É com cada barbaridade aqui... [:0]
Antes de mais, e porque toda a gente, mesmo que o negue, gosta de dar
o gostinho ao dedo, há que falar das performances.
Para o mesmo carro (peso, aerodinâmica, etc...), e para o mesmo tipo
de motor (estamos a falar em disposição e cilindrada), um Otto é
SEMPRE melhor, consumos à parte.
A grande vantagem dos diesel é serem turbo-dependentes, ou seja, lidam
bem com os aumentos de pressão provocados pelo turbo.
O próprio trunfo dos diesel, tão calorosamente aclamado, é na sua maior
parte resultado do turbo: o binário.
Por esse motivo é incorrecto comparar um turbodiesel com um otto
atmosférico, até porque o turbo é um acessório do motor.
Na maioria dos casos, para um turbodiesel existe um otto com cilindrada
idêntica e a debitar a mesma potência, ou mais.
Claro que o turbodiesel tem mais binário e depois surge a temática
das reprises, mas isso é outra comparação absurda. Lá porque os
diesel curtem caixas dormentes não quer dizer que não se possa usar
a caixa nos otto. Aliás, é para isso que ela serve.
Portanto "reprisem" à vontade, que isso só é vantagem para quem não
tem pachorra para mexer na caixa.
Mas como se tem vindo a discutir a parte económica da questão, vamos
então alterar aqui umas premissas.
Se tivermos o mesmo carro com um motor 2.0 TD e com um motor a gasolina
de 2 litros, o diesel será, porventura, mais caro. Pode até ter
revisões mais baratas e ser mais rentável por cada quilómetro
percorrido e, se calhar, até compensa a muita gente.
Mas neste caso, muito provavelmente, as performances equiparar-se-ão,
se não se superiorizarem até no caso do otto.
Podem dizer que um valor de potência normal para um otto de 2 litros
é, actualmente, cerca de 150cv, e que um turbodiesel já tem valores
superiores, mas esses diesel são, ao fim e ao cabo, os mais puxados
de todos. E comparam-nos com motores a gasolina perfeitamente banais.
Se compararem com os motores otto de 2 litros que já vão rodando os
180/200cv a coisa muda drasticamente de figura.
Mas, e voltando à ideia da economia, podemos ir buscar o mesmo
desempenho a um otto de cilindrada mais baixa, ou até mesmo com uma
cilindrada MUITO mais baixa e um turbo, como tem vindo a ser feito
nos últimos tempos.
Assim sendo ficamos com um carro ainda mais barato, não perdemos em
performance e, se quisermos, não encarecemos por aí além o custo por
quilómetro.
Depois há a história da desvalorização. Ok, é verdade que os diesel
têm muita procura em 2ª mão e que desvalorizam menos que os otto.
Mas... isso não é uma ENORME vantagem para quem quer comprar um
carro a gasolina?
Reparem: estávamos a falar de economia e a comparar o preço e os
custos de manutenção entre dois carros novos (diesel vs. otto).
Se, como para muitos, a compra dum usado não for problema, tudo o
que eu disse até agora passa a ter muito mais peso no caso de usados.
Já que desvalorizam tanto, podemos comprar um "gasosas" MUITO mais
barato que um diesel do mesmo ano que terá, porventura, mais
quilometragem que o otto.
E no que diz respeito à fiabilidade, já lá vai o tempo em que os
conta-quilómetros dos Mercedes davam a volta ao completar o milhão.
Os diesel actuais, fruto dos aumentos brutos de potência e binário
e do recurso aos turbos, tornaram-se mais frágeis e, portanto,
passaram a contar com uma longevidade reduzida, a não ser que se tenha
muito cuidado com eles.
Um otto atmosférico é, como tem vindo a ser há muitos anos, mais
passível de ser "abusado" e de continuar a perserverar.
É só a minha perspectiva sobre o tema.