citação:Mas, como vês, tu próprio crês que o país vai continuar a empobrecer! Mas porquê, então, se estas medidas que também defendes são as correctas?
E porque é que acreditas que o "médio e longo prazo vão ser totalmente diferentes...para...MUITO MELHOR."? Tu acreditas em políticos?
Eu não! Porquê? Por causa, precisamente, dessa conversa de que algures no futuro viveremos todos melhor que eu já ouvi há décadas no passado, percebes?
Este é um país adiado porque não tem a coragem de querer viver melhor. O caminho para melhorar tem de ser feito, de facto, não hajam dúvidas! Mas não é pela direcção em que vamos que caminhamos para lá e tu também reconheces que caminhamos para uma situação pior, embora eu acrescentasse que caminhamos para muito pior...
Repara nos 10 países que aderiram mais recentemente à UE, para além dos outros 14 que, para além de nós, já "cá" estavam, quase todos nos ultrapassaram em progresso e nível de vida! Porque terá sido? Terão eles apostado na instabilidade social, no desemprego, no aumento de impostos, na precaridade no trabalho? Não. Investiram claramente no contrário.
Para o ano que vem, 2007, irão entrar mais dois países, a Bulgária e a Roménia, os quais, certamente, saberão aproveitar a embalagem do comboio europeu para se lançarem bem para a nossa frente...
Então porque razão nós não conseguimos fazer isso? Seremos o povo mais estúpido da UE? Seremos o mais incompetente? Trabalharemos nós menos do que os outros? Não!
Quem trabalha por cá faz, precisamente, a mesma coisa que os trabalhadores desses países faz, trabalha com afinco até...
...a empresa fechar...
E fecham, fecham, fecham, fecham, fecham...[8][8][8][8]
Desaparecem pela calada da noite com máquinas e equipamentos, com o dinheiro que o país lhes deu para criarem riqueza, com a confiança que neles foi depositada!
Sim, muitos dos empresários em quem o país confiou revelaram-se autênticos criminosos! Porquê? Já se esqueceram dos biliões e biliões de contos de que beneficiámos da, então, CEE? Para onde foram?
O que foi feito dessa injecção estúpida de verbas que desapareceu, simplesmente, "sem deixar rasto"? Não sabem? Ou saberão? Claro, que foram para os célebres "jipes", claro que foram para os barcos de luxo, claro que foram para contas bancárias nos vários paraísos fiscais, claro que foram enbanjadas nos casinos, na prostituição "de luxo", nos objectos de adorno preciosos, nos apartamentos em cada canto do mundo...
E agora? Agora pagamos nós todos, os que cá ficámos a aguentar esta ***** toda, patrões e empregados, privada e pública, a caminhar para um estuário infecto por um esgoto de vergonha e de incapacidade a que não estamos a saber dar resposta!
É preciso fazer alguma coisa? Claro que é, nunca aqui ninguém me viu defender o imobilismo e o ficar como estamos. Se alguém assim percebeu, desculpem, mas não tomou a devida atenção ao que eu escrevi...
É preciso fazer alguma coisa, sim, é preciso apostar na retoma da economia, gerando confiança. É preciso consolidar a confiança de quem produz, estabilizando os vínculos laborais e apostando no consolidar da formação profissional. É preciso incentivar e apostar nas empresas todas, mas sobretudo nas P.M.E.'s que são as que revitalizam e significam a maior parte da mão de obra e da produção. É preciso agilizar a justiça para que ela deixe de ser um estorvo. É preciso reduzir os impostos sobre os particulares, para incentivar o consumo (controlado) mas apostando e criando incentivos à poupança (e nunca se poderá poupar o que se não tem...). É preciso reduzir principalmente os impostos sobre as empresas, mas fiscalizá-las para confirmar que declaram correctamente os seus proventos, penalizando as que prevariquem, mas premiando as que cumpram. É preciso apostar (e tantas, tantas vezes o tenho dito) na Educação, mas apostar a sério, sem se andar a gozar com professores e alunos como tem sido feito ([8]) com parvoíces justificadas com um rotineiro e absurdo "porque sim"... O Ensino tem de ter professores estáveis, pois de referência são as escolas onde eles são do quadro, sendo certo que eles só ensinam bem, como nós desejamos, se as suas vidas estiverem estáveis e não se estiverem a pensar nos 200 quilómetros que têm de percorrer para cada lado, todos os dias, apenas para trabalhar...
É preciso deixarmos de procurar bodes expiatórios e voltarmo-nos para o verdadeiro desafio...