Anorexia, Bulimia . Disturbios alimentares

Fica uma reportagem extensa sobre o tema ANOREXIA.

Foi Publicada esta semana na revista do Correio da Manhã.

Convem conhecer e divulgar, segundo parecia ser anoretica/o está transformar-se num culto a fazer fé na existência de blogs e foruns na Web, onde os intervinientes falam e tratam o assunto como se algo de normal fosse. :( [xx(]


Fiquem atentos aos indicios em filhos ou amigos.



Anorexia
Ana, a amiga assassina


Perda de peso, imagem distorcida de si, alterações de comportamento, muito sofrimento e, em casos extremos, morte por subnutrição são as consequências da anorexia, uma doença com nome de mulher.

A Ana tem muitas amigas e alguns amigos.
Mas a Ana é uma amiga da onça. Maltrata as que mais a adoram. Algumas chegam a idolatrá-la.
A Ana faz delas gato sapato.

Chega a matá-las.

A Ana matou Carolina Reston, Carla Casalle, Luisel Ramos, todas jovens na casa dos 20 anos, ligadas à moda.

Mas a Ana também mata muitas outras jovens anónimas, do ramo da moda, mas não só.

E, no entanto, a Ana é glorificada na internet por milhares de adolescentes em todo o Mundo, que a têm como modelo e fazem a sua apologia em inúmeros ‘sites’, blogues e ‘chats’ de conversação ‘on-line’ ditos pró-Ana.

Mas, afinal, quem é a Ana?

É também na internet que podemos encontrar a sua ‘carta de apresentação’: “Permita me apresentar.

Meu nome (...) é Anorexia.
Anorexia Nervosa é meu nome completo, mas você pode me chamar de Ana.

Felizmente, nós podemos nos tornar grandes parceiras. No decorrer do tempo, eu vou investir muito tempo em você, e eu espero o mesmo de você.” Este é apenas um excerto da bizarra carta que descreve a doença na primeira pessoa, uma carta publicada em muitos ‘sites’ e que faz parte de um assustador ‘movimento’ denominado pró-Ana.

As jovens que frequentam estes ‘sites’ dizem-se ‘a favor da anorexia’ como quem clama ser ‘a favor da despenalização do aborto’.

Mas a anorexia nervosa é uma doença. Uma doença grave e, apesar de tudo, rara, como explica Daniel Sampaio, psiquiatra e responsável pela consulta especializada em Doenças do Comportamento Alimentar (DCA) do Hospital de Santa Maria: “É preciso que as pessoas saibam que a esquizofrenia é mais frequente do que a anorexia”, salienta. E alerta para o facto de existir outra DCA, a bulimia nervosa, com maior expressão, e que, na sua opinião, é pouco divulgada.

Apesar da proliferação dos blogues e ‘sites’ que defendem a anorexia como ‘estilo de vida’, nem todas as doentes os frequentam e, por outro lado, muitas das frequentadoras são jovens com excesso de peso, que “aspiram a ser anorécticas” porque, ainda nas palavras de Daniel Sampaio, “não sabem o que é a anorexia”.

Estas adolescentes elegem as anorécticas como modelo, porque, “como querem perder peso” – refere a endocrinologista Isabel do Carmo, autora de um livro sobre o tema e membro do Núcleo de Doenças do Comportamento Alimentar (NDCA) – “é natural que frequentem na ‘net’ os blogues das outras para lhes copiarem as manobras. As outras são verdadeiramente as vitoriosas, as que conseguiram perder peso”.

É o caso de Francisca, de 20 anos. Francisca nunca frequentou ‘sites’ pró-Ana e acha-os “absolutamente bizarros”.

Mas, um dia, uma amiga começou a apresentar os sintomas que ela tão bem conhecia: “Veio ter comigo e disse-me que ia fazer dieta. Falou-me em planos alimentares, calorias e restrições.

Fiquei horrorizada. Disse-lhe ponto por ponto o que lhe ia acontecer. Que não ia conseguir parar. Porque a fome é um vício.

Só muitos anos depois, já em recuperação, é que ela percebeu que há muito tempo eu já sabia do que se tratava. Depois da primeira consulta que teve, telefonou-me: ‘Sabes, durante estes anos todos eu tive um modelo.

E esse modelo eras tu.’ Eu não queria acreditar que aquilo pudesse ser verdade. Como é que eu podia ser o modelo de alguém? Eu só queria ser normal e que ninguém desse por mim!” Mas a Francisca sempre tinha sido a mais alta e a mais magra da turma.

