Já que tanto se tem falado nos FP também é bonito ver umas opiniões diferentes.
Que a culpa não morra solteira
Octávio Teixeira
Economista
No discurso de tomada de posse, o novo Presidente da República entendeu deixar alguns desafios "cruciais para abrir caminhos consistentes de progresso". Realço o do "atraso competitivo" da economia portuguesa. Concordo que aumento da competitividade no âmbito dos produtos transaccionáveis é factor essencial para o desenvolvimento. Tal como estou de acordo com as declarações do PR de que a baixa produtividade resulta do facto de que "o trabalho é pouco eficiente e, na maioria dos casos, não é por culpa dos trabalhadores" (sim dos empresários e gestores) e a de que "tentar preservar a competitividade à custa de salários baixos é uma estratégia sem futuro".
Mas lendo estas declarações do Presidente da República, ocorre- -me dizer: "Bem prega frei Tomás"#133; Sendo diversas as razões em que assenta a baixa competitividade da nossa economia, um facto há que não pode ser escamoteado: a persistente apreciação da taxa de câmbio efectiva registada no nosso país pela aposta que foi feita no sentido de colocar Portugal no "pelotão da frente" da união monetária e da moeda única. Aposta voluntarista e economicamente irresponsável, porque não foram tidas em conta as diferenças existentes na estrutura produtiva, nas taxas de crescimento e de inflação, os efeitos dos choques externos assimétricos, etc.
Ora, o principal e primeiro responsável por essa aposta foi o então primeiro-ministro Cavaco Silva, que sobrevalorizou a convergência nominal e olvidou a convergência real da economia.
Resultado: nos últimos dez anos a apreciação foi de 16%, com as consequentes perdas de competitividade e de quotas nos mercados externos e doméstico.
Os benefícios decorrentes da baixa das taxas de juro foram passageiros (e induziram o endividamento exagerado das famílias e empresas bem como o boom especulativo no imobiliário).
Mas os custos da perda de competitividade persistem e prolongar-se-ão por muito tempo, e deles recuperar será difícil e prolongado. Para compensar aquela perda de competitividade anual e promover alguma tímida melhoria relativa, a produtividade terá de aumentar na ordem dos 2,5 a 3% ao ano.
E se se quiser travar o crescimento do desemprego, então o PIB terá de crescer pelo menos 3,5% ao ano.
Difícil com empresários que tendo o potencial financeiro necessário (vejam-se as recentes operações financeiras em torno da GALP, PT e BPI), mostram aversão ao investimento produtivo gerador de nova riqueza.
Pelo que temo que no futuro próximo regressemos a frei Tomás e que a "autêntica cooperação estratégica" do PR com o Governo venha a ser a de promover a competitividade à custa dos salários baixos, alargados agora a toda a economia. Embora sendo uma estratégia sem futuro e fortemente penalizadora dos trabalhadores, os que não têm culpa. C
http://dn.sapo.pt/2006/03/20/economia/que_a_culpa_morra_solteira.html
"Portugal tem economistas a mais e empresários a menos"
"Promovam a vocação empresarial junto dos economistas." Foi este o desafio deixado por José Roquette à Ordem dos Economistas, na quarta-feira passada, num encontro promovido por aquela organização em que o empresário foi a figura convidada para falar sobre ética empresarial. Porque "Portugal tem hoje economistas a mais e empresários a menos", afirmou.
Considerando que era um desafio pesado aquele que deixava ao bastonário da Ordem dos Economistas, Murteira Nabo, Roquette sublinhou: "Até porque não é nada fácil ser empresário. Os riscos são grandes e o primeiro falhanço ainda é muito penoso e marcante. Mas esta é a sede própria para se promover a formação de uma nova classe empresarial portuguesa, já que não existe a Ordem dos Empresários. Esta poderia ser uma das funções da CEP (Confederação Empresarial de Portugal), mas esse projecto está em banho maria."
Na opinião do empresário e ex- -dirigente do Sporting, "se quisermos deixar o ónus da culpa do que corre mal no País para a classe política não vamos a lado nenhum e Portugal não terá hipóteses de percorrer um bom caminho". "A única forma de a economia portuguesa crescer é criando-se investimento sustentado. Neste aspecto, o Estado dever ser árbitro e não jogador. Cabe aos empresários assumirem o seu papel de geradores de crescimento sustentado. Portugal tem falta de projectos sustentáveis e que percorram várias legislaturas", realçou.
