citação:
Originalmente colocada por Manoel
Pacheco Pereira no Abrupto:
Para quem tem dúvidas sobre a governamentalização da RTP, o telejornal de hoje deve ser visto muito atentamente. Para quem está sempre a pedir exemplos, e a quem se está sempre a dar exemplos que depois não se quer discutir, o telejornal de hoje é um excelente exemplo. Hoje foi o dia do debate parlamentar sobre o OE. Até aos primeiros minutos tudo esteve bem: o debate foi animado e permitiu uma peça dinâmica de contraditório. Por ela se pode ver que o debate não correu muito bem ao Primeiro-Ministro, mas isso não é em si relevante, só viria a favor da síntese televisiva. O problema é o que acontece depois, mais um Momento-Chávez perfeito.
À saída. O Primeiro-Ministro é perguntado sobre declarações de Jardim, reduzidas ao estilo do som que morde ou seja, depuradas de argumentos, a favor da frase bruta. Aí a culpa é só de Jardim que se põe a jeito pelo modo como fala. Até aqui muito bem, era um facto novo e tinha sentido perguntar, naquelas entrevistas de porta de saída, o que o Primeiro-Ministro pensava. O problema é que, depois dos 15 segundos que são relevantes para a resposta, seguiu-se uma longa exposição de vários minutos, uma imensidade de televisão que desequilibra totalmente a reportagem, em que, num discurso limpo, se repetem pela enésima vez argumentos conhecidos das teses governamentais sobre o OE.
O Primeiro-Ministro acaba assim, sem nunca ter sido interrompido por uma corte de jornalistas silenciosos (pelo menos da RTP), por repetir sem contraditório o que acabara de dizer dentro da sala, reforçando nessa fala límpida tudo o que o governo queria dizer. Do ponto de vista jornalístico não há aí nada de novo, e é isso que é favorecer a propaganda do governo. O Primeiro-Ministro faz o seu papel, debita o seu spin, os jornalistas da RTP, que não o interromperam ou não reduziram a peça aos poucos segundos iniciais, é que não estão a fazer o deles.
Quando estiver em Rede este telejornal das 20 horas de hoje, vale a pena ver e que cada um julgue por si.
7 de Novembro de 2006
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