelas.
6º - A riqueza produzida na RAM, beneficia não só a própria, como todo o país. (vide 1º ponto)
7º - O Presidente do Governo Regional é eleito por sufrágio directo da população madeirense, sendo o processo supervisionado pela CNE.
8º - O peso das transferências do "continente" para a RAM, equivalem a cerca de 13,15% do Orçamento Regional.
9º - Com a nova proposta de OE, o peso das "despesas" continentais com este mísero arquipélago será de 0.23% do total do OE.
O meu ponto de vista:
AJJ tem uma maneira de estar na política sui generis. Muitas vezes é rude, mal educado e politicamente incorrecto. Tudo isto deixa uma imagem pouco simpática da RAM no restante país. Porém, certo é que o que diz é correcto, fala a verdade e defende os interesses daqueles que o elegeram. Isto, é o que desde sempre tem incomodado os diversos governos centrais e a classe política nacional, pois à excepção do deputado de Ponte de Lima e o "OE do queijo", é o único político nacional que o faz. O único.
Ao contrário da ideia que se passa em Portugal Continental, a RAM não vive, nem nunca viveu "às custas" do continente, e se alguma vez o fez, fê-lo legitimamente, senão atente-se, não é parte integrante do território nacional? A riqueza produzida não conta para a riqueza nacional? A RAM só é Portugal quando produz jogadores como o Cristiano Ronaldo?O desenvolvimento regional não é desenvolvimento nacional?Não existem transferências e dotações orçamentais para as autarquias por esse país fora?
Se houve regiões neste país que viveram à custa de outras regiões, foi a de Lisboa que desde o povoamento da RAM tirava tudo desta e não dava nada até 1974.
Por outro lado, fomentou-se e fomenta-se a ideia, errada, separatista da Madeira, pelos media continentais. A FLAMA existiu e enquanto entidade terrorista de má memória foi extinta por acção da governação regional, isto porque com absoluta certeza 99% da população madeirense jamais aceitaria a independência em relação a Portugal. Pelo contrário, certo é que uma boa % da população nacional veria com bons olhos a separação deste miserável arquipélago.
A ideia de separatismo sempre partiu de Lisboa e não o contrário. Note-se que a questão remonta até ao casamento inglês de D.Catarina de Bragança onde constava como dote o arquipélago madeirense.
Os madeirenses são muito mais portugueses que a maioria dos portugueses. Basta ver na % ridícula de pessoas nacionais que gostariam de ver Portugal na mão dos espanhóis, oficialmente.
O cerne da questão é que o português é uma pessoa inatamente invejosa. Olhar para uma Região que há umas décadas mal existia, era desprezada e espezinhada e vê-la agora no topo, custa a aceitar. Especialmente quando no comando das operações está uma pessoa difícil como AJJ, o qual por dizer a verdade e ter razão no que diz, custa ainda mais a engolir.
Mas note-se. Nenhum madeirense tem algo contra um continental ou um açoriano. Curiosamente, é manifesto o ódio irracional que uma triste franja de continentais (grande maioria da classe política)demonstra pelos madeirenses. A culpa é do governo central. A culpa é da falta de qualidade jornalística nacional, da falta de isenção e imparcialidade.
Curioso é verificar que, no tocante à população "comum" atingida por este ódio, tal doença deve-se ao desconhecimento da realidade madeirense, pois visitando a RAM, a 99% desse pacientes, é dada alta.
A estratégia de Sócrates é de dividar para governar. Tenta-se voltar madeirenses contra açorianos e vice-versa. Madeirenses contra continentais e vice-versa, apenas caindo em tal situação os ignorantes.
Se fosse para aplicar o critério do PIB que Sócrates exige, então a região de Lisboa e Vale do Tejo não veria 1 Euro.
Mas claro, faz todo o sentido penalizar uma região que em 30 anos passou de atrasada para o topo e continuar a premiar quem em outro período de tempo nada fez. Se tal só por si, faz tooodoo o sentido, melhor ainda quando se premeia a incompetência, agora sim, "à custa" dos competentes.
O pior para Sócrates é que o PS não conseguirá vencer as eleições regionais na RAM, depois surgirão as legislativas, poderá eventualmente vencer novamente (tal como os americanos elegeram Bush, cada povo tem o que merece) mas AJJ e a sua obra continuará, bem como a Madeira o seu trajecto de sucesso, para o seu próprio bem e para o bem de Portugal.