Roquette chamou ainda a atenção da classe empresarial e política para a necessidade de se definirem estratégias de afirmação do País no exterior. "Não podemos competir em todos os sectores. Isso está fora de questão. É preciso fazer opções e definir uma estratégia. Portugal tem um grande défice estratégico. Mas, também nesta matéria, a sociedade civil tem uma altíssima responsabilidade."
Segundo o empresário, há ainda um outro problema que a classe empresarial portuguesa terá de resolver: o da sua imagem. "Os empresários portugueses têm a imagem dos promotores de desemprego, evasores fiscais, poluidores, entre outras coisas. Têm uma má imagem."A solução para este problema, diz, é a ética empresarial.
"Há uma questão cultural que é geradora da diferença qualitativa. E é essa questão que tem de ser mudada pela classe empresarial. Se assim não for, nem que o Estado triplique o número de fiscais do fisco se resolve o problema da fuga aos impostos e da economia paralela."
Os empresários portugueses devem perceber que "a ética compensa. Até porque hoje já não há empresa que não seja socialmente responsável que não seja penalizada. A ética nos negócios é o caminho para garantir o crescimento sustentado dos resultados".
Neste campo da ética empresarial considerou como um grande exemplo em Portugal a EDP, empresa de que foi administrador até há cerca de um mês. "Tem um código de ética exemplar. E do ponto de vista da sua execução é igualmente exemplar." C
http://dn.sapo.pt/2006/05/02/economia/portugal_economistas_a_mais_e_empres.html
Sim falta muita ética nos negócios, em especial se começarmos a falar dos grandes tubarões.
Acácio Mendes, director do Hotel D. João III, Leiria
“Estragou-se muito dinheiro em formação”
O sector hoteleiro enfrenta um grande problema que passa pela dificuldade em encontrar mão-de-obra. Uma situação que para Acácio Mendes, director do D. João III, em Leiria, tem vários culpados, entre os quais os próprios empresários. Para este responsável, é preciso apostar forte na qualificação, mas evitar os erros do passado, visto que já se “estragou muito dinheiro em formação”
JORNAL DE LEIRIA (JL) - Passados os jogos do Euro em Leiria, ganhou aquilo que estava à espera?
Acácio Mendes (AM) – No início a fasquia foi colocada muito alta e estávamos à espera que o evento fosse mais prolongado, o que levaria a que tivéssemos uma taxa de ocupação muito boa durante mais tempo. Contudo, acabou por ser bastante positivo, com uma ocupação muito boa. Até ao final do Euro, as coisas vão depender um pouco das equipas que passarem à final. Com a Espanha a ir embora, é um prejuízo muito grande, porque são famílias inteiras que deixam de vir.
JL – Espanha acaba por ser o mercado com mais potencial?
AM – Sim, porque vêm famílias inteiras. São turistas mais pacíficos, visitam mais coisas, não gastam tanto dinheiro em cerveja mas gastam noutras coisas. É diferente do que virem só homens. Os adeptos de futebol chegam, vêem o jogo e vão embora.
JL - Pensa que os principais benefícios para a região ainda estão para vir?
AM – Sim. Tivemos receitas directas e imediatas, mas o mais importante será a promoção que foi feita do País. As pessoas com quem falei, de diversas nacionalidades, ficaram encantadas com Portugal. Nenhuma campanha teria o retorno que poderá ter a promoção que está a ser feita com o Euro.
JL - Como comenta o facto de muitos estabelecimentos comerciais terem estado fechados no dia do primeiro jogo do Euro em Leiria?
AM – Quando há um evento grande, os portugueses começam por dizer mal. Depois transportam esse pessimismo para outras coisas e são sempre do contra. Por exemplo, no fim-de-semana da Páscoa todos os museus estão fechados. Diz-se que o futuro de Portugal passa pelo turismo, mas com mentalidades assim não passará com certeza. Por isso não me admira que as lojas tenham estado fechadas. Havia lojas abertas em Leiria no dia de Páscoa. Tenho dúvidas que tenham vendido. No dia do jogo não abriram. Seria medo? Não sei, mas acho grave não aproveitarem estas oportunidades.
JL - Há quem defenda que o turismo poderá ser um dos motores da recuperação da economia nacional. Acredita que sim?
AM – Acredito, porque não vejo outra alternativa. Em termos industriais, com a ameaça da China, cada vez vai ser mais difícil vingarmos. A agricultura é o que é, já que somos um País de minifúndio. A saída terá que ser nos serviços, e isso passa sempre pelo turismo. Mas tem que haver uma grande aposta na formação, área onde há uma grande lacuna. Não há pessoas para trabalhar na hotelaria, por culpa dos empresários e do Governo. Até aqui estragou-se muito dinheiro em formação. Recorde-se o início do famoso Fundo Social Europeu. Mas os empresários também têm culpa no facto de não haver pessoas para trabalhar na hotelaria porque nem sempre respeitam a lei, causando nas pessoas a imagem de que este trabalho é uma escravidão.