E também a melhor aluna, a melhor desportista. Como a maior parte das jovens que sofrem de anorexia nervosa: extremamente perfeccionistas, estudiosas e meticulosas. Filhas exemplares, o que faz com que os pais raramente se apercebam de que algo vai mal até que a perda de peso e as alterações de comportamento atinjam níveis alarmantes. Quando Francisca decidiu tratar-se e contar aos pais o que se passava, já tinha entrado na casa dos 30 quilos. Para uma altura superior a 1,70 m.


CHOCANTE ASSOCIAÇÃO ENTRE ANOREXIA E MODA

Para Francisca é chocante que “as pessoas façam uma associação entre anorexia e moda.

Eu nunca me interessei por isso. Acho fúteis as pessoas que têm as manequins como modelos a seguir.

Aliás, quando a minha amiga começou a fazer dieta e eu vi no que ela estava a entrar, afastei-me dela e disse-lhe porquê”. Mais tarde, quando percebeu que tinha sido um modelo para a amiga, Francisca sentiu-se “profundamente culpada”.

A culpa acompanha-a, de resto, desde que se lembra de si. Assim como a anorexia nervosa, embora até hoje tenha dificuldade em aceitar que é “isso” que tem.

Nunca foi capaz de pronunciar “a palavra”. Nem quando andava em terapia com uma psicóloga, no tempo em que tinha sinais de depressão que alertaram as professoras (“Telefonaram da escola aos meus pais: ‘Ela só chora’”), nem, anos mais tarde, quando decidiu contar aos pais o que se passava, no mesmo dia em que marcou uma consulta na Clínica de Santa Catarina de Siena.

Francisca não consegue entender as causas da sua doença. Afirma nunca ter feito qualquer esforço para perder peso, até porque sempre foi magra.

Para ela, o distúrbio iniciou-se porque, ainda antes da puberdade, se sentia diferente dos outros: “Por isso não queria estar com eles; para não estar com eles evitava os sítios que eles frequentavam, o refeitório da escola, o bar, os cafés. E então, não comia.” A pouco e pouco, não comer tornou-se como um vício.

Francisca apercebeu-se de que conseguia controlar-se. Cada dia passado sem comer era uma vitória. Sobre o quê, ela não sabia, mas sentia-se poderosa. E, ao mesmo tempo, a cada vez que atingia um objectivo – “e tudo o que eu queria, eu fazia” –, sentia-se vazia. E fechava-se no quarto a chorar.

Entretanto, os pais orgulhavam-se da filha, a melhor aluna da escola, a menina bem comportada, que não saía, não dava problemas e passava horas a estudar.


LONGOS PERÍODOS EM BRANCO

Na vida de Susana há longos períodos em branco: “Sei que saía da faculdade ao fim da manhã e que, ao fim da tarde, jantava na Espiral (restaurante vegetariano e macrobiótico).

Mas não sei o que fazia entretanto. Um dia larguei o emprego. Fui à consulta do Hospital de Santa Maria. Pesava 35 quilos. A médica quis internar-me.

Fiz tudo para ficar em ambulatório. Deram-me um plano alimentar. Acho que foi aí que comecei realmente a ter um comportamento de anoréctica, a contar calorias, colheres de arroz. Mais tarde voltei ao hospital. Pesava 29 quilos. Mesmo assim deixaram-me sair. Cumpri à risca o plano alimentar. Uma semana depois ainda pesava menos. Nem me conseguia mexer.

Fiquei semanas fechada em casa. Só a minha mãe me acompanhava. Não sei como sobrevivi.” Os médicos também não.

Nos casos em que o Índice de Massa Corporal atinge níveis abaixo dos 16 (o normal é entre 18,5 e 25) e em que a amenorreia (falta de período menstrual) se prolonga por mais de três meses, há indicação para internamento, que pode ser compulsivo. Mas uma das características da anorexia é a manipulação e, frequentemente, as doentes conseguem, à força de promessas, manter-se fora do hospital. Algumas são um prodígio de sobrevivência.

Susana tem consciência de ser “um milagre”. No entanto, nunca acreditou que pudesse morrer.

E nunca o quis, afirma: “Apenas queria desaparecer. Ocupar o mínimo de espaço possível. Não ser notada.” Também garante nunca ter tido preocupação com a sua imagem e muito menos admiração pelo mundo da moda.

