Boas pessoas! finalmente um bom tópico. ou deberei dijer umhuê vãuê tuópico?
Existem várias nuances quanto à pronuncia. A do Norte é parente próxima do Galego, ou melhor, é o português antigo onde se usam termos antigos. não se utiliza o gerúndio que apenas é usado no Alentejo e Algarve.
Conseguem imaginar um Tripeiro, um Vimaranese ou um Minhoto a dizer: -"estou fazendo a cama mã"? não, pois não...certo. Em Nortenho seria assim: -"fuoda-sse, mas que carhago! já estouhe a fazhiere a káauma mãi-lhe!!"
Ligeiras diferenças... A pronuncia do Porto é muito dificil de conseguir pq aí há um "R" que é quase inimitável. o "R" de falarhe, comerhe.
Mais fácil imitar é o Fiê,Ciê,Piê ou a Quiê,Guiê,Diê e o "à minha beirha" e claro está, o Cimbálino,o fehinu.
Adiante. a troca dos v`s pelos b`s apanha alguma parte das beiras e todo o norte, ou quase todo, mas não é genuíno da zona do porto (pourtu, como se diz nas auntas e no bulhõ). Por exemplo em trás os montes não se diz boi, mas sim voi, ou seja, troca-se literalmente e não apenas o comum:-"bou biere se te trago uma cerbeija carago!".
Esse v pelo B tem origem em Castela, é assim tb em Espanha onde não existe o som V. Esse som V existe apenas na America Latina (Cuba por ex.)
Em Lisboa, por exemplo, tb não se fala bem , antes pelo contrário (eu como lisboeta, alfacinha não sou pq sou apenas filho de pai alfacinha e esses são os de 3 gerações nascidas na urbe), dizia eu, em Lisboa come-se as palavras, talvez para disfarçar as raizes pois é dificil encontrar genuínos lisboetas a falar à Alfama ou Mouraria: -"Oh caaarlx trásafebra pabrasa". os lisboetas são os filhos, netos etc de galegos, beirões, algarvios, alentejanos e nortenhos que aqui trabalham desde há algumas decadas largas...daí talvez o comer da frase.
Esse comer da frase complica de tal maneira o turista que a estação cais do sodré é ouvida assim: -"Caixodré" literalmente. Assim como campo-pequeno soa a Cãpequeno. é muito complicado para quem aprende português conseguir não parecer um autómato a falar...
Em Setúbal, por exemplo: -"tenho sarrrrdinhas e carrrapau!" grita o pescador. A sua pronuncia tem origem nos antigos tradutores, homens do povo que devido ao seu trabalho com holandeses establecidos no porto de setúbal ganharam o sotaque "rrrrrr" que ainda perdura nas partes pobres da cidade sempre junto ao porto de setúbal. este sotaque vai desaparecer na próxima geração provavelmente. investiguem se puderem.é uma coisa engraçada.
Pior mesmo é nos Açores nalgumas ilhas onde o sotaque é dificil de entender, não são apenas os U`s afrancesados como os do Pauleta: -" vou marcar "üm" gol", é muito mais que isso com palavras açoreanizadas que vêm do Inglês como: naifa (knife.
Para mim, o sotaque mais dificil de imitar é o Madeirense...perto só a Maria Rueff, se bem que ainda lhe falta algo. não é só dizer semelhas em vez de batatas e apanhar a abelhinha pq o horário está atrasado. (abelhinha=taxi, horário=autocarro). falta a cantilena anasalada que é do mais inatingível ao comum dos mortais e aprendizes da arte da imitação.
Já o Algarve é a região onde pior se fala e onde mais pontapés se dá na gramática. foi uma região esquecida e de grande abandono escolar onde a tradição oral é muito forte. diálogos como :-"Atã Mã!? já li désti u dinhêru?" -"Ai moç! nã le di a êli, dile à Ti Jana!!".
É por vezes dificil saber o que dizem...
Boas investigações, pesquisem já agora o falar de monsanto onde existe a africanada "TX" em palavras como : Caitxa, Catxal, Catxorro, que não se sabe bem de onde vem...provavelmente de espanha, óbvio[

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há ainda o Quadrazenho (Quadrazais), o Barranquênho (Barrancos) e o Mirandês. a última 2ª lingua oficial de Portugal, as outras duas candidatas a tal.
Um abraço a todos e busquem sempre na diferença uma boa conversa regada para se aproximarem e conviverem fora das burrices e bairrismos que por vezes inundam este forum.