JL - Na era da globalização, acredita que é possível a uma unidade hoteleira sobreviver por si só?
AM – Não. Será cada vez mais difícil fazê-lo. Nós fazemos parte da Best Western, a maior cadeia hoteleira mundial a que se adere voluntariamente. Cada hotel tem o seu proprietário, mas a central de reservas e o marketing é comum a todos. Não há outra solução. Um hotel que fique à espera que os clientes lá vão parar terá cada vez mais dificuldades porque as cadeias franchisadas estão a crescer e vão abafar os outros.
JL – Nunca equacionaram a venda do hotel?
AM – Nos negócios nunca se pode dizer que não se vende. Tudo tem o seu preço. Mas nunca foi uma prioridade. É óbvio que se chegar cá um ‘Abramovich’ e oferecer muitos milhões....(risos). Não há nada que não se venda.
Percurso
Acácio Mendes cresceu no hotel e acabou por cursar gestão hoteleira. Antes de terminar os estudos trabalhou na unidade, passando por várias secções. É à família que dedica a maior parte do seu tempo livre. Gosta de “tudo o que tenha motor e rodas”, joga voleibol e, sempre que pode, gosta de fazer férias na neve.
Raquel de Sousa Silva
http://www.jornaldeleiria.pt/index.php?article=2358&visual=1
Denominador comum, o sentimento de que os empresários devem deixar de andar a reboque do ESTADO, e serem eles os impulsionadores da economia.
E já agora para rematar, o que tenho dito, há culpas a repartir.
Políticos e Empresários com Mentalidade de Antigos Negreiros
Nos primeiros meses de 2004, o jornal Expresso, procurou fazer depender as decisões sobre Portugal das intenções de alguns do seus empresários. O comum dos cidadãos é desta forma subtilmente afastado da discussão e 14 milhões de seres humanos (10 residentes em Portugal e 4 no estrangeiro) são deste modo tratados como meras mercadorias. O futuro de Portugal é desta forma reduzido a um assunto de negociantes. Quanto vale Portugal? Quanto vale um português? Com quem será preferível fazer o negócio, como a Espanha ou os EUA? Ou haverá outro potencial interessado no negócio? .
Ninguém parece ter percebido a infâmia que este tipo de discursos comporta, pois eles negam a todo e a qualquer português a dignidade que merece qualquer ser humano.
É curioso que dois dos três empresários motivaram esta iniciativa do Expresso - António Champalimau e José Manuel de Mello -, tenham sido particularmente favorecidos pela ditadura salazarista. O terceiro- Vaz Guedes - é o herdeiro de uma empresa ( Somague ) que se expandiu à custa de obras públicas promovidas pela ditadura. Não consta que nenhum deles alguma vez se tenha incomodado com a ausência de liberdade em Portugal ou com a desenfreada exploração de milhões de pessoas em Portugal, Angola, Moçambique e em outras colónias onde possuíam negócios protegidos pela ditadura.
É natural que existam em Portugal pessoas que não querem ser portugueses. Estão no seu direito, mas devem então mudar de país e nacionalidade. O que o país não pode ter é no Estado políticos (ministros, deputados,etc) e funcionários públicos que tenham idêntica opção. Tem sido com alguma perplexidade que o comum dos portugueses, tem assistido nos últimos anos a ministros abrirem as portas a interesses especulativos dos espanhóis, e uma vez saídos do governo, ficam ao seu serviço das suas empresas como administradores. É inconcebível que na Assembleia da República, existam deputados que num total desprezo pela memória colectiva dos portugueses, e os crimes que foram cometidos contra a sua humanidade, afirmem, por exemplo, que o etnocído de Olivença seja uma coisa do passado.
Sejamos claros: A expiação de um sentimento de culpa colectivo, não pode justificar estas situações. É tempo dos políticos e funcionários iberistas e negreiros serem compulsivamente afastados do Estado português, porque não servem a comunidade que fazem parte, nem respeitam os seus mais elementares direitos e sentimentos. Não será tempo também de afastar os que pululam pelas empresas públicas?
Carlos Fontes
Completo
http://lusotopia.no.sapo.pt/indexPTIberistas01.html
E aqui (link acima) também se fala nesses discursos iberistas promovidos de quando em quando.
Vá, vamos a assumir srs. empresários, que não fazem tudo o que podem para estes estado de coisas ser diferente.