Como Francisca, revolta-a a associação entre moda e anorexia. Mas os especialistas colocam as modelos entre as ‘actividades de risco’, assim como as bailarinas e as desportistas. No entanto, salienta Daniel Sampaio, “não se pode determinar uma causa única, a doença é multifactorial.

Acredita-se que existem factores genéticos, familiares e sociais, mas poderá haver um evento desencadeador, como por exemplo abuso sexual”. Não foi o caso de Francisca, nem de Susana. Nem uma nem outra conseguem perceber em que momento a anorexia começou a tomar conta das suas vidas.

Susana tinha, até ao desencadeamento tardio da doença (aos 21 anos), uma vida social muito activa. “De repente, todos os meus amigos desapareceram, menos dois.

As pessoas olhavam para mim de uma maneira... má! Como se eu tivesse escolhido isto.” Já Francisca, pelo contrário, conta que “pessoas maravilhosas têm aparecido” na sua vida. Pessoas que contribuem, sem querer, para intensificar a sua imensa culpa: “Assim que se começam a aproximar mais, eu afasto-me. Sei que vou acabar por desiludi-las.”

Houve, no entanto, um episódio que lhe causou grande mal-estar. Ao prestar provas para ingressar numa escola profissional, foi entrevistada por uma professora: “Às tantas, ela olha para mim e diz: ‘Realmente, é mesmo muito magra. Não me diga que tem uma daquelas doenças parvas das miúdas de agora?!’ Fiquei com vontade de me enfiar no buraco mais próximo.”

Vergonha, culpa, controlo e descontrolo, ódio de si mesma, incapacidade de parar mesmo quando já se está muito magra, perda da noção da realidade. Estes sentimentos acompanham a doente às vezes já muito depois de ter entrado em tratamento.

Assim como alguns comportamentos típicos: contar calorias, cortar a comida em pedaços muito pequenos, calcular meticulosamente todos os momentos do dia.

Francisca já está em tratamento há mais de dois anos, mas ainda hoje não se vê tal como nós a vemos: “Acho sempre que os outros são mais magros do que eu. Há uns tempos fui à praia com um amigo, uma das únicas vezes que fui à praia nestes seis anos.

Passado um bocado disse-me que era a última vez que ia à praia comigo. ‘Porquê?’, perguntei. ‘Está tudo a olhar para ti.’ ‘Mas... a olhar para mim? Porquê?’ ‘És a mais magra desta praia’, respondeu. ‘O quê? Olha aquela e aquela, e aquela...’ Olhou para mim: ‘Estás doida? Qualquer uma delas tem pelo menos mais dez quilos do que tu!’ Todos me dizem, mas eu não consigo ver.

Parece-me que não passo em passagens estreitas ou que não caibo em determinadas calças. Quando as visto, afinal estão-me largas.” Esta distorção da imagem é típica da anorexia nervosa, “mas pode não surgir”, afirma Daniel Sampaio.

E, tal como os outros técnicos, sublinha a importância do diagnóstico precoce e da intervenção terapêutica que, salienta, deve, antes de mais, ser feita por um psiquiatra: “As equipas também englobam nutricionista e endocrinologista, mas a primeira intervenção deve ser do psiquiatra.” Quanto à “adesão” do doente, Daniel Sampaio garante que é conseguida pela insistência, “até porque há muito sofrimento”. Dulce Bouça, presidente do NDCA, vai mais longe: “É errado pensar que as doentes não se querem tratar. Uma anoréctica quer sempre sair da anorexia. É preciso, com muito carinho e sabedoria, demonstrar-lhe que ela continua dona do seu corpo.”


O ABC PRÓ-ANA

LEGIÃO DE JOVENS FAZ APOLOGIA DA ANOREXIA ATRAVÉS DA INTERNET]


A proliferação de blogues, ‘sites’ e ‘chats’ na internet ditos pró-Ana e Pró-Mia fez surgir um novo código utilizado pelas jovens ‘aspirantes’ a anorécticas que elegem a anorexia e a bulimia como um ‘estilo de vida’. Nos blogues, trocam-se dicas sobre como vomitar ou enganar os pais. Os termos que utilizam servem para que se reconheçam entre si como membros desta nova ‘tribo urbana’.

