citação:
Originalmente colocada por JeTBoy
É impressão minha ou este "Chevrolet" usa a base do Corsa-B?
A questão das plataformas
JetBoy, a plataforma utilizada é realmente a do Corsa B, embora revista e melhorada. Mas, sinceramente, causa-me estranheza esta fixação (não estou dizendo que seja o teu caso..) que muitos portugueses têm com plataformas.
Do pouco conhecimento que eu tenho de produção automobilística, considero que aquilo que todos aqui chamam de PLATAFORMA, seria o que se pode denominar o assoalho do carro. Pois é sobre esta parte que o resto é montado - por soldagem.
Esta parte que denominaremos de plataforma, é na verdade uma chapa única estampada com todas as reentrâncias e dobras necessárias. Algumas destas dobras compoem o que podemos chamar de "longarina". Ao contrário dos carros antigos e caminhões ela não é uma peça a parte, mas o efeito causado pela dobra de uma peça plana. Exemplificando: pegue uma chapa plana de qualquer material - papelão por exemplo - e tente dobrá-lo. Fácil? Ok, agora pegue este mesmo material e primeiro faça agumas dobras (estampagem) de forma a conferi-lo um formato de U. Agora tente dobrá-lo. Ficou mais difícil, não? Pois é assim que funciona o conceito de longarina nos carros atuais. Confiram na parte de baixo ou pelo assoalho, que as dobras do assoalho no sentido longitudinal tem exatamente esta função. Esta peça que é praticamente a maior peça estampada de um carro, é fabricada em prensas denominadas de TRANSFER, as maiores já usadas na indústria automobilística.
Se alguém aqui conhece algo de estampagem, pode imaginar o quanto deve custar o conjunto prensas mais matrizes. Os tubos mais o olho da cara. Diferente de outras linhas de estampagem, não se troca as matrizes quando bem se entende, e já deu para entender porque. Isto significa uma outra linha de produção literalmente independente. Além das plataformas outras peças grandes e importantes são produzidas nestas prensas.
Em um carro atual, independente de marca ou país, o conceito usado para chassis, é o do monobloco. Tecnicamente, aqui não existe uma peça como a longarina dos caminhões e qualquer componente da carroceria é estrutural. Por isso nos carros atuais não se pode mexer com portas, colunas - transformar um carro normal em conversivel, por exemplo, sem afetar fortemente a rigidez do veículo.
Por isso, quando aparecem alguns jum*&&¨%entos aqui para dizer que o Prisma é mais frágil porque o seu "assoalho", digo plataforma é do Corsa B, ou porque o carro X fez os testes do Euroncap, etc, está simplesmente jogando água fora da bacia.
Até onde interessa para o consumidor?
A grande questão que pode sobrar de tudo que foi dito sobre plataformas, é: até onde ela interessa para o consumidor? NA MINHA OPINIÃO: muito pouco. Ela diz respeito principalmente ao fabricante.
Tomemos o caso do Prisma e de sua família. A plataforma afetará decisivamente o espaço interno, por manter fixo o entre-eixos, e alguma coisa no comportamento dinâmico, possivelmente o conforto, na medida em que a pequena distância entre-eixos possibilitará maiores oscilações longitudinais quando se trafega em alta velocidade em estradas.
A rigidez estrutural: não depende só da plataforma, mas de muitos outros componentes, por isso não a incluo neste rol. Tampouco estabilidade. Depende de elementos que não fazem parte da plataforma. No meu modo de pensar, plataforma não é um item nem sequer opcional a ser adquirido, pois as características que eu citei acima, podem ser avaliadas visualmente por outros detalhes, sem que se precise identificar a plataforma sobre a qual foi construido um determinado carro.
Cumprs.