Ana: Anorexia Nervosa; pró-Ana: a favor da anorexia

Mia: Bulimia Nervosa; pró-Mia: a favor da bulimia

Anjo, Boneca, Criança, Princesa: a forma como se designam a si próprias, o que se explica pela alteração hormonal causada pela anorexia, que causa um atraso na puberdade

Controlo: o que todas elas querem atingir

Compulsão: uma crise de voracidade. ‘Tive uma compulsão’ significa: ‘Comi muito’

ED: Eating Disorders (Perturbações do Comportamento Alimentar). Pró-Anas/Mias referem carinhosamente os seus ED como se de uma mascote se tratasse

Miar: vomitar. As ‘Mias’ ou ‘Ana/Mias’ (descritas cientificamente como anorécticas de tipo compulsivo) têm crises de voracidade em que ingerem grandes quantidades de comida e sentem muita culpa, vomitando em seguida

LF: Low Food (pouca comida). Pró-Anas/Mias fazem frequentemente jornadas de LF e promovem LFC (Low Food Colectivos) na rede, concursos em que ganha quem conseguir seguir as restrições mais severas durante mais tempo

NF: No Food (nenhuma comida). NFC: No Food Colectivo. O mesmo que acima, mas observando jejum completo.


ANOREXIA E BULIMIA NERVOSA

OS SINAIS DE ALARME



As Doenças do Comportamento Alimentar traduzem-se por uma série de sinais que, mais cedo ou mais tarde, podem ser notados por pais, professores ou amigos mais próximos.

- Seguir dietas severas apesar de ter um peso normal

- Perda de peso progressivo que é escondida com roupas largas ou sobreposição de peças de roupa

- Recusar ou evitar as refeições em família ou em público

- Saltar refeições

- Isolamento dos amigos

- Hiperinvestimento nos estudos em detrimento de actividades lúdicas

- Tristeza, irritabilidade e alterações de humor

- Idas à casa de banho imediatamente após cada refeição (anorexia de tipo bulímico ou bulimia nervosa) – quando há bulimia ou anorexia de tipo bulímico, a doente vomita a seguir a cada refeição ou crise de voracidade. Também recorre frequentemente ao uso de laxantes.



SINTOMAS QUE PODERÃO PASSAR DESPERCEBIDOS


- Amenorreia (falta de período menstrual) ou desinteresse sexual no caso dos rapazes

- Imagem distorcida de si própria: vêem-se como gordas apesar de muito magras

- Tornam-se ‘experts’ em nutrição: calorias, valores nutritivos e composição dos alimentos deixam de ter segredos para elas

- Sentem-se muito poderosas à medida que vão perdendo peso e muito culpadas quando comem

- Têm muita fome (que pode diminuir à medida que a doença progride)

- Prática intensa de exercício físico

- Práticas de automutilação (anorexia de tipo bulímico ou bulimia nervosa)




CONSELHOS ÚTEIS

A QUEM RECORRER?

Se sofre de uma perturbação do comportamento alimentar ou conhece alguém que possa precisar de ajuda, pode recorrer a uma das consultas especializadas.

CONSULTAS HOSPITALARES

Hospital de Santa Maria

Núcleo de Doenças do Comportamento Alimentar

Telefone geral – 217 805 000

Hospital da Universidade de Coimbra – Serviço de Psiquiatria

CONSULTA DE DISTÚRBIOS ALIMENTARES

Telefone geral – 239400400/239400500

Linha Azul – 239827446

Hospital de São João – Serviço de Psiquiatria

Núcleo de Doenças do Comportamento Alimentar

Telefone geral – 225 512 100

Linha Azul – 225 096 093

OUTROS NÚMEROS E CONTACTOS

Linha SOS Adolescente – 800 202 484

Dias úteis, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00

Centro SOS Voz Amiga – 800 202 669

Dias úteis, das 12h00 às 24h00

AFAAB – Associação dos Familiares e Amigos dos Anorécticos e Bulímicos

Telefone – 22 200 00 42 (Porto)

‘E-mail’ – afaab@ip.pt

www.comportamentoalimentar.pt

Em Lisboa, tambem existe uma clínica privada especializada nas Doenças do Comportamento Alimentar. Chama-se Clínica de Santa Catarina de Siena (Santa Catarina de Siena – na imagem – é descrita como a primeira anoréctica de que há memória. Viveu no séc. XIV).

Fica situada na Avenida 5 de Outubro, n.º 114, 1.º Dt.º



Edit - "Pra cima"
 
Infelizmente há muito para contar.

Sites e blogs na Web com ADOLESCENTES em movimentos de afirmação pro Anorexia.

Raparaigas que o unico modelo e exemplo de vida é tornarem-se anoréticas, ou extremamente magras.

Reportagem falou de um site repleto de registos nacionais e com grande afluência. [8]

Miudas que trocam experiências para conseguir viver somente com 40-50Kcal por dia.

Vê estes tristes exemplos

http://blog.com.pt/blog.php?id_blog=6024

http://inforum.insite.com.br/4354/msgs/1924/

http://pro.anna.zip.net/

http://proana-4ever.blogspot.com/

http://milaproanamia.blogspot.com/

http://eatingdisorders.weblogger.terra.com.br/index.htm
 
Isso de comer e deitar fora acho mal, se é para estragar não comam que anda ai muita gente com fome, e temos que poupar recursos para a comida chegar para toda a gente...

Eu imagino os namorados dessas gajas "Ui que femur tão bom" :D
 
Dois exemplos em reportagem


citação:Emagrecer, nem que isso me mate
2007/01/04 | 11:50 || Sara Marques
Há sites e comunidades virtuais pró-anorexia e bulimia. Ensinam truques para perder o apetite, provocar o vómito e enganar a família. Jovens em desespero pedem ajuda para emagrecer mais e chegar «à perfeição»

Tratam-se por annas e mias e têm um objectivo em comum: emagrecer. Não consideram a anorexia e a bulimia como doenças, mas sim como um estilo de vida, embora, muitas vezes, esses comportamentos as levem à morte.

A coberto do anonimato, rapazes e raparigas, alguns com apenas 13 anos de idade, juntam-se em comunidades virtuais e partilham experiências, truques para perder o apetite, provocar o vómito, enganar os familiares e amigos e de como suportar ficar dias sem comer. «Ajudem-me, por favor. Tenho 1.60m de altura e 49 quilos. Quero 37 quilos!!!! Preciso de ajuda!». Este apelo desesperado é um exemplo dos muitos que circulam nestes sites.

Thayrinne Machado Brotto, a jovem brasileira que morreu este domingo na sequência de uma bulimia, participava em algumas destas comunidades virtuais e na sua página pessoal anunciava reuniões de Annas e Mias, que se realizavam todas as noites através do Messenger.

Com uma simples pesquisa na internet foi possível encontrar vários desses sites. A maioria direccionada para raparigas, mas também há alguns para rapazes. São sobretudo páginas espanholas e brasileiras, mas há portugueses que os frequentam e também começam a surgir sites pró-anorexia e pró-bulimia em Portugal.

Fotografias de mulheres magras, sobretudo manequins e actrizes, não faltam. Kate Moss e Victoria Beckham são as maiores «inspirações». Estes são os modelos a seguir, os objectivos de vida das autoras dos sites. Também não faltam imagens de mulheres excessivamente gordas, o pior pesadelo das annas e das mias.

Aliás, colar fotos de pessoas muito magras e muito gordas no frigorífico e no espelho é um dos conselhos dados para manter a força de vontade e aguentar as privações e sofrimentos da anorexia e da bulimia. «Lembra-te do objectivo final: ser magra. Ninguém vai gostar de ti se fores uma vaca gorda», diz um dos sites.

Jogar com a baixa auto-estima das pessoas com distúrbios alimentares é aliás uma das armas destes sites. «Se emagreceres vais poder ver os teus lindos, lindos ossos», «as modelos que todos admiram são lindas, a imagem falada da perfeição. Elas são gordas? Não!», «pessoas gordas atraem pessoas gordas. Queres que porcos gostem de ti porque és igual a eles?», «as pessoas gordas são enormes, mas mesmo assim, as pessoas olham para elas como se não existissem. Já viste alguém não reparar em um esqueleto ambulante?».

Sugestões de dietas também não faltam. Além da contagem criteriosa das calorias, é possível encontrar planos alimentares em que as refeições principais são um iogurte light ou um tomate. E as dietas no food, em que o objectivo é ficar o máximo de dias sem comer nada. E há até quem faça concursos nos sites, a ver quem aguenta mais dias sem comida.

E depois há o incentivo. Em momentos em que a força de vontade os abandona, encontram nestas comunidades alguém que lhes recorda as vantagens de estar magro e de como «a comida não serve para nada, a prova é que se transforma em dejectos». «A anna e a mia são as tuas melhores amigas. Não te traem como a comida», afirmam.

Artigo e Fonte


A reportagem de hoje na RTP é exactamente nestes moldes
 
citação:Originalmente colocada por Excalibur

Infelizmente há muito para contar.

Sites e blogs na Web com ADOLESCENTES em movimentos de afirmação pro Anorexia.

Raparaigas que o unico modelo e exemplo de vida é tornarem-se anoréticas, ou extremamente magras.

Reportagem falou de um site repleto de registos nacionais e com grande afluência. [8]

Miudas que trocam experiências para conseguir viver somente com 40-50Kcal por dia.

Vê estes tristes exemplos

http://blog.com.pt/blog.php?id_blog=6024

http://inforum.insite.com.br/4354/msgs/1924/

http://pro.anna.zip.net/

http://proana-4ever.blogspot.com/

http://milaproanamia.blogspot.com/

http://eatingdisorders.weblogger.terra.com.br/index.htm

:( :( :(
[:0] [:0] [:0]

Mas que grande pancada, há um desses que tem fotos e até faz confusão de tão magras que são, horrível.
 
citação:Originalmente colocada por Nthor
:( :( :(
[:0] [:0] [:0]

Mas que grande pancada, há um desses que tem fotos e até faz confusão de tão magras que são, horrível.

Realmente uma pessoa fica chocada como é que alguém se predispôe a semelhantes coisas.

:( [xx(]
 
citação:Originalmente colocada por Excalibur

Infelizmente há muito para contar.

Sites e blogs na Web com ADOLESCENTES em movimentos de afirmação pro Anorexia.

Raparaigas que o unico modelo e exemplo de vida é tornarem-se anoréticas, ou extremamente magras.

Reportagem falou de um site repleto de registos nacionais e com grande afluência. [8]

Miudas que trocam experiências para conseguir viver somente com 40-50Kcal por dia.

Vê estes tristes exemplos

http://blog.com.pt/blog.php?id_blog=6024

http://inforum.insite.com.br/4354/msgs/1924/

http://pro.anna.zip.net/

http://proana-4ever.blogspot.com/

http://milaproanamia.blogspot.com/

http://eatingdisorders.weblogger.terra.com.br/index.htm

Talvez por já ter convivido com esta realidade, pois várias amigas minhas tiveram sintomas destes (mas tudo escondido do publico geral), fiquei particularmente chocado ao ver estes sites:(.


É que estes fenómenos são muito mais comuns do que as pessoas pensam. Poderão não ser casos terminais, mas o numero de raparigas que já vomitou a comida que ingeriu é bem maior do que a maior parte das pessoas pensa.
 
citação:Originalmente colocada por Corsa 1200 Sport
Talvez por já ter convivido com esta realidade, pois várias amigas minhas tiveram sintomas destes (mas tudo escondido do publico geral), fiquei particularmente chocado ao ver estes sites:(.


É que estes fenómenos são muito mais comuns do que as pessoas pensam. Poderão não ser casos terminais, mas o numero de raparigas que já vomitou a comida que ingeriu é bem maior do que a maior parte das pessoas pensa.

Pois eu também pelo motivo de conviver com anorexia nervosa, tenho uma especie de cruzada contra estas doenças que são directa ou indirectamente induzidas.

Além daquelas estupidas situações criadas pelas modas e agências de moda.
 
Mais uma miuda morre com anorexia, desta vez no Uruguai.

A irma morrera do mesmo modo alguns meses antes. [s)]

NAC_SOC_web_33.jpg


Amanhã de terça-feira já ia longa e Eliana Ramos ainda não se tinha levantado. A avó, com quem vivia actualmente, dirigiu-se ao quarto para a acordar. O cenário com que se deparou foi devastador. Tocou a neta no rosto e sentiu-a fria. Elle, como era conhecida a modelo de 18 anos no mundo da moda, tinha morrido durante a noite, em Montevideu, no Uruguai.


A avó chamou imediatamente uma equipa médica que apenas confirmou o óbito. Segundo os médicos, Elle teria sofrido um derrame cerebral e estaria morta desde as 10h00 da manhã.

Os pais estavam fora da cidade e foram apanhados de surpresa com a notícia da morte da filha. O regresso a Montevideu foi imediato.

A tragédia abateu-se sobre a família seis meses depois da filha mais velha, Luisel Ramos, ter morrido em plena passerelle, durante a Semana da Moda na capital uruguaia.

A jovem, na altura com 22 anos, foi vítima de uma paragem cardiorrespiratória, mas foi a anorexia a razão apontada para a causa da morte. Na altura, o pai de Luisel admitiu que a filha não se alimentava há vários dias.

E apesar do derrame cerebral ser apontado por fontes próximas da família como responsável pelo falecimento da Elle, o certo é que são muitas as vozes no país que apontam o dedo aos eventuais distúrbios alimentares da modelo. A morte das duas irmãs, num tão curto espaço de tempo, está mesmo a levantar um acalorado debate sobre os perigos da anorexia no Uruguai.

Elle, na moda desde os 16 anos, é a oitava vítima de anorexia nos últimos seis meses.

A morte de Eliana Ramos levou o juiz Roberto Timbal a ordenar a realização da autópsia para que fossem apuradas as causas reais da morte. O corpo foi ontem mesmo autopsiado no Instituto Técnico Forense daquele país, mas os resultados não foram divulgados.

Segundo afirmou o director da Polícia Técnica, Lucas de Armas, ao jornal ‘El País’ no Uruguai, “ainda não se pode determinar a causa da morte” da modelo.

PAIS DESFEITOS

Os pais das duas jovens estão desfeitos com a tragédia. Familiares próximos confirmam que o casal “está muito mal”. “A morte de Luisel ainda está muito presente”, concluíram.

Elle assistiu nos bastidores à morte da irmã mais velha. Antes de entrar na passerelle, Luisel e Elle abraçaram-se fortemente. Afinal, era a primeira vez que desfilavam juntas. À entrada dos bastidores, Luisel caiu inerte.

CORRIDAS NA PASSERELLE

No último fim de semana, cinco manequins foram proibidas de desfilar na ‘Passerelle Cibeles’, em Madrid. Motivo: foram consideradas demasiado magras. “O objectivo é certificarmo-nos de que as jovens são saudáveis e não têm uma influência negativa ao passar a imagem de obsessão pela magreza”, disse Susana Monereo, médica que avaliou as modelos. Já em Nova Iorque tinha sido usado o mesmo método.

Diana Ramos

http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=231185&idselect=10&idCanal=10&p=200
 
Agora também não se fala de mais nada..fogo!
Eu sei que é triste morrerem jovens desta forma,mas acredito que morram todos os dias..não é lá por serem modelos ou assim que têm mais importância!
 
Agora também não se fala de mais nada..fogo!
Eu sei que é triste morrerem jovens desta forma,mas acredito que morram todos os dias..não é lá por serem modelos ou assim que têm mais importância!

Mais importância é claro que não têm, são pessoas como outras quaisquer, mas o facto de serem conhecidas (nem que seja só no país delas) leva a uma "desculpa" para se poder noticiar estas doenças com fundamento e assim pode ser que as raparigas se vão consciencializando que não comer pode matar.. :)
 
A modelo Brasileira Ana Carolina Reston aliás Carol Reston ( link pode não abrir a página está off, por motivos óbvios.

Elite Model Look

Morreu hoje no Hospital onde havia sido internada no passado dia 24 de Outubro.

Foi vitima de ANOREXIA.

Para quem não acredita nos problemas associados a esta actividade era bom ouvir os apelos da mãe da agora falecida Modelo.


A noticia completa

Modelo brasileira morre vítima de anorexia

SÃO PAULO

A modelo Ana Carolina Reston Macan, de 21 anos, morreu na última terça-feira vítima de anorexia nervosa, depois que o seu quadro se agravou e evoluiu para uma infecção generalizada. A jovem tinha cerca de 40 quilos e 1,74 m de altura e um Índice de Massa Corporal (IMC) de apenas 13,2, quando o ideal é 18,5, de acordo com a Organização Mundial da saúde (OMS).

Para calcular o índice, divide-se o peso pela altura ao quadrado. A menina deveria pesar pelo menos 57 quilos para estar saudável de acordo com o índice. A modelo foi internada em 25 de outubro com insuficiência renal. Ela foi enterrada no cemitério de Pirapora do Bom Jesus, na Grande São Paulo.

Nascida em Jundiaí, numa família de classe média, Ana Carolina sonhava em ser modelo desde criança. Após vencer um concurso realizado no interior, foi "descoberta" por uma olheira de agência e começou a trabalhar com 13 anos. Atualmente, Ana Carolina trabalhava para a agência L´equipe. Ana trabalhou em agências como Ford e Elite.

A anorexia é um distúrbio alimentar resultante da preocupação exagerada com o peso corporal. As vítimas desta doença nervosa se recusam a comer, perdem muito peso e podem chegar rapidamente a um grau extremo de desnutrição. O índice de mortalidade chega a atingir 15%dos casos.

A prima de Ana Carolina, Geise Strauss, de 30 anos, com quem morava em suas temporadas no Brasil, revelou que a menina comia pouco e, logo depois, ia para o banheiro (provavelmente vomitar o que havia ingerido), segundo entrevista publicada no jornal Folha de S. Paulo. Geise contou ainda que o que a prima mais comia era maçã e tomates.

Distúrbios alimentares

Bulimia e anorexia. Os dois são distúrbios alimentares. Mas, de acordo com o endocrinologista Ricardo Botticini Peres, do Hospital Albert Einstein, na anorexia a pessoa não tem apetite. Já na bulimia, a pessoa come compulsivamente e depois vomita o que ingeriu. "O que ocorre é que muitas vezes os dois estão associados", explica o médico.

Ambos são distúrbios que atingem na maioria as mulheres, principalmente as que trabalham em atividades relacionadas à moda e imagem como as modelos, de acordo com Peres.

O tratamento ideal envolve uma equipe multidisciplinar com endocrinologista, psicólogo, psiquiatra e nutricionista. "A terapia é essencial para a pessoa tratar aspectos como a ansiedade e entender que está doente", diz Peres.

Modelos resistem

De acordo com psicóloga Maria Beatriz Meirelles Leite, que trabalha com agências de modelos, ao se olharem no espelho, as adolescentes que têm a doença sempre se acham gordas. "Há uma resistência da adolescente em aceitar a anorexia. A menina não vê a necessidade de procurar um tratamento por acreditar que esteja tomando a atitude correta", afirma a psicóloga.

Além disso, Maria Beatriz completa que, entre as próprias modelos existe o preconceito em relação à análise. "Na cabeça delas, as que fazem terapia não estão bem. Já as que não fazem têm a oportunidade de conseguir melhores trabalhos".

É difícil também para a família perceber o problema. Para começar, é comum que as modelos passem muito tempo longe de casa e embora rejeitem a idéia de estar doentes, as meninas disfarçam o problema. "Elas costumam, por exemplo, esconder comida, fazer ginástica num ritmo excessivo e usar laxante escondido da mãe", alerta Maria Beatriz.

De acordo com o endocrinologista Ricardo Peres, a melhor forma de notar a doença é a atenção que os familiares ou as pessoas próximas devem ter quando as adolescentes insistem que estão gordas por mais magras que estejam e sempre reclamam que a roupa está apertada. "A observação pode contribuir para um diagnóstico precoce e a cura que acontece depois de um tratamento longo e difícil que pode apresentar várias recaídas", afirma Peres.
http://www.correiodoestado.com.br/exibir.asp?chave=141761,1,2,16-11-2006

Elite Model Look Agencia da Modelo

Acho que este tópico está de parabéns, pois alerta para um problema muito grave que afecta todas as idades. A anorexia e bulimia não é só um problema que afecta as jovens raparigas, é uma doença que nos afecta a todos nós [s)] .
Por curiosidade fui ver os sites "pro ana" e "pro mia" e chocou-me, como é que é possível alguém incentivar uma coisa dessas. é preciso estar mesmo alienado, completamente fora dos parâmetros ditos normais, o estado psicologico deve estar mesmo muito afectado...de facto assustou-me e senti um misto de revolta, receio...impotência! Eu já perdi uma pessoa que me era querida por causa dessa "amiga Ana", e essa pessoa era uma mãe/mulher de 46 anos.
Por isso parabenizo-te Excalibur pelo excelente tópicoapr:)
 
Mais importância é claro que não têm, são pessoas como outras quaisquer, mas o facto de serem conhecidas (nem que seja só no país delas) leva a uma "desculpa" para se poder noticiar estas doenças com fundamento e assim pode ser que as raparigas se vão consciencializando que não comer pode matar.. :)


Exactamente... Antigamente havia o mito "a gordura é formosura!", Depois o que era bom era ser muito magra... Mas o melhor é ficar no meio termo... E hoje em dia muitas pessoas são vitimadas pela magreza excessiva...
 
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